30 de junho de 2015

O Nosso Património #2

    


   Hoje, dia 30 de junho, reuni-mo-nos mais uma vez às 9:30h para mais um dia n’”O nosso Património”.
     Para iniciarmos o nosso dia, recebemos novos participantes que se juntaram a nós nesta jornada. De seguida, fomos divididos em grupos para uma melhor organização, onde todos os integrantes do mesmo, terão de colaborar na realização das várias propostas que nos serão feitas ao longo das nossas visitas a diversos monumentos, até ao final desta iniciativa. Depois dos grupos já estarem formados tivemos a agradável surpresa de ouvir o Presidente da Junta, Ricardo Silva, que nos incentivou a participar noutras atividades realizadas pela JovemCoop. Ouvidas as suas palavras saímos e dirigi-mo-nos ao nosso primeiro destino: a igreja de São Vítor.
     Quando lá chegamos, ouvimos uma breve história sobre o jovem Vítor, atualmente conhecido como São Vítor, também representada nos belos azulejos que revestem as paredes da igreja. Após esta pequena contextualização, reuni-mo-nos com os nossos respetivos grupos para realizarmos duas fichas acerca da parte móvel e imóvel da Igreja de S. Victor.
     Consideramos a igreja, sem dúvida, uma das mais únicas e bonitas de Braga, devido aos seus esbeltos altares, ao seu significado e à sua história.
     Terminada a visita, voltámos à Junta onde demos por encerrado o 2º dia no património.
     Apreciamos muito esta viagem e achamos que foi bastante interessante e divertida. Esperamos que se repitam mais dias como este!


Kika e Praça  

O Nosso Património #1



Olá!
Hoje foi o primeiro dia da XI edição da atividade "O nosso Património".
Este dia é sempre diferente todos os anos já que ficamos a conhecer novos participantes e monitores.
Após uma breve apresentação dos monitores, onde a monitora Gui falou sobre o objetivo da atividade e sobre a JovemCoop,fomos para a avenida central.
Lá fizemos vários jogos dinâmicos. No primeiro jogo cada um dos participantes escrevia no mínimo três perguntas como intuito de serem respondidas por outro participante/monitor.
De seguida fizemos um jogo de confiança e o jogo do Nó. No último, tínhamos que formar um círculo e decorar quem está no nosso lado direito e esquerdo e de seguida baralha-mo-nos e demos novamente as mãos aos que tinham estado ao nosso lado.
Assim, num espírito de equipa e entreajuda tínhamos que voltar ao círculo inicial.
No final regressamos à Junta de Freguesia de S.Vitor onde realizamos outro jogo como objetivo de nos ajudar a memorizar os nomes dos participantes .
Gosto sempre destas manhãs porque é sempre produtivo para o convívio e para incentivar a comunicação entre os novos e os antigos participantes.
Concluindo, esta manhã foi mais uma para relembrar de muitas que já fazem parte da minha memória dos últimos quatro anos de participação.

Beijinhos a todos e até amanhã. 

Joana Oliveira

Não percam o próximo episódio porque nós também não :)

Olá :)
Chamo-me André, tenho 12 e hoje foi o meu primeiro dia na atividade "O Nosso Património" organizada pela JovemCoop.
Neste primeiro dia encontra-mo-nos todos no auditório, onde os monitores se apresentaram, e falaram da JovemCoop. De seguida, fomos para os jardins da avenida central. O monitor Belo explicou-nos o primeiro jogo, que consistia em atirar uma bola de uns para os outros, quando recebíamos a bola tínhamos de falar sobre nós durante 20 segundos sem parar, eu disse o meu nome, a minha idade, a minha escola e a minha comida favorita. Quando terminamos o primeiro jogo, deram-nos uma folha em que tínhamos de escrever três questões, para o nosso colega do lado responder, mas os monitores misturaram as perguntas todas e afinal cada um respondia às questões que lhe saíssem. O último jogo era o jogo do "NÓ". Neste jogo aprendemos a trabalhar em equipa, pois só com a ajuda de todos foi possível desfazer o nó.

Chegou assim ao fim um grande dia na companhia dos meus colegas.

