28 de abril de 2015

35 anos a cooperar...




Caro leitor,

Sabia que a JovemCoop, ao contrário do que o nome indica, é uma das mais antigas associações juvenis da cidade? 

A JovemCoop nasceu em 1979 aquando a participação de dez jovens bracarenses, ligados à Cooperativa Novos Pioneiros, num intercâmbio internacional em Malvern – Worcestershire. É a esses dez jovens audazes que devemos a fundação da associação juvenil Jovem CoopNatureza/Cultura. 

Um ano após o seu nascimento, foi realizado o primeiro intercâmbio internacional JovemCoop. Esse foi apenas o início de uma longa caminhada em direção ao mundo, que a associação se orgulha de ter trilhado.

No entanto, com o passar dos anos a JovemCoop foi evoluindo nos seus objetivos e na sua própria definição, abrangendo um número de jovens cada vez maior. As atividades deixaram de se cingir aos intercâmbios internacionais, e começaram a incluir temas como a cultura, a natureza e o desporto. 
No ano em que vivemos o nosso 35º aniversário, definimo-nos como uma associação juvenil aberta a toda a comunidade, que pretende despertar consciências para a proteção do nosso bem mais precioso, a nossa história, o nosso património.

Hoje orgulhamo-nos de criar não só nos adolescentes um outro olhar sob o mundo, sobre os monumentos, sobre a natureza e as pessoas que os rodeiam, bem como criar consciências para a existência harmoniosa de todos estes patrimónios. Desde atividades no âmbito da natureza e do desporto realizadas para os mais jovens, até às caminhadas culturais onde temos uma participação mais graúda, hoje a JovemCoop tem as portas abertas para todos aqueles que veem nos nossos princípios os seus ideais.

Sendo a JovemCoop uma associação aberta a toda a comunidade, entendemos que a melhor forma de comemorar os nossos 35 anos é homenagear a vida de todos os membros e amigos, bem como o próprio associativismo. Deste modo, resolvemos criar um fórum associativo, no dia 2 de maio, no Museu D. Diogo de Sousa pelas 15h. 

Iniciaremos a nossa comemoração com um momento de partilha de experiências entre associações das mais diversas áreas, desde as de solidariedade, as que promovem a cultura, as que se dedicam ao desporto e às causas sociais, em suma, muitas são as associações que se juntam a nós para fazer do aniversário da JovemCoop, um marco no associativismo bracarense. Depois de um momento de apresentação de todas as associações, chega o momento de partilha com o debate “Associativismo como forma estruturante do ser”.

Neste debate estarão entidades ligadas ao mundo do associativismo como Ricardo Silva presidente a Junta de Freguesia de S. Victor e último Coordenador Geral da JovemCoop, Manuel Barros delegado regional do IPDJ, Eva Sousa a representar o pelouro do associativismo da CMB, Pedro Soares presidente a Agência Nacional de Juventude e Firmino Marques, Vice-presidente a Câmara Municipal de Braga, e um grande amigo do associativismo bracarense.

O encontro concluir-se-á com a inauguração da exposição alusiva aos 35 anos da JovemCoop, que dará a conhecer todo o trabalho realizado pela associação ao longo dos últimos anos. 

Queremos convida-lo a si e poder contar com a sua presença pois “as coisas não têm sentido, se não dermos sentido às coisas” e este aniversário só tem sentido se todos os nossos amigos estiverem por perto para lhe dar maior significado. As causas do associativismo merecem ser vividas por todos.

Até Sábado, dia 02 de maio no MDDS.

20 de abril de 2015

35º Aniversário JovemCoop

No âmbito do 35º aniversário da JovemCooperante Natureza | Cultura, convidamos todos os nossos associados, antigos associados e amigos, bem como todas as Associações que assim o desejarem, a estarem presentes no próximo dia 2 de Maio, às 15h, no Museu D. Diogo de Sousa, para participarem na Mostra Associativa. bem como num debate que iremos levar a cabo sobre o tema "O Associativismo Como Forma Estruturante do Ser", e também na inauguração de uma exposição fotográfica acerca das diversas atividades da nossa associação.

Desde já agradecemos a Vossa presença!

Contamos com todos vós.

18 de abril de 2015

Passeio e Convívio ao Gerês Romano


A JovemCoop, em conjunto com a Braga+, promove no próximo dia 1 de Maio a segunda edição do passeio convívio, desta vez percorrendo o Gerês romano. O ponto de encontro vai ser às 09h00, junto ao Pópulo. 
A viagem será feita de autocarro, sendo que o regresso deverá acontecer pelas 18h00.
O percurso contará com passagens por locais onde é possível vislumbrar vestígios do período romano, localizados no perímetro do Parque Nacional da Peneda-Gerês. Prevista está ainda uma caminhada pela famosa "Geira".
Depois da bem-sucedida I edição do passeio-convívio, realizada no ano passado ao legado de André Soares no Minho, as duas associações voltam a juntar-se um ano depois.

Existem 52 lugares no autocarro, divididos irmãmente pelas duas associações, e a inscrição deverá ser efectuada através do email info@jovemcoop.com.

