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24 de setembro de 2012

Rua dos Chãos: Ordem para preservar

"Diário do Minho" 22/09/2012

Após a chamada de atenção no nosso blogue, mas também no blogue Braga Maior e no Braga On, o "Diário do Minho", além de dar conta da nossa indignação, foi aferir junto dos Serviços Municipais de Arqueologia o que iria ser feito com os achados arqueológicos da Rua dos Chãos.

A resposta é que "as ordens são para preservar"!

Esta preservação lança uma nova questão: Em que moldes será feita? Deixando-a no sítio e tapando com geotêxtil e brita?
E as pedras que faziam de tampa à galeria, ficarão no sítio ou desaparecerão dali como aconteceu na Rua de S. Vicente?

Lembramos que na Rua de S. Vicente foi descoberta a continuação da galeria agora à mostra na Rua dos Chãos, de onde levantaram as pedras de tampa e essas desapareceram. As pedras das canalizações das Sete Fontes foram tapadas com geotêxtil e a galeria foi aterrada, não deixando ao traseunte qualquer identificação daquele testemunho histórico?

É esta a preservação de que se fala? É pouco para uma cidade que se quer evoluída e permanentemente distinta como Capital Europeia.



21 de setembro de 2012

As canalizações da Rua dos Chãos

Peças de conduta, partidas para fazer de tampa à galeria

Aspecto da galeria, onde se vêem as peças de conduta que traziam água das Sete Fontes

Peças de conduta que traziam água das Sete Fontes aproveitadas para muro da galeria

No âmbito do programa " A Regenerar Braga" temos vindo a assistir a vários intervenções de arranjo das superfícies que, curiosamente, acabam por intervir no subsolo.

Com a vontade de requalificar praças e ruas do nosso centro histórico, a CMB entregou as empreitadas a várias empresas de construção civil, que estão no terreno, a todo gás (mas a fazer tudo com muita calma) na demanda de cumprir as missões para as quais foram contratadas.

Agora a intervir no topo norte da Rua dos Chãos, volta-se a assistir à abertura de valas para também regenerar a rede de águas e saneamentos. Curiosamente, volta-se a assistir, de igual forma, ao aparecimento da galeria de uma galeria, composta por manilhas graníticas que faziam parte da ancestral canalização de águas das Sete Fontes ao Centro da Cidade.

Estejam em funcionamento ou desactivadas, aquelas pedras são um recurso patrimonial identificado e que merece ser tratado com o respeito de quem muita vida deu à cidade.

Não se percebe porque é que estas peças de condução continuam a ser tão mal tratadas...parte das pedras que fazem de tampa à galeria são elementos reaproveitados das manilhas graníticas, que foram partidas a meio para compor a cobertura. Mas estas pedras estão a ser arrancadas à máquina, sem qualquer medida de protecção, não estão a ser inventariadas, nem tão pouco se sabe se ficarão no seu sítio ou se serão levadas para parte incerta, descontinuando parte da história que contavam.

Assiste a uma vergonha forma de tratar o património, continuando a não aproveitar estes elementos diferenciadores para trazer vida, história e cultura às nossas ruas.


9 de maio de 2012

A água em Bracara Augusta e nas Sete Fontes


"Diário do Minho" 02/05/2012

No Caderno de Cultura do Diário do Minho, foi publicado um artigo assinado pelo Professor Doutor Rui Morais, que aborda a questão do abastecimento e condução das águas, na época romana.

Por associação e comparação, ao ler este artigo, estamos a compreender o funcionamento das canalizações do Complexo Monumental das Sete Fontes, obra do Séc. XVIII.

Recomendamos atenta leitura!


26 de março de 2012

Entre Aspas e as Sete Fontes


"Diário do Minho" 26/03/2012

A ASPA, enquanto associação de defesa do Património, merece papel de destaque na protecção às Sete Fontes. Tomando a dianteira de um longo processo de classificação, vários foram os alertas deixados por esta associação, sobretudo no que toca à protecção do edificado e da paisagem envolvente.