André Soares

23 de junho de 2015

Crónica JovemCoop - O São João dos bracarenses



O São João dos Bracarenses

Em época de santos populares, o São João é aquele que mais se vive em Braga. As ruas estão repletas de decorações alusivas ao Santo e as típicas bancas de manjericos e farturas também já enchem a avenida. Com a cidade “vestida” a rigor, dão-se início às festas que se celebram durante mais de uma semana.
A programação é bastante ampla podendo, assim, agradar a um maior número de pessoas que por lá passam. Desde os mais variados concursos, dos quais destacamos o concurso de cascatas sanjoaninas, onde a JovemCoop teve a honra de participar como representante da União de Freguesias de S. Lázaro e S. João do Souto e que pelo segundo ano consecutivo se destacou com o honroso segundo lugar, até às abundantes exposições que enchem as salas dos museus de Braga. Certo é que este ano ninguém tem desculpa para ficar fora da festa mais popular da cidade.
Tal como a JovemCoop, muitas são as associações que decidiram cooperar com a Associação de Festas de S. João, de modo a abrilhantar as festividades históricas da cidade. Prova disso, foi o Cortejo Histórico que contou com a presença de várias associações e grupos culturais da cidade. Composto por vários quadros, como o candeleiro, a dança das pelas, a serpe ou o Rei da Mourisca, o cortejo histórico (ou do porco preto) saiu às ruas na passada sexta feira pelo segundo ano consecutivo e retrata as mais antigas tradições das festas de São João. À JovemCoop coube interpretar o quadro do Rei e Imperador, que durante do século XVI foi um dos quadros principais das festas. Apesar da escassa informação sobre este quadro, sabe-se que era caracterizado por ter uma dança que acompanhava o Rei e o Imperador, ainda que se desconheça o figurino da mesma. Os elementos deste quadro deveriam ir com trajes à época e de rigor cronológico. Apesar da falta de informação, tentamos sempre aproximar as recriações o máximo possível da realidade das antigas festas de S. João.
Um outro momento de originalidade das festas de S. João que importa referir, é o cortejo das rusgas, que se realiza esta noite. Passando pela Rua do Souto e percorrendo toda a Avenida da Liberdade, este é um dos momentos mais vividos pelos bracarenses e, por esse motivo, convidamo-lo a si, caro leitor, a passar pela rua e ver o cortejo. Damos particular atenção para a Rusga de Guadalupe, por ser uma rusga moderna, composta por jovens que pretendem dar continuidade às tradições, não permitindo assim o desaparecimento das rusgas espontâneas que se juntavam nos arredores da cidade e partiam para as festas de São João.
Mas não só de tradições se vive o São João. Este ano realizou-se, pela primeira vez, a Gala Sanjoanina “E Repenica…”, onde se homenagearam as mais importantes entidades da história das festas de S. João, ao som das tradicionais músicas que nos invadem durante as festividades ao Santo. A JovemCoop teve a oportunidade de ver a gala, uma vez que fomos receber o prémio das cascatas sanjoaninas e, em nosso entendimento, foi um momento magnífico onde a história e a tradição se uniu à música, e onde os grupos musicais da cidade se juntaram para interpretarem temas históricos como o hino da cidade, o hino de S. João, entre muitos outros. Por esse motivo deixamos aqui o nosso aplauso a todos os participantes na gala, sobretudo pela capacidade de aproximarem a população das tradições e por mostrarem que as tradições não têm que ser parolas nem saloias.
Com uma oferta cultural tão abundante, e sendo amanhã o dia do “nosso” santo popular, só o podemos convidar a sair de casa e a juntar-se às comemorações, porque, felizmente, cada vez mais o S. João não é só de Braga, mas é de todos os que o queiram viver.

13 de junho de 2015

XI Edição "O Nosso Património" - Inscrições Abertas


É já na próxima 2ª feira, 15 de Junho que abrem as inscrições para a XI Edição de "O Nosso Património", que irá decorrer de 29 de Junho a 24 de Julho nas instalações da Junta de Freguesia de São Victor.
  
"O Nosso Património", é uma atividade direcionada para o público jovem, com idades compreendidas entre os 12 e os 18, e que visa uma aprendizagem divertida sobre a História e Monumentos dos locais a visitar, bem como ajudar a criar consciências e a promover uma sensibilização ativa na proteção das nossas heranças culturais. 