INSCRIÇÕES LIMITADAS!!!
CONTAMOS CONSIGO???

1 de abril de 2015

Uma Semana Típicamente Bracarense

in Correio do Minho | 31.03.2015

Já muito se escreveu sobre o tema que escolhemos para esta crónica, no entanto, sendo a JovemCoop uma associação que visa a valorização do património e da cultura, não podíamos deixar de escrever sobre a tão icónica Semana Santa bracarense.
Pouco se sabe sobre as origens da Semana Santa, contudo, as comemorações realizadas à imagem dos dias de hoje remontam, pelo menos, ao século XVI. Tal como a grande maioria das tradições, também esta foi sofrendo, ao longo dos tempos, vários desenvolvimentos e variações.

Declarada desde 2011 de Interesse para o Turismo, hoje, quem vem à Semana Santa de Braga, pode encontrar uma das mais perfeitas conjugações entre tradição, cultura, património e religião. Durante a época Quaresmal, a cidade dos arcebispos reveste-se de roxo e vive a rigor todas as celebrações alusivas ao tempo. Desde exposições nos mais variados locais, como no Museu da Imagem, na Galeria do IPDJ, no Hospital de Braga ou no Braga Parque, passando por conferências, até aos tradicionais concertos e espectáculos, como o de hoje na Sé catedral, ou a animação de rua realizada por farricocos nos dias 1 e 2 de Abril, muitos são os locais que se unem à cidade para viver esta semana ímpar.

No entanto, os momentos de destaque desta semana passam-se nas ruas históricas da cidade. Das cinco procissões existentes, destacam-se três: a Procissão “Vós Sereis o meu povo”, popularmente conhecida como Procissão da Nossa Senhora da burrinha, a Procissão do “Ecce Homo”, e a Procissão do Enterro do Senhor, que acontecem respectivamente na quarta, quinta e sexta-feira à noite.

Nas duas últimas procissões mencionadas é possível encontrar a representação do típico farricoco bracarense. O farricoco, uma figura vestida de preto e com a cara tapada, era uma forma de penitência dos cristãos bracarenses, que caminhavam descalços e incógnitos pelas suas da cidade. Geralmente acompanhados de fogaréus ou de matracas, também conhecidas como ruge-ruge, os farricocos começaram-se a aproveitar do seu anonimato para denunciar aqueles que não cumpriam as penitências.

Ho je, já são raras as penitências nas procissões, no entanto, a figura do farricoco continua presente, tornando-se assim um dos símbolos da cidade e das comemorações da Semana Santa. Prova dada a cerca da importância dos farricocos são a sua tradicional comercialização no posto de Turismo, e também a sua presença na recém-aberta BragaPoint, uma loja de recordações onde abundam as lembranças alusivas à Semana Santa, dando destaque à figura do farricoco e também à venda solidária da imagem da Nossa Senhora da Burrinha.

A Procissão da Nossa Senhora da Burrinha é um fenómeno bem mais recente, sendo um cortejo recuperado dos anos 60 do século passado. Esta Procissão ganha destaque pela presença da “burrinha” que carrega N.ª Sr.ª e o Menino Jesus na sua fuga para o Egipto. A par do simbolismo desta procissão, o fenómeno que sobressai é a vivência comunitária de um conjunto de pessoas que se reúne para que este cortejo, o mais colorido das três procissões, saia para a rua.

É emblemático e sinal de comunidade observar a azáfama vivida, por estes dias, na paróquia e na freguesia de S. Victor, para que esta procissão seja, de fato, um acontecimento para a cidade, que arrasta multidões à nossa cidade. Louvável estratégia de captação de turistas é o projeto “S. Victor de Portas Abertas” que, com auxílio de estagiários da Escola Porfissional Profitecla, permite ter três igrejas abertas ao público, com o atrativo de cada turista/visitante poder recolher “A Vitória” (símbolo de quem visita os 3 monumentos).

Na opinião da JovemCoop a Semana Santa de Braga é uma semana sem igual, é uma prova dada de que os bracarenses, quando convidados e estimulados, participam ativamente na vida da cidade. É certo que ainda muito se pode fazer por estas celebrações, que irão espalhar o nome da cidade pelo mundo, mas é igualmente certo que aos poucos, todos vamos caminhando nessa direção. O aumento de atividades e o maior envolvimento da população é notório de ano para ano. Por esse motivo todos estamos de parabéns, pois todos fazemos de Braga a cidade ativa que ela se orgulha de ser.

24 de março de 2015

Visita guiada à Cidadela Medieval


As associações JovemCoop e Braga + organizam, no próximo sábado, dia 28 de Março,  mais um percurso pelo património bracarense, desta feita pelos vestígios da Cidadela Medieval.
Esta iniciativa, que visa assinalar o Dia dos Centros Históricos, tem início marcado para as 10h00, na Praça da República, junto à Arcada.
O objetivo desta visita guiada é percorrer todas as oito portas e torreões que constituíam o perímetro medieval bracarense, que contava com sensivelmente 1.300 metros de comprimento. O castelo de Braga e os panos de muralha ainda subsistentes serão também abordados durante esta visita.
O percurso vai contar ainda com paragens na Torre de Menagem, Torre da Porta Nova e antigo Paço dos Arcebispos. Nestes locais os participantes poderão ainda vislumbrar exposições integradas no programa da Semana Santa de Braga. 
Integrado no programa desta manhã cultural está também a visita ao pelourinho de Braga, o monumento nacional mais desconhecido dos bracarenses.
As inscrições, e demais informações, estão disponíveis nos sites da JovemCoop e da Braga +, ou nas respetivas páginas do facebook.

