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1 de março de 2016

A memória Coletiva do S. Geraldo


A memória Coletiva do  S. Geraldo
Se falarmos do Salão Recreativo Bracarense, possivelmente muitos não saberão a que edifício nos estamos a referir. No entanto, se informarmos que posteriormente o Salão Recreativo deu lugar ao cinema São Geraldo, serão várias as gerações que não só saberão qual é o edifício, como terão o seu próprio testemunho sobre memórias neste local.
Falamos de um edifício com quase 100 anos de história e, por esse motivo, acreditamos que é necessário pensar e reflectir nas soluções que poderão definir o futuro do São Geraldo como o equipamento cultural que sempre foi. Com a finalidade de não pensar exclusivamente no edifício S. Geraldo, mas também em muitos outros no Centro Histórico da Cidade, a Câmara Municipal de Braga lançou um concurso de ideias denominado “Avenida da Liberdade”, que procurava propostas para “proteger e requalificar o edificado e o espaço público” tendo em conta componentes culturais, recreativas, entre outras, e a requalificação das áreas mais sensíveis. Este concurso de ideias teve, como prémios, um total de vinte mil euros, a dividir pelos três primeiros lugares. Os três projetos premiados incluíam o edifício do famoso cinema bracarense e a sua reconstrução direcionada para a componente cultural e artística que sempre teve, mantendo sempre a sua estrutura de raiz. Porém, a CMB, entidade que lançou o concurso de ideias, apoiou um projeto que nada tem em comum com as propostas vencedoras. É certo que o edifício é de propriedade privada, pois pertence à arquidiocese, e que a Câmara não pode obrigar o proprietário a fazer o projeto desejado ao edifício, mas é igualmente certo que existindo um concurso de ideias, com prémios elevados, onde muitos se empenharam em participar e onde houve projetos vencedores, eleitos por um júri idóneo, estes deveriam ser tidos em consideração e não deveriam ser descartados dados os investimentos financeiros e intelectuais. Em vez disso, foi apresentado à cidade um projeto que fará do S. Geraldo um mercado cultural/ alimentar e um hotel. Uma solução que é sempre melhor do que deixar o edifício devoluto no centro histórico da cidade, mas que pensada em pormenor, irá destruir por completo a arquitetura do edifício, tal como a conhecemos, pois a sua grande sala central não poderá existir. É, portanto, necessário repensar no futuro do S. Geraldo enquanto é tempo, e tentar que seja tomada uma decisão consciente por parte do proprietário no que respeita à reabilitação deste imóvel.
Tendo em conta o paradigma cultural que desde sempre existiu neste espaço e considerando que Braga carece de um espaço cultural que acolha os artistas locais, bem como outros projetos que não chegam à cidade pela exclusividade das salas existentes, o S. Geraldo deverá ser pensado como um espaço artístico de e para a comunidade. Prova de que Braga exige este espaço é o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico de Braga que visa a criação de um auditório no outrora acalmado cinema bracarense. Motivo pelo qual a CMB, apesar de não ser proprietária, mas ter o poder de definir eixos estratégicos de reabilitação, poderia e deveria sugerir à Arquidiocese de Braga que o Plano de Recuperação do edifício fosse, de facto, mais cultural e menos economicista. É certo que a Arquidiocese terá elaborado um estudo de mercado para saber como rentabilizar aquele espaço, mas arquitetonicamente acreditamos que as valências previstas poderiam enquadrar a Sala Principal.
Contudo, há que fazer outra reflexão: Com um novo auditório, que fosse explorado por privados, isso não comprometeria ou condicionaria a dinâmica cultural do Theatro Circo?
As palavras de ordem prometidas para o Centro Histórico de Braga são a conservação e reabilitação, e são esses conceitos que são necessários manter quando pensamos no futuro de algum edifício devoluto da cidade, seja ele o S. Geraldo ou não. Se dermos uma volta pelo centro da cidade são muitos os edifícios que estão a desabar, literalmente. Como aconteceu com o telhado do Antigo Lar da Palha, em plena Avenida Central. É urgente a CMB sensibilizar e apoiar, dentro das possibilidades e da legalidade, a reconstrução desses edifícios, pois merecemos um centro digno da nossa história. O Centro da Cidade é um dos nossos cartões de visitas mais fortes e, por isso, deveria estar impecavelmente reabilitado.
Apesar de muitos destes edifícios serem propriedade privada, há que pensar que estão inseridos num ambiente coletivo, pejado de memórias em constante construção. Porque preservar a nossa história é essencial e a cultura também faz parte dela. Braga é de todos e o S. Geraldo também.