Ao longo de parte do mês de Junho e do mês de Julho, os jovens participantes serão desafiados a conhecer a História de Braga, em geral, e da freguesia de S.Victor em particular. 

Durante quase 4 semanas, os participantes percorrerão as ruas em busca de monumentos, sítios de interesse e pessoas com relatos orais que interessem ser registados. Os jovens que participarem nesta atividade andarão munidos de uma mala com instrumentos de registo, com o objectivo de fotografar, desenhar e escrever as principais caraterísticas de um edifício histórico ou de um objecto patrimonial. Para tal usarão bússolas, máquinas fotográficas, fitas métricas, gravadores, entre outros equipamentos. 

O objetivo deste trabalho, além da latente consciencialização dos participantes, é compilar informação que possa ser utilizada como avaliação de um edifício de interesse patrimonial, que funcione na sua classificação ou que nos permita perceber, ao longos dos tempos se um determinado sítio apresenta danos e sinais de abandono ou obras de conservação e restauro. 

"O Nosso Património" – XI Edição, é uma atividade realizada pela JovemCoop e pela Junta de Freguesia de S.Victor, permitindo-nos cumprir o nosso objectivo de alargar a nossa área de intervenção e conhecimento, quer na parte patrimonial, mas também na área das políticas não formais para a Juventude de Braga.

As inscrições poderão ser feitas na Junta de Freguesia de São Victor, ou através do nosso email info@jovemcoop.com.
 

1 de junho de 2015

Respira com a JovemCoop




Ontem a JovemCoop abriu as portas de Braga para cooperar com a Associação Respira. Respira com a JovemCoop foi uma atividade direcionada a todos os fumadores e não fumadores para alertar para os riscos do tabagismo, que podem levar a uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC). O desafio era colocar uma mola nasal e respirar apenas pelo tubo de uma palhinha, enquanto subiam os escadórios do Bom Jesus. A experiência  sentida, era semelhante à de quem vive com DPOC nível 3 ou 4. E o resultado foi chocante para todos, que não conseguiram subir muito além de alguns degraus. Com a missão de alertar os nossos jovens para os riscos que podem correr deixamos a mensagem do Vice Presidente a Associação Respira José Duarte Albino:

É mais fácil nunca fumar, do que mais tarde deixar de ser fumador!

Respire com a JovemCoop e faça esta experiência em casa: com uma mola nasal e a respirar por uma palhinha, tente realizar tarefas do quotidiano.

27 de maio de 2015

Dia Mundial Sem Tabaco - Associações JOVEMCOOP e RESPIRA desafiam população a subir Escadório do Bom Jesus



31 de Maio - Dia Mundial Sem Tabaco

Associações JOVEMCOOP e RESPIRA alertam para as consequências do tabaco e desafiam população a subir Escadório do Bom Jesus de Braga

“Já pensou o que sente uma pessoa com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) quando tenta respirar?” é o desafio que a  Associação RESPIRA e JOVEMCOOP lançam à população, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

No Dia Mundial Sem Tabaco, a Associação Respira e a JovemCoop mostram como se sente uma pessoa com DPOC quando tenta respirar e desafia a população a subir o Escadório do Bom Jesus, com uma mola nasal e respirando por uma palhinha. A iniciativa visa alertar para as consequências do consumo de tabaco, pois a grande maioria dos casos de DPOC são de pessoas que fumaram. 

·         80% dos casos da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) são consequência do tabagismo;

·         As pessoas com DPOC têm muita dificuldade ou podem não conseguir desempenhar tarefas diárias banais como, por exemplo, fazer a higiene diária, realizar tarefas domésticas, subir escadas ou conduzir;

·         A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) afecta 44 milhões de pessoas na Europa e estima-se que seja a 3ª causa de morte em 2030.

    A acção de sensibilização decorre no dia 31 de Maio (Domingo), às 10h, com ponto de encontro no Pórtico de acesso aos escadórios!
    A participação é gratuita.