21 de março de 2015

Diário da Cooperante #8

Olá amiguinhos, hoje decidi escrever sobre o fim-de-semana que mudou a minha postura em Erasmus.
                Para começar vou falar um pouco dos portugueses que conheci aqui. Eles são muito simpáticos, são boas pessoas, mas gostam muito de sair à noite. Ou seja, como eles saem ao fim de semana à noite dormem durante o dia e eu acabo por ficar sozinha.
                O meu fim-de-semana começa mais cedo, começa à sexta-feira. E eu esta sexta deixei-me ficar por casa. Arrumei a casa, fiz as minhas coisas, fui até ao café um bocadinho à internet. Mas sabem? Quase que morri de tédio. Só me apetecia chorar. Mas depois pensei “não isto não pode ser assim todos os fins-de-semana”. E foi depois deste pensamento que mudei a minha atitude.
Sábado acordei de manhã bem cedinho e fui ao centro. Meti-me no metro e saí na paragem mais próxima. Fartei -me de andar, meti-me por sítios desconhecidos. Vi coisas lindas. A cidade de valência é mesmo gira. Andei o dia todo. Sempre sem saber para onde ir e a ouvir música. Almocei pelo centro e pela parte da tarde fui passear até um jardim. Cheguei a casa à noitinha, mas sentia-me mesmo bem.

No domingo voltei a acordar bem cedinho preparei umas sandes para almoçar e fui até à cidade das artes. É tão linda!!!! Parecia que estava noutra dimensão, que tudo à minha volta tinha desaparecido. Fartei-me de tirar fotos. Fiquei até à hora do almoço e de tarde fui a uns centros comerciais dar umas voltas.

Este fim-de-semana foi muito importante para mim. Decidi que não podia estar em casa a deprimir, que tinha de fazer algo. E só o facto de eu ter tido coragem para pegar na mochila e ir sair sozinha, para uma cidade que mal conheço ajudou-me a ver as coisas de outra forma. Eu sempre fui independente, mas sempre dentro da minha zona de conforto, no entanto agora tenho de ser independente no desconhecido. Mas eu gosto. Sinto que sou capaz de fazer as coisas que quero, mesmo não tendo companhia.
Claro que agora os meus fins-de-semana já são diferentes, já tenho uma rotina, tenho sempre coisas por fazer. Também conheci 3 portuguesas que me ajudaram muito a mudar isso. Sempre que vão sair convidam-me, o que é ótimo porque eu dou-me muito bem com elas. Já tenho companhia para as minhas próximas aventuras :)

Aos pouquinhos tudo se vai compondo!

Beijinhos cheios de saudades

14 de março de 2015

Diário da Cooperante #7




Olá amiguinhos J

Hoje vou vos falar um pouquinho sobre as minhas aulas.
Como referi num texto anterior, venho com 1 mês de atraso de aulas. E isto de um certo modo está a assustar-me um bocadinho. Primeiro porque as aulas são em espanhol, depois porque já estão muito avançados. Já temos vários trabalhos para entregar em “atraso”. Mas com esforço e dedicação acho que conseguimos lá chegar.
A minha primeira aula teórica foi de planificação. Senti-me muito bem porque a turma foi acolhedora e muito simpática.
Quando tive a primeira aula de desportos de adversário apercebi-me logo que estava lá “enganada”. Tinham-nos dito em Portugal que desporto de adversário era relacionado com luta, e de facto é, mas esqueceram-se de nos dizer que também temos desportos com raquete. Ai desportos de raquete… Eu não queria nada disto. Mas vai ter de ser. Nessa aula o professor explicou-nos o trabalho que tínhamos de fazer e separou-nos a todos. Eu fiquei num grupo com mais três rapazes espanhóis. Ao início não achei muita piada, mas confesso que agora foi a melhor coisa que nos aconteceu. O meu grupo é espetacular. Eu falo para eles em português e eles tentam perceber; ajudam-me muito quando é para fazer o trabalho para eu compreender bem os objetivos. Foi uma ótima maneira de me inserir na turma. O nosso trabalho é relacionado com desportos de luta, grappling. Vou ter de aprender, vamos ver como me vou sair. Já tive duas aulas de desportos de raquete: Ténis. E querem saber? Gostei bastante. A primeira tinha como objetivo principal saber como ensinávamos uma criança a jogar ténis. Quais os primeiros exercícios a realizar, durante quanto tempo, e a evolução pedagógica. No final da aula o professor propôs que fizéssemos uma coreografia com bolas e raquetes. Depois tínhamos de apresentá-la e disputá-la com o resto da turma. Foi de chorar a rir. Nós cheios de vergonha, com uma coreografia muito simples e os outros todos à vontade a fazer coisas divertidas e engraçadas. Mas ainda assim ganhámos! Todos votaram no grupo do Erasmus. Foi mesmo um momento que não me vou esquecer. Na segunda aula fomos jogar mini ténis para um campo. Fizemos mini torneios. Estavam quase 30 graus, tostei completamente. Mas gostei muito do ambiente. Estávamos todos descontraídos. Até os professores vieram jogar contra nós. Os nossos colegas estavam sempre a perguntar como se diz isto, como se diz aquilo. Senti-me bem e relaxada.
Para terminar vou falar acerca da minha primeira aula de desporto de meio ambiente. Quando nos fomos apresentar ao professor ele alertou-nos que a aula ia ser noutro sítio e que precisávamos de levar roupa para caminhar. No dia da aula nós fomos mais cedo para apanhar o autocarro e o professor começa a explicar que íamos fazer uma caminhada de 8 km no monte, que o piso era muito irregular e tinha muitas subidas. Eu só pensava… vou cair, não vou aguentar. Quando começamos a caminhar foi logo 1h sempre a subir. Mas à medida que íamos subindo a paisagem ficava cada vez mais bonita. O cansaço parecia que desaparecia a cada passo. Vimos coisas tão giras! Vimos vestígios de construções romanas, pontes antigas, montes lindos! No final da caminhada só me apetecia deitar na cama. Estava esgotada mas gostei imenso. Lembrei-me das caminhadas da JovemCoop no Gerês.

