"Diário do Minho" de 23/05/2011
Se a arqueologia fosse levada a sério, não haveria titulos de jornais a afirmar que as obras no centro de Braga são atrasadas devido a este factor.
Curiosamente, na semana em que se celebra a Braga Romana e, pelos menos, os cerca de 2000 anos de história de Bracara Augusta, a arqueologia é encarada como uma surpresa no subsolo.
Está na hora de mudar as mentalidade, isto é...se Braga tem um Gabinete Municipal de Arqueologia e tem uma Unidade de Arqueologia afecta à Universidade do Minho e se já está provada a ocuapção ancestral da cidade de Braga, porque razão é que ainda se acha que a Arqueologia é um factor surpresa?
Sabendo que o Centro da Cidade de Braga é continuamente e sucessivamente ocupado pelo Homem, é natural que surjam evidências de várias cronologias. Logo, quem promove obras no centro da cidade ou é mal informado ou quer ultrapassar as regras.
Se a CMB já tivesse definido os limites de intervenção arqueológica, apoiada no conhecimento que já detém do subsolo de Braga, então podia dividir áreas. Damos um exemplo:
No perimetro do casco central, intervenções que afectem o subsolo devem ter escavação(imaginemos aqui um mapa com um anel vermelho);
Na transição da cidade para as periferias, sobretudo onde se conhecem povoados e vias antigas sugerimos uma intervenção primeira apoiada em prospecções e sondagens de diagnóstico (e aqui desenhamos um circulo laranja sobre o mapa);
Fora das localidades, sobretudo em zonas rurais, devia-se apostar nas prospeções e só depois de efectuadas avaliar se há condições de iniciar a obra ou se precisam de mais estudos arqueológicos (e desenhamos sobre estas áreas um circulo amarelo).
O Gabinete de Arqueologia da CMB deve poder fazer uma estimativa de de tempo, mediante os trabalhos arqueológicos recomendados. Assim, na entrega do processo por parte do promotor, a CMB já podia informar o mesmo de que antes de iniciar a obra são precisos x dias. E após as intervenções efectuadas, a obra pode decorrer.
Se o promotor souber que só pode começar a obra 30 dias ou 50 dias depois, já não gasta dinheiro em contratar empreiteiros e máquinas que ficam paradas enquanto se desenrolam as intervenções.
Pena é que a prática em Braga é de primeiro iniciar as obras e só depois enviar as equipas de arqueologia para registar informação como forma de minimizar a perda de dados. Assim, claro que as pessoas acham que a arqueologia é um atraso...de dinheiro e de vida!
Fica a recomendação!