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa12




Penúltimo dia
Via da Prata - dia décimo primeiro A Xunqueira - Lalin
O dia amanheceu cinzento, muitas nuvens a ameaçar chuva. 
Despedimo-nos deste Pueblo com o vento frio no rosto, a descer rapidamente e a contar com cerca de 90 km pela frente.
Demorámos uma hora e meia até Ourense. Havia que encontrar um oficina de bicicletas para reparar a do João, pois esta deixara de travar à frente havia já dois dias. 
Na primeira tentativa não tivemos sorte, pouca disponibilidade para ajudar e ganhar dinheiro. Continuámos a procurar e encontrámos uma excelente oficina onde a bicicleta se recompôs. 
Saímos de Ourense pela imponente ponte romana, que permite passar o rio Minho para a margem Norte, que nos presenteia de imediato com uma subida de primeira categoria. 
Percorrendo o caminho real, chegámos à ermita de São Marcos, de onde se tem uma panorâmica de toda a cidade de Ourense.
Sempre a subir, vamos ouvindo a bicicleta do Eduardo a queixar-se, o céu a abrir e o calor a começar a apertar. 
Passámos por entre quintas e bosques, com belíssimos trilhos para passear. 
O Eduardo tinha-se adiantado e esperava-nos com uma saca de cerejas que um agricultor havia apanhado da árvore e oferecido momentos antes. Que saborosas e que bem souberam. 
Já a tarde iniciara e com cerca de metade da etapa cumprida, o ruído da bicicleta do Eduardo ia aumentando! 
A determinada altura percebemos que algo tinha mesmo corrido mal. Uma avaria na roda de trás impedia que os pedais parassem, ou seja, para poder andar os pedais não podiam parar. O "cepo", assim se chama a peça avariada partira. 
Ainda faltavam mais de 40km de etapa num caminho de montanha e a oficina de bicicletas mais próxima estava a 30km. 
Com muita pena tivemos que prescindir de seguir o caminho por Oseira, optando pela estrada até Lalin.
Foram 30 km muito penosos, tendo subido até aos 800 metros com bicicletas pouco amigas do alcatrão. O caminho colocava-nos, mais uma vez, à prova.
A primeira oficina que encontrámos fazia lembrar as dos antigos garagistas, onde tudo fizeram para reparar a avaria, mas era necessária uma peça nova, que não tinham. 
Na segunda, uma loja mais moderna, também tudo fizeram para a reparar e conseguiram, mas somente entregaram a Bike pronta para lá das 20:30!
Decidimos dormir em Lalin, a 50 km de Santiago!

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa11



Via da Prata - dia décimo Vilavella - Xunqueira

Este foi dos dias mais duros fisicamente.
Em A Gudigna ficamos a saber que, devido às obras do TGV, o caminho sofria um desvio! 
E que desvio, com descidas e subidas brutais, de grande dificuldade e incerteza. As deficientes marcações provocaram erros que nos custaram alguns km a mais!
Com o objectivo de chegar a Laza até ao almoço, animámos a pedalada, contentes por faltar pouco e por estarmos com um dia de sol limpo e temperatura a gosto!
Encontrámos alguns peregrinos pelo caminho, a faixa etária continua alta e curiosamente, a maioria são franceses. Excepcionalmente, a meio de um trilho de montanha, um australiano provava a excepção, só, a pé, na via da prata a caminho de Santiago!
Pelas 5h da tarde, numa aldeia de montanha, encontrámos um bar com uma decoração curiosa. As paredes estão repletas de vieiras com os nomes dos peregrinos que por lá passaram desde 2004! Os nossos nomes também lá ficaram.
Depois de um dia muito cansativo, compensado com momentos de BTT irrepreensível, chegámos à bonita localidade A Xunqueira.

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa10



Via da Prata - dia nono
Rionegro del Puente - Vilavella
Sim, de facto, já estamos a pedalar há uma semana! M****!!! 
Acordei, ouvi o telefone cair ao chão... tinha adormecido. 
Haveria de querer dizer alguma coisa, não o recordo.
O jantar do dia anterior foi muito bom, a noite de sono foi para todos tranquila, embalada pelos "chupitos" oferecidos pelo chefe. 