Bem amiguinhos, como podem ver estou a gostar muito das aulas


beijinhos

7 de março de 2015

Diário da Cooperante #6

Olá amiguinhos J

Hoje foi dia de mudanças!

Dedicamos este dia para nos instalarmos na casa nova. Tivemos de voltar as fazer as malas, o que foi uma sensação um pouco estranha pois parecia que íamos voltar a viajar, e transportar tudo para a outra casa. Era tanta coisa  que tivemos de chamar 2 táxis para conseguirmos transportar toda a bagagem.
Quando chegamos a casa tivemos de a limpar porque ela estava toda, toda suja! Limpezas concluídas e chegou a hora de nos instalarmos no nosso quarto. Para mim foi estranho… Já me estava a habituar à outra casa, ao meu cantinho e de repente um quarto novo. Mas querem saber o que consigo ver da minha janela?? O mar!! Claro que não é um imagem bem nítida é mais a linha do horizonte mas é gratificante. Às vezes fico muito tempo à janela a contemplar a paisagem.
O meu quarto é giro. Tem as coisinhas básicas mas é o suficiente. Com as minhas coisas arrumadas e nos devidos lugares, consegui torná-lo mais acolhedor.
Já instalados foi hora de fazermos compras. Não tínhamos nem um pacote de bolachas em casa. Fomos ao supermercado mais perto mas mesmo assim ainda ficava a uns 15 minutos de casa. Cada um trazia montes de compras porque não tínhamos nada. Estava tudo a zero. Quando pagámos ficamos a olhar uns para os outros e a dizer “E agora? Como vamos levar as compras?” Vocês nem vão acreditar. Eu ri-me tanto, tanto. Pedimos um carrinho emprestado e viemos com ele pela rua fora. Imagem só as pessoas todas a olhar e nós perdidos de riso a atravessar a passadeira. Foi muito engraçado. Foi improvisar na hora. Quando chegamos ao prédio tentamos pôr o carrinho no elevador, mas sem sucesso. Tentamos de várias maneiras de várias posições e nada… Mas valeu o esforço.

Agora vamos jantar fora, estamos sem gás!!

Cooperantes gostei muito deste dia,


Beijinhos

3 de março de 2015

Diário da Cooperante #5

Olá amiguinhos J

Sei que já não escrevo há algum tempo e peço desculpa por isso. A esta semana foi muito atribulada. Vou fazer um breve resumo.
Irmos para a universidade era um stress todas as manhãs. Havia dias que entravamos às 8h e tínhamos de sair de casa às 7h. Como devem imaginar 4 pessoas para uma casa de banho era demais, por isso, tínhamos de acordar às 6h. Íamos para a escola ainda meios a dormir. E para apanhar o metro? Era um stress, tínhamos de correr ao trocar de linha para não os perdermos. Isto para não falar que de 3 vezes que acordamos cedo para ir às aulas a nossa turma não estava. Tinham ido a passeios e ninguém nos informava de nada. Ter aulas ou não era uma incerteza, era esperar para ver. Andávamos lá totalmente perdidos, desajustados da realidade.
Quando pensávamos que já nos tinha acontecido de tudo, a rapariga que veio connosco lembrou-se de desistir!
Outro problema… Nós os 3 não queríamos pagar uma casa para quatro… Ficamos sem chão completamente. No dia a seguir fomos à procura de casa desesperados. Nós chegamos ao cúmulo de tocar a todas as campainhas para saber se alguém tinha um apartamento para nos alugar. Teve de ser assim porque para os anúncios que ligávamos estavam todas ocupadas. Andamos dias a apanhar metros e a ir para zonas de estudantes à procura de casa! Era frustrante quando nos diziam “já está alugada” ou quando diziam um preço que não podíamos pagar. No último dia que podíamos ficar na casa fomos ver um piso (como se diz em Espanha) na zona de estudantes. Quando chegamos lá gostamos imenso da casa. A zona era perfeita. Quando dissemos que queríamos ficar com a casa a senhoria disse que só às 18h é que nos dizia se podíamos ficar com o “piso”. Foi muita gente ver a casa e a Senhora ia optar por quem alugasse mais tempo. Perdemos as esperanças todas… Foi um desespero esperar até às 18h. Eu olhava para o relógio e via os minutos a passar, as horas e nada… Às 20h ligamos para a senhora e tivemos uma ótima noticia! A casa era nossa!