4 de fevereiro de 2016

O Renascer do S. Geraldo




Tal como a fénix renasce das cinzas, também o antigo cinema S. Geraldo irá renascer para a vida dos bracarenses. 
A segunda sala de cinema portuguesa vê agora a (re)abertura das suas portas como um objetivo próximo. Com um projeto audacioso que inclui um hotel, um mercado cultural, um espaço para voltar a projetar filmes e talvez os serviços da Junta de Freguesia de S. Lázaro e S. João do Souto, o famoso edifício S. Geraldo poderá ver as suas portas abertas já em dezembro deste ano.
Para nós esta é uma feliz notícia que dignifica a continuidade de um edifício histórico que marca uma das principais praças centrais da cidade. No entanto achamos importante que esta não seja apenas a reabilitação de mais um edifício que com o passar do tempo começa a perder os seus objetivos e as suas marcas, tal como já aconteceu anteriormente com o edifício GNRation. 
Acreditamos que este projeto irá honrar a tão aclamada sala de cinema dos bracarenses e que irá sempre ter em conta a história do edifício, mantendo o seu traço original e não esquecendo a sua verdadeira finalidade, o cinema.

7 de dezembro de 2012

O não reconhecimento do Município à BragaCEJ2012


"Diário do Minho" 06/12/2012

No dia de S. Geraldo, Padroeiro da Cidade, o Município de Braga condecora instituições e personalidades pelo seu papel relevante e activo na vida da Cidade.

Este ano, as alegações do Sr. Presidente da Câmara Municipal de Braga fazem-nos reflectir nestas condecorações, pois, segundo o edil "o desenvolvimento do concelho deve-se a toda a comunidade e a todos vós".

No ano em que a cidade de Braga recebeu a Capital Europeia da Juventude, evento dinamizado pela Fundação Bracara Augusta e que capitalizou várias entidades associativas e "mexeu" com várias pessoas, a não atribuição de uma distinção à equipa da Braga2012: CEJ ou à Fundação Bracara Augusta demonstra bem a ausência de reconhecimento que o actual executivo vota às suas próprias políticas municipais no âmbito da Juventude.

Este esquecimento ou ausência propositada faz-nos crer que hoje Braga é Capital Europeia da Juventude não por vontade do edil, mas por vontade de uma nova geração de actores políticos que, de forma empreendedora, tudo fizeram para trazer para a nossa cidade tal evento.

Nem tudo foi perfeito no ano da BragaCEJ2012 e se mais tempo houvesse, mais haveria para melhorar e implementar. Mas, de igual forma, e sendo justos, não se pode afirmar que a CEJ não causou impacto ou foi indiferente à cidade. E, por trás de várias vontades associativas e sensibilidades vocacionais, esteve uma equipa que geriu, dentro das suas possibilidades e limitações um ano com várias actividades.

Não pondo em causa qualquer entidade e personalidade que tenha recebido tal condecoração, pensamos que seria justo, e merecido, que a Fundação Bracara Augusta ou a Administração da BragaCEJ2012 fosse reconhecida e agraciada com a condecoração do dia de S. Geraldo.

Mas para termos verdadeiras apostas no trabalho da juventude, provavelmente teremos de esperar por novas sensibilidades políticas, que reconheçam o trabalho " de todos nós", em prol da cidade.


Os Históricos Arcebispos de Braga


"Diário do Minho - Suplemento Igreja Viva" 06/12/2012

Celebrou-se, esta semana, o Dia de S. Geraldo, Padroeiro da Cidade de Braga, associado ao milagre do aparecimento da fruta, numa altura de Inverno.
Obviamente que a maior importância deste Arcebispo não reside, propriamente, no aparecimento da fruta, mas sim das fortes convicções e determinações que deteve para vir a ser uma auxiliador da nacionalidade portuguesa.

Mas, por esta altura, o Diário do Minho evocou outros dois arcebispos de Braga, de suma importância para a nossa história. S. Martinho de Dume e S. Frutuoso além de marcar a causa espiritual na região de Braga, deixaram um forte legado civil, social e também em exemplares de arquitectura.

O suplemento "Igreja Viva" permite perceber, um pouco, da vida e a obra destes três arcebispos.


7 de dezembro de 2010

Dia de S.Geraldo - Padroeiro da cidade de Braga



No passado dia 05 de Dezembro celebrou-se o Dia de S. Geraldo, Padroeiro da Cidade de Braga.
Pela sua importância para a nossa cidade, recordamos aqui o seu milagre e o porquê de se preencher a Capela na Sé de Braga com frutos.

«Encontrava-se São Geraldo muito doente, às portas da morte, em Bornes, na terra fria, nos princípios de Dezembro, cercado o tugúrio onde se refugiara com os seus familiares, fugindo à neve que abundantemente por aquelas terras caía. Nos ardores de febre que o consumia, pede a um dos seus familiares que lhe traga algumas peças de fruta, para aplacar a sede e dar um pouco de alento ao seu debilitado corpo.

Responde-lhe o seu fâmulo que naquele lugar e com aquele tempo invernoso as árvores estavam despidas de folhagens e frutos. Poder-se-ia talvez encontrar, ainda espalhadas pelo chão, algumas castanhas e nada mais. A esta observação responde São Geraldo: "vai e procura!". Então, por uma frincha da porta por onde entrava o regelante frio, o servo viu que as árvores, lá fora, ao redor do terreiro, estavam floridas e recheadas de belos frutos».