Mais uma vez a manhã estava fria. Iniciámos viagem por terrenos baldios a acompanhar a estrada nacional e a autoestrada que liga a Madrid. Uma hora depois estávamos na localidade onde deveríamos ter terminado ontem! Encontramos o "bar central" e o cabo das mudanças que nos haviam deixado no dia anterior. 
Fazendo-nos mecânicos, mudamos o cabo da Bike do João e seguimos viagem. 
Sempre em zona agrícola, de aldeia em aldeia, ou melhor dizendo, de igreja em igreja, percorremos os 40 km até Puebla Sanabria, onde almoçámos. 
Puebla Sanabria é uma cidade histórica, tipicamente de montanha, muito bonita!
A partir daqui o caminho mudou. As subidas e descidas aumentaram a frequência, sublinhando gradualmente o nível de altitude, muitas vezes acima dos mil metros, com picos de subida de um grau de dificuldade muito alto, surgindo zonas em que pedalar era impossível! 
A espaços, o esforço era compensado com descidas fantásticas, de puro divertimento. 
Às 6 da tarde estávamos em Lubian, onde os dois albergues possíveis estavam cheios. Decidimos continuar até Vilavella. 
Quando chegámos a Vilavella ficámos a saber que o albergue havia encerrado três anos antes. Seguir viagem não era opção, pelo que um hostal foi a solução!


Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa9




Via da Prata - dia oitavo Granja de Moreruela - Rionegro del Puente
O pueblo, ou melhor, a aldeia onde pernoitámos, é uma povoação agrícola, onde pudemos encontrar um mini mercado, um centro recreativo, que serve para isso mesmo, para sala de espectáculos, bar e restaurante. 
O albergue era agradável e estava cheio, na sua maioria de peregrinos franceses. Por falar em peregrinos, não temos encontrado muitos, mas aqueles com que cruzámos são, maioritariamente, de uma faixa etária alta, sempre acima dos 60 anos. 
Parece-me que a idade da reforma também proporciona aos europeus a concretização de projectos que antes não eram possíveis. 
Recordo que na povoação de Aldeia Del Cano encontrámos uma peregrina Norueguesa, com 71 anos, a fazer a Via da Prata, que pretende acabar o caminho em final de Junho! Ou seja, também para esta aventura é preciso tempo, tempo este que não escasseará quando idade da reforma chegar.
A saída foi demorada, entre o acordar, às 06:30, acompanhado por todos os outros peregrinos, e dar as primeiras pedaladas, passou uma hora e meia! 
O tempo estava limpo mas frio.  
Fomos pedalando ao sabor da natureza, acompanhando a sua diversidade e beleza. 
O rio Tera, serpenteando entre o relevo agreste desta região é disso exemplo, encrostado entre o rochedo da região, obrigou-nos a trilhar a sua margem com as bicicletas à mão e, por vezes, às costas!
Os sinais de desarranjos matutinos agravaram-se no companheiro Flávio! Foi nesta altura que ele foi ficando para trás, até decidir seguir por estrada até ao destino do dia e aguardar pelos restantes. 
Os restantes são três, eu, o João e o Eduardo, que seguimos adiante"flechas amarillas" a caminho de Santiago.
O "camino es lo camino", e vamos até onde ele nos deixa. A par da doença súbita do Flávio, a Bike do João teve uma avaria que o obrigará a um esforço redobrado até a podermos resolver!
Quando chegarmos a Rionegro del Puente, recebemos a noticia que o companheiro doente não pode continuar! As melhoras e que tudo corra bem!

Todas estas peripécias nos levam a terminar a etapa neste pueblo no meio do nada, mas que ficará na nossa memória para muito tempo. 
O Albergue é um edifício antigo, recuperado, bonito, funcional e confortável! 
Ao lado, descobrimos um restaurante disfarçado de associação gastronómica, cujo chefe, fardado a rigor, traz para o caminho um toque de requinte, bom gosto e prazer em servir quem os visita, difícil de igualar!!


Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa8


Via da Prata - dia sétimo Salamanca - Granja de Moreruela
A etapas anteriores, Aldeia Del Cano - Galisteo, Galisteo - Calzada de Bejar e Calzada de Bejar - Salamanca, foram fisicamente muito exigentes, de tal forma que não me foi possível, ao final do dia, escrevinhar as impressões que retive do caminho. 
Destas, recordo o termos encontrado um peregrino a CAVALO, que tinha saído do País Basco 41 dias antes e seguia a Via da Prata montado no seu cavalo a que chamava Romeo!!
Recuperado o fôlego, retomo assim as minhas notas sobre esta experiência, que não são mais que isso, aquilo que os sentidos me vão permitindo reter.
A chegada a Salamanca impressiona! 
Vindos de Sul, descemos para o nível do rio e deparámo-nos com uma colina de edifícios antigos, em pedra limpa, fazendo lembrar "aquele tom pardacento" que o Rui Veloso canta!
Entra-se pela ponte Romana sobre o rio Tormes! Uma fotografia de Postal. 
Demorámos um pouco na ponte e logo um grupo de turistas seniores quis saber de onde éramos e que fazíamos. 
Conversando sobre o que fazer a seguir, alguém passou e "Boa tarde para os Portugueses". 
Gostei muito desta cidade que não conhecia, o fim da tarde mostra que os espanhóis continuam a sair de casa, a encher as esplanadas, convivendo num tom alto, saboreando uma cerveja e debicando umas tapas. 
As praças centrais e os jardins, estão repletos de gente, dando vida e alegria a estas centenárias ruas.
A caminho do albergue encontrámos uma tuna a cantar uma serenata. Não conseguimos perceber quem era o pretendente e a pretendida!
O dia voltou a amanhecer frio. Percorremos os 60 km até Zamora até pouco depois do meio dia. Foi nesta bonita cidade que atravessamos o Douro! 
Também uma cidade com um centro histórico muito bem cuidado. 
Como havia sido planeado, é aqui que o número de peregrinos fica reduzido a quatro. 
O companheiro Carlos, por motivos profissionais, regressa casa prometendo voltar a este ponto para terminar este "item plata".
Durante a tarde foram umas horas a pedalar por trilhos de planícies a perder de vista, para completar esta etapa de 116km.

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa4



Via da Prata - dia terceiro Zafra - Aldeia Del Cano
O albergue onde pernoitámos, em Zafra, tinha o António como hospitaleiro. Muito simpático, conhecedor dos caminhos de Santiago. Dormimos num edifício relativamente antigo, com várias memórias plasmadas nas paredes das salas, como marca indelével da passagem dos muitos peregrinos no caminho.
O despertar foi madrugador, ainda o sol não havia nascido. Esperávamos uma etapa longa e as previsões meteorológicas apontavam para o calor.
Saímos a Zafra a subir em trilho fácil, seguido de uma descida com 17% de inclinação. Percorremos vários km até Villa França de Barros, onde o reforço do pequeno almoço, servido no Albergue, foi necessário e bem vindo.
Seguimos viagem até Mérida, um trilho muito bonito, coincidente com a via romana que teima em nos acompanhar, proporcionando-nos momentos fantásticos em bicicleta. 
Entrámos em Mérida junto ao rio, que nos conduziu até à ponte romana e nos abriu as portas da cidade.
Pelo que sabemos, Mérida tem muito para ver. Infelizmente não pudemos alongar a nossa passagem por tempo suficiente para a apreciarmos.
Na hora do almoço o grupo dividiu-se, uns partiram à frente e os restantes três uma hora mais tarde. A temperatura era sufocante, estavam 43.o e o objectivo era chegar a Alcuestar ou mais à frente. 
Saímos desta cidade por estrada até alcançarmos um lago criado por uma represa a que chamam de Proserpina. 
Atingimos um ponto elevado, e já no meio do monte, seguimos secos e com a temperatura elevada por trilhos de pó, terra dura e alguns tufos de ervas.
Trilhámos km infindáveis, onde as oliveiras se confundiam com os sobreiros, indiciando já uma mudança na flora que mais à frente se tornou evidente!
A necessidade de parar era cada vez mais frequente, o GPS do Carlos marcava 44.o. 
Em Alcuestar descansámos meia hora, para beber e retemperar forças. E foi este momento que nos ajudou a percorrer, com prazer, os últimos km até à Aldeia Del Cano, onde concluímos os 120km de hoje.