No meio dos azares todos tivemos sorte. A casa era acessível, é numa zona de estudantes e fica a 5 min de metro. 

Agora sim! O Erasmus vai começar!

Crónica - As Verbas Bracarenses

in Correio do Minho - 03/03/2015

Hoje vimos falar de uma parte de Braga que nos é muito especial - a vertente associativa que faz parte da vida da cidade.
Se é verdade que na cidade mais jovem do país a vida associativa já faz parte do quotidiano de muitos, e que são inúmeras as associações existentes nas suas mais variadas ópticas, é igualmente verdade que existem muitos pontos dessa área que podem e devem ser melhorados.

Falamos, por exemplo, do Conselho Municipal da Juventude (CMJ), um órgão consultivo da cidade, ao qual a JovemCoop pertence enquanto observadora. Desde há muitos anos que somos uma presença assídua nas reuniões do conselho, passando por vários planos de intenções de atividades, mas que não passaram disso mesmo, pois foram escassos os que realmente avançaram com significativo sucesso. Será, então, sensato existir um orçamento participativo do CMJ, órgão consultivo que ainda não deu provas do seu expectável desempenho? Não vão ter os jovens já uma oportunidade de enviarem os seus projetos para o Orçamento Participativo (OP) 2016, aberto ao público em geral à semelhança do OP 2015?

O Orçamento Participativo do CMJ foi apresentado, na última reunião do conselho, com uma verba total de 75 mil euros. Cada projeto deve ser apresentado por um ou mais jovens e deve, também, ser direcionado para camada mais jovem da sociedade. O financiamento de cada projeto terá, no máximo, uma verba de 25 mil euros. Exposto pela primeira vez numa reunião do CMJ, este projeto é, então, no nosso ponto de vista, uma segunda oportunidade para que a população mais jovem, em geral, e a que constitui o movimento associativo, em particular, assumam uma postura e submetam os seus projetos na esperança de serem financiados. Mas será realmente necessário um apoio financeiro extra para os mais jovens avançarem com as suas ideias?

Felizmente, Braga é uma cidade onde abundam associações, que, na sua grande maioria, funcionam do voluntariado dos seus associados e que vão subsistindo com protocolos de colaboração. Muit os desses protocolos são feitos com a Câmara Municipal de Braga (CMB), existindo, assim, uma interajuda que tem como objetivo privilegiar a cidade e os seus cidadãos. Deste modo, ao assinar os protocolos, as associações, independentemente das áreas para que estão direcionadas, recebem apoios da CMB em troca de dar o seu melhor em prol da cidade.

Importante é referir que esses apoios não têm que ser financeiros, podendo configurar-se como apoio logístico às atividades, espaços para as associações se poderem organizar, transportes caso seja necessária alguma deslocação, entre outros. Reconhecemos as fragilidades dos protocolos quando as instituições abusam do relacionamento de confiança e se acham mais importantes que as outras associações.

Há quem tente fugir às suas responsabilidades, existindo associações que se aproveitam dos apoios da CMB, nomeadamente dos espaços que lhes são atribuídos como sedes, sem querer dar qualquer retorno ao município. Infelizmente há quem tenha a presunção de usufruir do que não lhe pertence sem fazer a sua parte, ou seja, sem trabalhar a favor da cidade e dos seus habitantes.

Assim, tendo as associações o seu próprio modo de subsistência e existindo um Orçamento Participativo anual, onde qualquer um pode concorrer com o seu projeto, parece-nos algo desnecessário o município despender de 75 mil euros para um segundo OP que apenas é mais restrito que o inicial, pois no fundo este OP do CMJ está integrado no OP anual, que a Câmara se comprometeu em repetir para 2016. Para nós, essa verba deveria ser utilizada para dar à cidade algo que realmente precise, pois já todos ouvimos que relativamente a alguma situação a CMB não pode fazer mais, pois não tem verbas para suportar tal situação.

Finalizamos com uma questão: O que faria o leitor pela cidade com uma verba como a do Orçamento Participativo do CMJ? A JovemCoop certamente optaria por relançar a Casa da Juventude ou a Casa da Cultura, como local privilegiado de fomento cognitivo.

