"Correio do Minho" 29/01/12
"Diário do Minho" 29/01/12
Na passada 6ª feira, dia 27, decorreu na sede da Rusga de S. Vicente, a 56ª sessão dos Serões do Burgo, iniciativa que, em jeito de tertúlia, visa discutir e partilhar temas, assumindo-se como uma espécie de forum de discussão.
A sessão passada, subordinada ao tema Braga - do passado para o futuro, que projetos e políticas se exigem para a cidade?, muito se falou de património, de cultura, do centro histórico e da qualidade de vida.
Foram chamados a discutir o assunto quatro intervenientes das forças políticas partidárias com assento na Assembléia Municipal (dado a existência de uma coligação de direita, o eleito do PSD também exerceu a responsabilidade de representar o CDS/PP e o PPM).
Daquilo que tivemos oportunidade de ouvir e ler, realçamos as políticas patrimoniais, com as forças da oposição a afirmar um mau planeamento da cidade e com consequências directas para o património e o responsável municipal a subverter estas afirmações, dando a conhecer que há um equilibrio entre a preservação e o desenvolvimento (entenda-se construção) da cidade.
Foi citado, pelas forças da oposição, os caso das Sete Fontes, mas o representante da autarquia nem pronunciou o nome do monumento nacional.
Não deixa de ser curioso o Correio do Minho ter tido a preocupação de auscultar a opinião do arqueólogo Luis Fontes, da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, que taxativamente passou um atestado de desconhecimento da História local aos representantes partidários.
A ser verdade que os decisores políticos desconhecem a realidade local, os arqueólogos têm o dever ético ( e moral), tal como qualquer cidadão, fazer valer opiniões que demonstrem os erros e apontem soluções. Se se remeterem ao silêncio, em nada contribuem para o avanço cultural e para o tal equilibrio preservação/desenvolvimento. Além do mais, a se rverdade que Braga é a cidade que mais património recupera, então faz falta que haja mais divulgação dessas acções, para que os cidadãos fiquem correctamente informados.
Um outro tema abordado foi os das Piscinas Olímpicas, cuja obra está estagnada há imenso tempo. Quando o executivo municipal, por várias vezes e em diversas situações, afirma recorrer ao QREN como solução para viabilizar novos projectos (GeNeRation, Pousada da Juventude, Fábrica Confiança), então porque é que as Piscinas ficam de fora desta hipótese? Agora que já se investiu 8 milhões de euros de fundos públicos, porque é que se induz a possibilidade de entregar a obra a um investidor privado? Ainda que as prioridades mudem ao longos dos tempos, qual a razão que leva o executivo municipal a afastar as Piscinas como um investimento estratégico para a cidade? Como deixar um esqueleto de obra apodrecer ao lado de uma estrutura desportiva, que tem um processo de classificação a decorrer e que con tribuiu para o seu autor alcançar um prémio Pritzer?
Parece haver falta de planeamento na nossa cidade e que as decisões e grande sopções são feitas aos soluções ou impetos pontuais.
Dai que estas tertúlias são importantes para discutir a cidade e as opções a tomar, pois permitem a partilha de ideias e de opiniões. Haja mais espaços como este em Braga!