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa3



Via da Prata - dia segundo Almaden de la Plata - Zafra
A noite foi descansada. 
As janelas e portas do Albergue, abertas, ajudaram a amenizar o calor.
Despertámos às 6:30h, a maioria dos peregrinos já estavam de saída.
O dia estava limpo, o céu azul, o pequeno almoço revigorou os ciclistas e "bon camino". Saímos da povoação junto à praça de touros local!
Em Espanha a emigração também se nota. Deixamos a povoação com um conjunto de painéis solares à esquerda e de encontro à primeira de muitas cancelas que iremos encontrar pelo caminho.
Atravessámos várias quintas, onde essencialmente se vêem oliveiras e explorações com criação de porco preto, aqui conhecidos por ibéricos.
Rapidamente entrámos em El Real de la Jara, ultima povoação da Andaluzia! Entrámos nesta povoação dominada pelo castelo medieval.
Depois de um reabastecimento de água, seguimos viagem por entre oliveiras e vastas pastagens de tonalidades amarelas, verdes e castanhas.
Almoço em Monasterio, após uma penosa subida!  
Sempre com alguns amigos do alheio por perto, acabamos por seguir viagem até Zafra,
Já com temperaturas à volta dos 40.o, percorremos km atrás de km por zonas rurais, com planícies a perder de vista cobertas por um manto de cor amarelada do feno. 
Foi debaixo de um calor brutal que entrámos na cidade de Zafra, onde terminou a etapa de hoje!

26 de maio de 2015

Crónica JovemCoop - Braga Mais Romana, Braga Mais Ativa

"Correio do Minho" 26/05/2015

Braga mais Romana, Braga mais Ativa

Nestes últimos dias o centro histórico de Braga (re)viveu as suas origens. Homenageando a fundação de Bracara Augusta, a Braga Romana realizou este ano a sua XII edição, que decorreu de 20 a 24 de maio.

 Se a XI edição se fez notar pelo mau tempo e pelos inúmeros percalços que este causou, a XII edição brilhou tal como o sol que se mostrou durante todos os dias da feira. A verdade é que a Braga Romana 2014 introduziu muitas novidades, não só de forma a melhorar a qualidade do evento, mas também numa tentativa de torna-lo cada vez mais próximo da verdadeira e única Bracara Augusta.

Desde as alterações ao espaço do mercado, até a uma maior aposta nas recriações históricas, passando pela inclusão dos espaços museológicos o programa da iniciativa, muitas foram as alterações realizadas ao evento que comemora as origens da atual cidade de Braga. A prova de que todas estas alterações foram uma notória melhoria no evento, e que agradaram à maioria dos Bracaraugustanos, foi a grande adesão que se fez notar nesta edição da Braga Romana. Desde quarta feira até domingo existiu sempre uma grande afluência ao mercado romano, o que nos faz pensar que a procura mais reduzida no ano anterior se deveu principalmente ao mau tempo e ao frio que se fez sentir nos dias da Braga Romana e não às novas alterações que foram notoriamente bem recebidas. 

Desde a I edição, a Braga Romana tem vindo a crescer e a melhorar a sua recriação histórica. É de louvar o trabalho que vem sendo feito ao longo destas doze edições, que faz deste evento, cada vez mais, um momento turístico muito forte da cidade. Foram muitos os turistas que passaram pela Domus Romana, onde a JovemCoop se fez representar e, numa partilha de experiências, informaram-nos que já não era a primeira edição que visitavam, e que contavam voltar nos próximos anos. Desde modo, percebemos que a Braga Romana deve ser pensada não só para o bracarenses mas também para os turistas.

Por esse motivo, sugerimos que numa próxima edição se marquem as portas do mercado romano e que, em cada uma delas, haja uma tenda da organização, podendo assim acolher todos os visitantes da Braga Romana, pois foram muitos os que nos pediram informações e programas, julgando que, devido à nossa localização e caráter distinto na decoração, pertencíamos à organização. Igualmente importante é a criação de pontos de descanso, para que o evento se torne acessível a todos, pois o espaço do mercado é muito alargado, o que faz com que seja difícil para algumas pessoas percorre-lo todo sem ter onde descansar, sobretudo a população senior.

No entanto, a XII edição de Braga Romana teve uma forte melhoria no que diz respeito ao envolvimento dos bracarenses no evento. De um modo geral, todos tiveram oportunidade de fazer parte da recriação histórica de Bracara Augusta, desde a possibilidade de participar em diversos concursos como, por exemplo, o da família romana ou do casamento romano, ou mesmo de fotografia, até à participação nos diversos cortejos, durante o dia para os mais pequenos e durante a noite para os mais graúdos.

Esta foi, na nossa opinião, a edição que mais se envolveu com a comunidade e que desafiou todos a serem mais do que visitantes do mercado. Para aJovemCoop nada faz mais sentido do que comemorar as origens de Bracara Augusta com os verdadeiros descendentes dos Bracaraugustanos. Só desse modo faz sentido reviver Bracara Augusta.


