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2 de maio de 2013

Sete Fontes - Mais uma proposta, lamentavelmente, chumbada

"Diário do Minho" 02/05/2013

Os eleitos na Assembleia Municipal pela CDU apresentaram uma recomendação para que a CMB pudesse promover obras de minimização, que impedissem o avanço da deterioração do Complexo.

Sem surpresas, e num sinal claro que os eleitos do Partido Socialista não têm a mesma boa vontade do Sr. Vereador, Arq.to Hugo Pires, a proposta foi chumbada sob o argumento de que corre o Plano de Pormenor (?) e a CMB tem assegurado a preservação do espaço.

O que o líder da bancada do Partido Socialista provavelmente não percebeu é que o que ele referiu não impede a realização de obras de minimização no edificado, além de que é diferente falar do "espaço" de forma generalizada e falar sobre o edificado das Sete Fontes, de forma localizada e particular.

Assumindo que os funcionários da AGERE têm desobrtuído e limpo as canalizações, bem como a área de um corredor/canal de cerca de três dezenas de metros, importa acrescentar que as padieiras continuam a fracturar e os rebocos a cair. As portas são constantemente vandalizadas e, agora, até os muros têm vindo a ser destruídos. Impõem-se obras de preservação do edificado, independentemente das obras que vierem a acontecer no "espaço", até porque, no debate decorrido no dia 18, ficou por responder se o PP contemplava obras de restauro. Sem resposta, há que continuar a perguntar e questionar, tal como fez, e bem, a CDU.

13 de março de 2013

Rio Este: As constantes infracções

"Diário do Minho" 08/03/2013

O Rio Este, ao longo dos tempos, tem sido um curso de água muito mal tratado pela cidade de Braga.

As intervenções que foram feitas nas últimas décadas visavam, de alguma forma, corrigir o traçado do rio, bem como valoriza-lo.
Contudo, as intervenções nunca foram muito felizes e, apesar de tentarem valorizar fisicamente o curso de água, não tiveram em conta as ligações (i)legais de descarga por parte de habitações ou empreendimentos fabris.

O que a notícia revela confirma esta postura de se tentar corrigir aspectos físicos visíveis, não dando resposta a problemas que subsistem de forma escondida.

E pensamos que Braga volta a perder mais uma oportunidade de tentar corrigir estes problemas com o decorrer das obras de renaturalização do Rio Este que actualmente decorrem.

Achamos que esta intervenção é uma operação de cosmética, pois o projecto dedica-se mais a embelezar a área envolvente do que recuperar e revitalizar o Rio.

Lembramos que a intervenção, feita a partir da Av. Frei Bartolomeu dos Mártires, não contempla a área a montante, pelo que o Rio continuará a ter água poluída e muito suja.

Lamentamos que este projecto não insira medidas de despoluição da água, de controle de qualidade e que não se pratiquem coimas a quem insiste em tornar o Rio Este um esgoto a céu aberto.

11 de dezembro de 2012

Poluição no Rio Este

"Correio do Minho" 10/12/12

Recentemente, após novas descargas não controladas, as águas do Rio Este voltaram a ficar poluídas, acabando por matar um grande número de pequenos peixes.

Tendo em conta que está a ser levada a cabo a renaturalização do Rio e que uma das premissas desta obra é devolver vida às águas, a partir da despoluição das mesmas, controlando e ordenando a rede de esgotos, fica a questão..."afinal, para que servem estas obras?".

Reiteramos a questão, há muito avançada, que estas obras são mera operação cosmética, tendo em conta que o mais importante fica por fazer...despoluir e ordenar o leito do Rio desde a nascente até à zona da actual obra. De que adianta embelezar do meio do percurso para baixo, se do meio para cima continua a haver poluição, descargas não controladas, saneamento a despejar directamente para o rio?

Sobretudo, porque na zona a montante situavam-se, pelo menos antigamente, as zonas de maior índice industrial, fábricas essas responsáveis pelos despejos no Rio Este. Se estas situações não forem rectificadas, continuar-se-á a assistir a uma sistemática poluição das águas.