21 de fevereiro de 2015

Diário da Cooperante #4

Olá amiguinhos cooperantes (:

Finalmente conheci a universidade. E é linda! A pior parte é que temos de apanhar 3 metros em linhas diferentes e demoramos 1 hora a chegar. Mas já sabemos onde é (:
Quando entramos na universidade e explicamos que eramos de Erasmus ficaram todos a olhar para nós com uma cara estranha. Nós só pensávamos o que será que se passa? Quando fomos ao gabinete internacional de Erasmus percebemos que viemos com um atraso de 3 semanas e ninguém tinha avisado a universidade que só chegaríamos agora. Tivemos de explicar que ainda tínhamos avaliações na nossa universidade de Portugal, para não nos marcarem falta e para não sairmos prejudicados.
Posto isto, escolhemos a turma que queríamos frequentar e fomos conhecer a universidade por dentro. Tem ótimas condições. É toda moderna.
As salas são muito arejadas e sentir o sol é tão bom! Nas aulas teóricas temos um portátil para cada aluno, não é um máximo? Assim podemos trabalhar de forma autónoma.
Os complexos desportivos são demais. Têm tudo e mais alguma coisa.
Esta é uma grande universidade, que me fez reflectir sobre o ensino em Portugal, e as condições do mesmo. Somos um país pequenino mas ainda com muito para crescer.
Acho que me vou adaptar bem à universidade. Estou ansiosa para começar as aulas e conhecer os meus colegas, professores, e assim poder levar novas ideias de atividades para a JovemCoop, e para a cidade de Braga. Acredito que ainda podemos fazer, muito pela nossa cidade.


Um beijinho cheio de saudades

16 de fevereiro de 2015

Diário da Cooperante #3


Olá amiguinhos cooperantes,

 Hoje, 15 de fevereiro, escrevo este texto para vos contar o meu fim-de-semana.
Sábado mal acordei, o meu primeiro pensamento foi para o coro de Guadalupe. Sentia-me muito triste por saber que era dia de ensaio e que eu não ia estar lá. Não ia cantar, não ia tocar guitarra, não ia ver os meus amigos, a minha segunda família. Que aperto tão grande que senti no coração, que vazio. Levantei-me logo para me tentar distrair e imaginem o que vesti? A camisola da JovemCoop. Assim senti- me mais perto de vocês, não me senti tão sozinha. Fui passear com a minha colega. Fomos procurar supermercados baratos e comprar o almoço. Quando regressamos a casa comecei a fazer limpeza. Imaginem só, tive de limpar a casa toda para me distrair… Na hora do almoço fui a correr buscar o avental que o coro me ofereceu, ouvi música animada, e assim tornou-se mais fácil.
A minha tarde foi passada no café, como devem calcular, a falar para Portugal. Na hora do ensaio recebi uma foto de duas amigas, da Carol e da Catarina. Fiquei tão feliz com a foto, só pensava que devia estar aí com vocês. Mas a foto ajudou-me muito, parecia que tinha estado lá. Quando olhei para o telemóvel vi uma mensagem da Fi (a chefinha do coro), a dizer o quanto era estranho eu não estar lá. Mais uma vez chorei. Chorei de saudades, mas também me senti muito apoiada pois toda a gente me manda mensagens, toda a gente me liga. Isso faz me sentir muito feliz e mais forte.
Querem saber qual foi a melhor parte do dia? Foi no final da tarde quando recebi uma chamada do coro. Eu fiquei radiante. Todos falaram comigo, todos ouviram os meus problemas, o meu choro. Eu sei que eles estão lá para mim, sempre que precisar!
Como é de esperar fiquei mais animada o resto do dia. À noite, conhecemos 3 portugueses que também estão a fazer Erasmus e são do nosso curso. Como já estão aqui há mais tempo, e como moram perto de nós prometeram ajudar. Ficamos bem mais tranquilos, sentimos que temos alguém para nos guiar.
E o meu sábado foi assim, cheio de emoções.

O domingo já foi melhor. Passeamos o dia todo. Ocupamos sempre a cabeça. Fomos ao shopping, fomos ver tarifários espanhóis para ligar para Portugal. E a noite, voltamos a ir ao café para falarmos com a nossa família e os nossos amigos.
Estou ansiosa por amanhã amiguinhos. Finalmente vou conhecer a universidade.

Amanhã dou notícias,

Beijinhos para todos

14 de fevereiro de 2015

Diário da Cooperante #2

Perdida em Valência
               

               