 Muitas já foram as provas dadas de que os cidadãos aderem às atividades realizadas na cidade e que gostam de viver numa cidade ativa e dinâmica, a Braga Romana é uma delas. Por esse motivo sugerimos que fique atento ao programa da Semana da Juventude de Braga que já iniciou no dia 24 e que termina no dia 31 de maio. Também a JovemCoop marcará presença numa atividade em parceria com a associação Respira, no dia 31 de maio, pelas 10h nos escadórios do Bom Jesus. Nesta atividade cooperação, temos o objetivo de alertar toda a população para o Dia Mundial Sem Tabaco e, por isso, vamos desafia-lo a subir os escadórios de forma original. 

Contamos consigo.

20 de maio de 2015

Peregrinos com Pedalada - Diário Etapa2



Via da prata: dia primeiro
Ainda o dia não tinha nascido, já nós entrávamos em Sevilha! Os últimos foliões da noite regressavam a casa, alguns tendo a "alegria" como companhia!
Despedimo-nos do motorista e procurámos a Catedral. Ainda era muito cedo, estava tudo fechado, a catedral só abria às oito da manhã. 
Procurámos onde tomar o pequeno almoço, mas não foi fácil! Encontrámos um restaurante já conhecido do amigo Carlos Costa, onde provámos o desayuno Andaluz, sumo de laranja, pão com azeite e presunto, muito bom ....
Por fim a catedral abriu. 
As portas são imponentes, deixando adivinhar a grandiosidade de todo o monumento! É esmagadora a força que a catedral emana. Decorriam duas missas em simultâneo, em duas das capelas laterais. 
Ao centro sobressai o órgão que se estende até ao tecto, pelo menos a 30 metros do chão. 
Sevilha tem muito para conhecer, mas não foi para isso que cá viemos, por isso há que dar início às pedaladas... 
Atravessámos o casco histórico da cidade até encontrarmos o rio, que serpenteámos ao longo de vários km's num trilho junto à margem. 
O percurso marcado com as setas amarelas conduzi-nos para uma zona rural, de um lado do trilho o amarelo do centeio, do outro o verde dos girassóis ainda por florir. 
A primeira paragem foi no "pueblo de guillena". Aproveitámos para retemperar forças no café do centro, um reforço acompanhado pelas primeiras fotos.
Continuámos viagem por entre planícies imensas onde a presença constante quer dos girassóis quer do centeio, alternando entre o verde e o amarelo, predominavam até onde o nosso olhar alcançava.
Quase sem darmos conta, a paisagem agrícola foi sendo substituída pela mata, os estradões em terra batida por sinuosos trilhos atravessados por rocha e pedras soltas, um prazer para quem gosta de BTT! 
Nesta altura já a temperatura passava os 40.o, uma dificuldade para o sentido ascendente que o trilho levava. 
Já depois do almoço, e após uns penosos km em estrada com o termómetro a atingir 44.o, entramos no parque natural Sierra Norte, de onde não sairíamos antes da tarde do dia seguinte!
A noite em claro começou a fazer-se notar, o calor e a falta de sono trouxe-nos o cansaço mais cedo, fazendo com que não desfrutássemos da melhor forma da beleza natural que este parque tem. 
Os primeiros 76 km estavam quase cumpridos, quando quase no final a natureza nos brinda com a subida do dia. Cerca de 100m, impossíveis de pedalar, onde o primeiro contacto com as agruras do caminho nos recordou que estávamos no caminho de Santiago. 
Almaden de la Plata é a aldeia onde termina a etapa de hoje. Ao entrar reparamos que estava tudo fechado e com poucas pessoas na rua. Foi quando entrámos no primeiro café aberto que nos disseram que era dia de fiesta, estava tudo "cerrado", que não teríamos onde dormir nem onde comer! Pânico geral, um diz "estendo o saco cama e durmo aqui", queria ele dizer na praça ao ar livre!!
De facto pensar em mais 20km a pedalar não era opção...
Felizmente não desistimos, procuramos e acabamos por encontrar o albergue Municipal aberto, por sinal muito cómodo e agradável, assim como restaurante onde jantar.
Fim de etapa