Importa olhar para o Rio Este como um recurso natural, importante para a cidade de Braga. Dever-se-á desenvolver um projecto de despoluição das águas e de rectificação das redes de esgotos/saneamento, para que possa haver controlo sobre descargas, de forma a não destruir a (pouca) vida existente nas águas do Rio. Mas para isso, é preciso que haja alguém na Câmara de Braga que queira rectificar as ligações ilegais, sistematizar procedimentos de controlos de descarga e que tenha reais preocupações com o meio ambiente.



7 de dezembro de 2012

As obras na Rua dos Chãos


"Diário do Minho" 07/12/2012

Após tomar conhecimento desta situação e depois de termos alertado para a mesma neste espaço (ver aqui) lembramos que a posição dos serviços camarários foi "ordem para preservar". Na Rua dos Chãos não se vislumbra uma preservação, mas um desrespeito e uma destruição.

Aquilo que deve ser questionado, junto das entidades, é a metodologia instituída e pressionarmos para apresentarem, rapidamente, os resultados das intervenções.

Mas, infelizmente, temos de estar preparados para duas situações. A primeira é a conivência ou excesso de confiança da DRCN quanto aos processos metodológicos da UAUM/GACMB - já vimos isso noutras vemos, sendo exemplo mais recente o caso dos novos acessos de Real, ou relembrando as Sete Fontes.

A segunda situação prende-se com o moldar de dados, tendo em conta que basta os técnicos de Braga dizerem que não apareceu nada de interesse, que a tutela validará e perderemos aqui o sustento dos legados históricos.
Aquilo que podemos perguntar é porque se escolheu tal metodologia (acompanhamento pobre e pouco presente) e quais as avaliações aos vestígios exumados e porquê reenterra-los/destrui-los.

Um dos problemas do projecto Bracara Augusta é centrar-se nos vestígios romanos, esquecendo outras cronologias e intervencionar para registar e não para tornar os locais fruíveis ao público (admitindo que nem tudo é possível musealizar e estar a usufruto do público, podemos olhar para a página das intervenções da UAUM (
http://www.uaum.uminho.pt/estrutura/galeria_imagens.htm) e, rapidamente, fazer o balanço do que ficou preservado e do que foi destruído...a balança da preservação fica deficitária, além de que a página está muito desactualizada, podendo, desde já, pensar que mais vestígios arqueológicos terão sido destruídos.

Seria útil podermos vir a debater publicamente os resultados de mais de três décadas do Projecto Bracara Augusta. Poder-se-ia, inclusivé,
pensar num novo modelo de gestão do património de Braga, desde a intervenção arqueológica até à promoção turística.


21 de novembro de 2012

Braga: A nova alameda a sul do Hospital

"Diário do Minho" 14/11/2012
 
Na semana passada, foi lançado a Câmara Municipal de Braga lançou o concurso para a construção de uma nova "alameda", a Sul do Hospital de Braga, que, de alguma forma, rectifique o mau posicionamento desta estrutura de saúde.

Como o Novo Hospital foi "encaixado" numa zona cimeira, sem preocupações prévias de acessibilidades, agora é necessário promover uma "regeneração" da via existente, pois esta é, meramente, um estreito caminho, cheio de buracos no pavimento, que se torna ainda mais exíguo com a passagem de dois carros em faixas opostas.

Uma vez mais, parece estranho o concurso público não mencionar certas condicionantes, como um estudo de impacto ambiental, pois, em boa verdade, toda aquela zona ficará transformada.
Importa lembrar que, se por um lado esta nova alameda está fora da zona especial de protecção das Sete Fontes, não é menos verdade que toda aquela zona está repleta de vestígios arqueológicos.

Aqui, inclui-se a zona de reserva arqueológica, designada como Caixas de Água, área que mereceu protecção por parte dos organismos estatais da arqueologia. Lembramos, ainda, que no próprio local onde surgiu o Hospital, apareceram vários vestígios romanos, onde sobressai um fantástico forno romano (que pensamos ter sido destruído sem qualquer vontade justificação patrimonial plausível).