Parece-nos, contudo, algo estranho, é que a ASPA se esteja a debater tanto pela protecção das condutas achadas na Rua de S. Vicente e esteja a esquecer de reivindicar um maior acompanhamento e divulgação das sondagens arqueológicas que estão a ser realizadas em plena Zona Especial de Protecção das Sete Fontes. Que as sondagens são necessárias e proveitosas para desmistificar o potencial arqueológico daquela área, todos nós concordamos com isso. Contudo, não podemos é deixar de alertar que destes resultados podem depender a construção, ou não, de imóveis neste coração verde.

Precisamos que a ASPA, pelo seu potencial empreendedor e científico, avalie e contribua para um esclarecimento e divulgação da importância dos achados que estão a aparecer nas intervenções das Sete Fontes, pois a credibilidade desta associação pode ajudar a esclarecer o grande público e a História da Cidade de Braga.




9 de março de 2012

Arqueologia - A Rua de S.Vicente e a Canalização Sete Fontes




No âmbito do Programa “A Regenerar Braga”, está a ser levada a cabo uma intervenção de requalificação no Largo dos Penedos e Rua de S. Vicente, cujas primeiras acções incidem, precisamente nesta rua.

A reformulação da rua, visando ampliar a área pedonal, inibirá a circulação automóvel no troço a jusante, fazendo ligação ao Largo dos Penedos.

Nestas obras de intervenção estavam previstas acções de acompanhamento arqueológico, sobretudo devido à passagem da Via XVIII por aquele local.

Contudo, ao iniciar a remoção da pavimentação em paralelo, foram descobertas umas lajes graníticas que pareciam perfazer cobertura de uma estrutura subterrânea. Procedendo ao levantamento destas cápeas de granito, a equipa de obras ter-se-á deparado com a existência de uma galeria subterrânea que acolhe e protege uma extensão considerável de canalizações de pedra para condições de água.

Pela morfologia e tecnologia destas condutas, bem como pelos conhecimentos históricos já aferidos, percebe-se que estamos perante um ramal de canalizações que ligava a Caixa de Água existente no adro da igreja de S. Vicente (Imóvel de Interesse Público Decreto 1/86) ao Chafariz existente na Praça Alexandre Herculano (Largo dos Penedos) e daí, seguramente com derivação para o Fontanário Público da Cárcova, existente no Largo de S. Francisco, num dos extremos da Arcada.

Esta condução de águas era proveniente do lugar das Sete Fontes através de um complexo sistema de engenharia hidráulica do Séc.XVIII, obra sob a égide de D. José de Bragança, arcebispo de Braga.

Obviamente que estes achados não são propriamente uma total surpresa dado que por volta dos anos 40-50 do século passado interrompeu-se a ligação entre as condutas de pedra e ligaram-se tubos de ferro para evitar perdas de água e facilitar a manutenção.

Prova disso mesmo é o facto de a tubagem em ferro ainda conduzir água e a presença do sistema de apoio da canalização férrea em elementos pétreos. Contudo, sabia-se que as condutas de pedra não tinham sido destruídas. Também a própria AGERE, sempre que necessário, faz intervenções para melhorar o abastecimento de água ou o escoamento das águas de saneamento, como prova a construção de uma caixa de saneamento que está situada entre condutas de pedra. E há cerca de dois ou três anos foram ali colocadas novas tubagens de cada lado dos passeios, bem como arranjaram os escoamentos das águas pluviais.

Contudo, a exposição deste achado, associado às Sete Fontes, imóvel classificado como Monumento Nacional, bem como as circunstâncias de, com esta intervenção, colocar aquela parte da Rua de S. Vicente pedonal, justificam a hipótese de musealizar e valorizar este troço de condutas.

Em primeiro lugar, acreditamos que a regeneração do Largo dos Penedos e parte jusante da Rua de S.Vicente poderá ser benéfica para a qualidade de vida dos cidadãos, bem como poderá incrementar uma melhoria urbanística na imagem da cidade.

Contudo, a perda do trânsito automóvel na Rua de S. Vicente poderá o efeito de afastar pessoas que diariamente por ali passavam. Retirando esta mais-valia, devemos poder criar outros benefícios que, a par da própria requalificação urbanística, atraiam as pessoas àquela rua. Ora, a fruição do património e os dividendos turísticos são cada vez maiores, quanto mais se investe na sua preservação e divulgação.