O primeiro dia começou logo cedinho. Tínhamos um plano traçado. De manhã íamos comprar as coisas básicas para a nossa casa, à tarde íamos à universidade e, no final, tratar do passe de metro.
                A nossa manhã foi animada. Começamos por ir a um café perto de casa tomar o pequeno-almoço. Claro que o café tinha de ter internet…Todos tínhamos de ligar para casa para relatar como foi a primeira noite na nossa casa “nova”. (Todos vocês devem ter reparado que escrevi no plural, sim, eu não vim sozinha nesta aventura… Somos 4, duas raparigas e dois rapazes.)
                Depois de falarmos um bocadinho para Portugal fomos para rua, todos entusiasmados, fazer perguntas às pessoas. Nós queríamos saber qual era o supermercado mais barato, qual era a zona onde os estudantes estão alojados, qual é o melhor sítio para passear…
                Já com as compras feitas decidimos pôr pés ao caminho e ir procurar a universidade. A nossa senhoria tinha dito que ficava no centro, então a primeira coisa que fizemos foi perguntar como íamos para o centro. Estávamos todos ansiosos por conhecer a universidade e por ver um pouco da cidade. Uma das coisas que me surpreendeu bastante foi o facto de as pessoas serem muito simpáticas. A cada passo que dava via uma coisa diferente do que estava habituada. Por exemplo, as rotundas aqui são GIGANTES, imaginem, elas são tão grandes que até têm semáforos. Eu só pensava “ainda bem que não tenho de conduzir aqui”. Outra coisa que me deixou boquiaberta foi ver que as pessoas que estacionam em segunda fila deixam os carros destravados, sabem para quê? Para as pessoas que precisarem de sair empurrarem os carros e assim já conseguem sair. A primeira vez que vi isto acontecer fiquei mesmo espantada. E as pessoas aqui? São tão diferentes umas das outras. Cada uma com o seu estilo, cada uma com seu corte de cabelo diferente. Os jovens, sobretudo, pintam muito o cabelo com cores invulgares, azul, rosa, roxo, entre outros.
                Mas o encanto de conhecer a cidade começou a apagar-se. Descobrimos que andávamos perdidos há duas horas. Tinham-nos dado informações totalmente erradas. Nós queríamos ir para centro e estávamos a ir para o lado contrário. Quando nos apercebemos da distância que já tínhamos percorrido, desistimos e fomos apanhar o metro. E mais uma vez, perdemo-nos, pois saímos na paragem errada. Mas, pouco depois demos com o centro. Quando chegamos ao centro ficamos mais animados e começamos a procurar a universidade. Voltamos a perguntar às pessoas, mas ninguém sabia onde era o polo de Desporto. Comecei a achar tudo muito estranho, ninguém, mas mesmo ninguém sabia da universidade? Como era possível? Uma universidade não passa despercebida…
                Já fartos de andar às voltas, seguimos apenas o mapa. Lá constava 3 polos no centro, e como é óbvio, fomos ao mais perto, e adotamos o sistema tentativa erro.
                Nem queiram saber o que nos aconteceu… Não era nenhum desses polos! Ninguém sabia da universidade de Desporto! Foi inacreditável! Só me apetecia chorar e desistir de tudo. Era suposto a nossa casa ser perto, era suposto ser no centro, era suposto os outros polos saberem a localização. Mas não. Ficamos totalmente confusos e perdidos. Desanimamos completamente. Estávamos exaustos e fartos de andar às voltas. Desistimos… Em seguida fomos a correr para um café com internet para tentarmos perceber o que se estava a passar. Quando conseguimos falar com uns rapazes que já tinham estudado cá, ficamos sem chão, totalmente desnorteados. A universidade fica do outro lado da cidade… Nós moramos no Norte e a universidade fica para Sul. Eu só pensava: e agora? Não podemos mudar de casa, já gastamos tanto dinheiro este mês nela! Vamos perder a fiança! Estamos feitos! O que vamos fazer?
                Depois disto só me apetecia enfiar no quarto e chorar até não poder mais. Mas nem todas as notícias foram más. A senhora do café disse-nos que de metro chegávamos lá rápido, e explicou-nos os metros, (sim os metros porque temos de trocar) que tínhamos de apanhar até lá chegar.
                Fiquei mais descansada mas mesmo assim sentia-me “apagada”.
                Animei um bocadinho quando falei com a minha mãe e com os meus amigos. Senti-me mais confiante e perto deles. Graças aos meus amigos consegui acalmar-me. Eles incentivaram-me… Eles são o meu apoio… Claro que chorei muito mas senti-me melhor.
                Por hoje foram as minhas aventuras, espero durante o fim-de-semana ter coisas mais animadas para vos contar.

Beijinhos grandes cooperantes,


P.S Não se preocupem, isto há-de melhorar J

12 de fevereiro de 2015

Diário da Cooperante #1






Olá amiguinhos cooperantes (: 