Na zona dos terrenos da Universidade do Minho, onde hoje se situa a Escola de Direito, também surgiu uma extensa canalização romana, que foi intervencionada pela UAUM.

No mapa abaixo, posicionamos a verde a ZEP das Sete Fontes, a amarelo a Zona de Reserva Arqueológica de Caixas de Água, o círculo vermelho maior posiciona o Forno romano e os três círculos mais pequenos induzem à localização inferior da canalização romana.

Com tantas referências arqueológicas, ainda que legalmente possam não estar dentro de zonas de intervenção arqueológica obrigatória, questionamos se vamos assistir a uma nova intervenção do género dos Acessos ao Centro Escolar de Real, onde o limite legal e o bom senso estão separadas por doze metros.


Esquema do posicionamento das áreas de vestígios arqueológicos

7 de novembro de 2012

Obras no Centro para regenerar o Natal

"Diário do Minho" 06/11/2012

"Correio do Minho" 06/11/2012

As intervenções ao abrigo do programa "A Regenerar Braga" estão a ficar, lentamente, concluídas.

Após meses de incómodos, poeiras, lamas, trânsito condicionado, falta de iluminação, entre outros, as obras estão a chegar ao seu término, ainda com arestas para limar (como o caso do autocarros que passam por cima dos passeios na Senhora-a-Branca, a falta de iluminação quer neste Largo, como no Largo Carlos Amarante).

Mas a Câmara Municipal de Braga veio a público garantir que as intervenções (pelo menos as da Av.Central e Rua dos Chãos) estarão concluídas até ao Natal, numa atitude de regenerar o aspecto da cidade,  numa altura em que os cidadãos andam às compras.

Convém lembrar, porque a memória é curta, que estas obras iniciaram-se quase em segredo, sem auscultação publicamente divulgada e sem projectos que estivessem visiveis a todos. Não basta remeter para uma página na internet, com desenhos a uma escala reduzida, para se afirmar que houve informação disponível.

Importa recordar que estas obras, que se afirmaram como arranjos de superfície, substituiram condutas e canalizações, tendo um enorme impacto no subsolo.
Perdeu-se uma grande oportunidade para melhor estudar o subsolo de Braga, caso as equipas de arqueologia tivessem entrado previamente às máquinas.
Perdeu-se uma bela oportunidade de dotar as praças e largos de um identidade própria, a partir de achados arqueológicos e/ou de outros factores que pudessem ser relevantes musealizar.
Perdeu-se a ocasião para informar os cidadãos e turistas do passado da cidade e dos elementos que a compuseram. O património, em Braga, não é opção para dinamziação cultural e turística.

"A Regenerar Braga" é um processo continuo, porque pelo fracos materiais empregues e pela falta de visão, provavelmente vai ser preciso regenerar Braga num futuro, em breve.

E a moda de inaugurar as obras sem elas estarem prontas é que é irresponsável...O Largo da Senhora-a-Branca, no lado nascente foi terminado em Julho e continua sem luz pública. O Largo Carlos Amarante foi inaugurado em Setembro e só no Domingo dia 04/11 foi possível ter iluminzação pública dos 4 candeeiros antigos que foram, e bem, recuperados. Mas a luz é insuficiente e falta dotar de iluminação o lado do S.Geraldo/Santa Cruz.

Se a Avenida Central e a Rua dos Chãos forem dadas por concluídas, mas tiverem as novas lajes partidas ou sujas e sem iluminação pública, a CMB deveria assumir, frontalmente, que a obra não está concluída.




15 de outubro de 2012

A ausência da Arqueologia em Zona Classificada de S.Frutuoso

 
 





"Correio do Minho" 17/11/2009

Após verificarmos o edital publicado no jornal "Correio do Minho" de 2009, facilmente percebemos a ilegalidade cometida na Zona Especial de Protecção da Capela de S.Frutuoso, Monumento Nacional desde 27/04/1944 (ver ficha do Monumento no site IGESPAR).