A prosperidade e o bem-estar da nossa cidade dependerá das ideias que tivermos evoluírem. Precisamos saber aproveitar as condições que se nos afiguram e fazer delas oportunidades, encontrar novas e revigorantes perspectivas. As nossas heranças culturais e as tecnologias artísticas não são algo acessório, são, também, uma forma de pensar e uma prática inovadora de trabalho com a realidade. Integrando mais amplamente a cultura no planeamento urbano, na política social e no desenvolvimento das empresas, podemos tornar as cidades muito mais sustentáveis do ponto de vista económico e também mais atraentes e agradáveis. (Elbaek, U. e Vassiliou, A.)

O troço de canalização, agora posto a descoberto, ganha maior motivo de interesse porque não se resume unicamente às peças de granito do Século XVIII.

As canalizações estão inseridas num sistema de galeria técnica subterrânea, que permite a circulação de uma pessoa para efectuar a manutenção às peças de canalização. Prova disso mesmo é o facto de as manilhas graníticas terem os pontos de acesso para manutenção (vulgarmente denominados por “raposos”) posicionados lateralmente e não no topo como se verifica nas Sete Fontes.

A tecnologia de colocar as manilhas graníticas de lado permitia que o funcionário circulasse na galeria, acedesse aos “raposos” e retirasse a vegetação e outros elementos que prejudicassem a qualidade e fluidez da água. Esta galeria técnica permitia proteger a condução de água, a passagem da pessoa responsável pela manutenção no seu interior, mas possibilitava, ainda o trânsito de pessoas e veículos à superfície, uma vez que esta estrutura estava coberta por lajes de granito, compondo a cota de circulação.

Assim, pelo exposto, solicitamos a V/ Ex.ª que se possa estudar uma forma de conservar, musealizar e fruir deste troço de canalização, que enaltece a memória de D. José de Bragança, arcebispo de Braga, pensador da cidade e da qualidade de vida dos cidadãos, bem como perpetua a profissão dos agueiros (responsáveis pela manutenção da condução de água) dos canteiros (operários que trabalhavam a pedra) e da própria toponímia do local (Largo dos Penedos, onde havia uma pedreira, e a Rua de S. Vicente que antigamente se chamava Rua dos Chãos de Cima, seguramente associado à existência de pisos em lajes de pedra).

Uma vez que a canalização e galeria estão posicionadas mais ou menos no eixo da via, estas podem ser conservadas se se mantiver a vala aberta, coberta com um material reforçado (tipo vidro/acrílico extremamente resistente) ou por uma grelha que permitisse quer a visualização para a cota inferior, quer permitisse a circulação das pessoas e de veículos excepcionais (moradores, veículos prioritários) à superfície.

Obviamente que esta sugestão carece de estudos mais aprofundados, sendo considerada apenas uma hipótese rudimentar, mas que acreditamos poder vir a trazer uma mais-valia nas políticas de conservação de valorização do património, bem como um substancial incremento turístico daquela zona da cidade.


30 de setembro de 2010

Ironia do destino


retirado do "Diário do Minho" de 29/09/2010


Numa zona repleta de água, e onde os peticionários e a sociedade civil de Braga se tem debatido com a necessidade de preservar os lençóis de água das Sete Fontes, esta notícia, a julgar pelo primeiro titulo, não deixa de parecer irónica.

Ainda assim, lendo atentamente a notícia rubricada por José Carlos Lima, percebemos que não é a escassez de água o problema, mas sim as infra-estruturas que conduzam água até ao novo complexo hospitalar.

Já não bastava não ter havido um planeamento devido no que concerne aos acessos rodoviários, somos agora conforntados com a urgente carência de abastecimento de água.

Está-se mesmo a ver que a "urgência" reclamada vai atropelar procedimentos de protecção do património, porque como bem sabemos, para colocar canalizações e tubagens, vai ser preciso abrir valas e esburacar o subsolo. Mais uma vez resta a dúvida - será que a Direcção Regional de Cultura Norte está por dentro deste processo? Será que vai haver acompanhamento arqueológico da abertura das valas?

Todas as investidas arqueológicas ali realizadas já provaram a sensibilidade daquele local....e o local começou a revelar que tem muito a contar sobre a história da cidade de Braga.

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