Escrevo este primeiro texto com um misto de emoções. Estou super entusiasmada por começar uma nova etapa na minha vida. O facto de ir conhecer uma cidade nova, pessoas novas com costumes diferentes deixa-me fascinada. Estou ansiosa por saber como será a universidade e os meus colegas. Será que vou gostar? Será que é como imagino? Tenho a minha cabeça a mil… E a casa? Será que está bem situada? Será uma zona calma? Será que vou sentir que pertenço lá? 
Pois… Como devem calcular estou muito nervosa. Mas eu acho que esta experiência vai ser única e vai ajudar-me a crescer imenso. Estou confiante que o Erasmus me abrirá muitas portas no futuro, quer a nível pessoal quer a nível profissional. Sinto-me muito feliz por ter esta oportunidade e por os meus pais fazerem um sacrifício por me proporcionarem algo que nunca vivenciaram. 
Mas nem tudo é tão lindo como parece. Sei que vou sentir muitas saudades de casa, das minhas coisas… Dos meus pais, do meu irmão chatinho, dos meus amigos. Como é que eu vou passar os sábados e os domingos sem o coro de Guadalupe??? Como é que eu vou conseguir estar longe da minha associação e dos seus membros?? E agora quando eu precisar de ajuda, de carinho? Já não posso chamar a minha mamy. 
 Apesar disto sei que posso contar sempre com os meus amigos e com a minha família. Pois sei que eles estarão sempre prontos para me “socorrerem”. Nem que seja a aturarem-me pelo skype (: 
Sei que este esforço de estar longe me vai ser retribuído com coisas boas. Vou sentir saudades de Braga, mas vou-me concentrar em conhecer bem Valência, uma cidade rica em história e monumentos, que me deixará cheias de ideias sobre o que ainda é possível fazer por Braga. Estou prestes a descolar mas levo-vos no meu coração. 

 Beijinhos enormes

3 de fevereiro de 2015

Crónica Juventude "Um Olhar Convertido"

"Correio do Minho" 03/02/2015


Um olhar convertido

Certamente já ouviu falar da Casa das Convertidas ou do Recolhimento de Santa Maria Madalena. Da nossa parte, este Imóvel de Interesse Público, já foi várias vezes alvo de notícias, infelizmente, nem sempre pelos melhores motivos. No entanto, hoje, a reflexão que desejamos fazer leva-nos a escrever sobre as Convertidas sobre um excelente motivo.

A Casa das Convertidas é um importante marco da Avenida Central desde 1720, e apesar de ter as suas portas abertas desde 1722 até à década de 90, muitos eram aqueles que por lá passavam e nem se apercebiam deste edifício, que tanto enriquece uma das mais famosas avenidas bracarenses. Utilizamos o pretérito imperfeito, pois quem passa hoje pelo Recolhimento dificilmente não repara na sua fachada, agora repleta de andaimes. Esses andaimes são, para nós, o cumprimento de promessas desde há muito feitas; são a prova física de que já são muitos aqueles que se preocupam com as Convertidas e o seu valor histórico. As obras que ocorrem nas Convertidas podem não ser o seu restauro completo com um destino final concreto para o edifício, mas são obras de prevenção, tentando evitar, desta forma, que o edifício se continue a degradar.

Quem visitou este Recolhimento nos últimos anos, notou um elevado estado de degradação do mesmo. Se há uns anos, nas primeiras visitas realizadas pela JovemCoop, era possível visitar o primeiro e o segundo piso, piso onde se encontram as celas/ quartos e o acesso ao coro alto da Capela, neste último ano o acesso ao segundo piso já não era permitido devido à enorme fragilidade do soalho. Os sinais de degradação eram notórios e muito devido ao mau estado do telhado que não protegia o edifício das águas pluviais. Essa acelerada degradação era também visível na capela, um belíssimo espaço da arte barroca, com um altar em talha dourada e tetos superiormente pintados.

Numa tentativa de travar o acelerado estado de degradação, estas pequenas obras de intervenção têm como principal objetivo preservar a estrutura do edifício, o que para nós já é sinal de algum avanço. Esta intervenção é, no nosso modo de ver, sinal de que muitas consciências já despertaram para o valor único deste imóvel e para a urgente necessidade de o preservar e de lhe dar vida.

Contudo, apesar deste passo em direcção à preservação, engana-se quem pensa que com esta pequena intervenção as Convertidas podem manter-se desertas por mais uns anos. É urgente a decisão de um melhor futuro para o Recolhimento de Santa Maria Madalena. Na ótica da JovemCoop, uma casa que desde 1722 viveu repleta de pessoas, inicialmente com mulheres que se queriam (re)converter e mais tarde como os utentes do lar que lá funcionou, hoje não pode ficar sem vida. Ver este Recolhimento ganhar vida é um dos grandes desejos da JovemCoop. É que, na verdade, faltar designar um programa para o interior da Casa. Se o edifício, após as intervenções no telhado e na fachada, ficar mais algumas décadas fechado, voltará a entrar numa espiral de degradação, não dignificando a sua função, nem o investimento agora efetuado. Pode a CMB assegurar, mediante protocolo ou comodato, a utilização da Casa das Convertidas, ou será uma espécie de presente envenenado para os cofres municipais? E sendo o Ministério da Administração Interna o proprietário, não deveria assegurar o futuro funcional deste monumento?

Quem sabe a Casa das Convertidas seja alvo de um projeto para o Orçamento Participativo de 2016, por exemplo, transformando-se numa Casa da Cultura, numa Pousada da Juventude, num Museu, num Centro de Artes ou num casa dedicada ao apoio à Família, etc. 

Estes são apenas alguns exemplos de um futuro promissor, que esperamos ser o da Casa das Convertidas. Até lá, manteremos o nosso estado de alerta para a preservação do Nosso Património, o património que é a imagem de um marco histórico, identidade de todos os bracarenses. Por isso, cabe-lhe também a si, caro leitor, estar atendo e salvaguardar o que é de todos.