Na passada 6ª feira, dia 12 de Outubro, foi possível verificar que, no âmbito do projecto de abertura de uma via que ligará a Avenida S.Frutuoso até ao topo Norte do Caminho dos 4 Caminhos, uma máquina giratória operava sem acompanhamento arqueológico, obrigatório numa zona especial de protecção.

Estas obras, além de não salvaguardarem a componente do acompanhamento arqueológico, destruiu um muro, que era encimado por uma canalização em pedra (aqueduto áereo), que conduzia água até à Fonte de S. António, no Adro da Igreja de S. Francisco,Real. Apesar da água já ser conduzida em tubo plástico no interior das canalizações, estas são um elemento patrimonial pertencente àquele conjunto monumental.

Além da ausência de arqueólogos, não se sabe qual será o destino daquelas canalizações, uma vez que não há informação do projecto no local. Serão restituídas no muro? Manter-se-á a condução de água? E se não for possível colocar os elementos de canalização em cima do muro, dado que este foi destruído para fazer a passagem da via, como serão salvaguardados estes elementos?

Pensamos, ainda, nas razões que levarão a que um processo de obra não esteja a ser acompanhado por arqueólogos, dado que a obra, mesmo se estiver a ser desenvolvida por delegações de competências da CMB na Junta de Freguesia de Real, teve de ser licenciada e autorizada pela Direcção Regional de Braga.

Também não pode ser alegado desconhecimento processual, uma vez que a própria Câmara Municipal de Braga ainda no ano passado contratualizou com a  Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho intervenções arqueológicas na zona do Convento de S. Francisco, com intuito de instalar ali a Nova Pousada da Juventude de Braga.

É um daqueles casos, infelizmente tão usual em Braga, que comprova que a Arqueologia em Braga não é entendida como uma área científica de desenvolvimento cultural e é vista como um entrave ao desenvolvimento. Não se entende como o Gabinete de Arqueologia da CMB ou outra entidade acompanha no terreno aquelas obras. Uma vez mais, sabe-se lá se alguma estrutura arqueológica já terá sido danificada ou destruída! Fica a certeza de que, pelo menos, uma canalização de pedra, semelhante às manilhas de pedra das Sete Fontes já foi amputado, além de um caminho antigo, que diz a tradição popular ser romano, ter sido cortado pelas obras.

No mínimo injustificável este desrespeito pela lei e pelos cidadãos.



24 de setembro de 2012

No Este nada de novo...não aprender com os erros!

"Diário do Minho" 22/09/2012
 
Ao longos dos anos, a cidade de Braga cresceu e desenvolveu-se nas margens do Rio Este. Inapropriadamente, permitiu-se construir nos leitos de cheia do rio, e este, quando aumenta o caudal, sobretudo após intensas intempéries, tende a invadir garagens e habitações.

Agora, no âmbito do projecto de "renaturalização" do Rio Este, volta-se a cometer um atropelo à natureza e permite-se construir uma via ciclável (?) por cima de uma zona murada, que estreita o rio, e faz ainda túnel por baixo de uma ponte na Rua Bernardo Sequeira (opção que causa algum constrangimento por criar uma zona escura e deserta).

Os moradores estão descontentes e já deram nota disso a elementos do executivo camarário, que parecem não ter vontade, nem receptividade de alterar o projecto.

Estreitar ainda mais o leito do rio é estar a pedir que aconteçam novos desastres e haja motivo para a natureza fazer valer o seu braço forte.

Aquando do período de discussão pública, a JovemCoop enviou um conjunto de sugestões à Agência Portuguesa do Ambiente, destacando a necessidade de devolver vida às duas margens e de se impedir mais construção que prejudique o curso da água. (ver aqui documento).

Este pode ser um caso (constantemente repetido) de como Braga e o executivo camarário, responsável pelas opções de desenvolvimento da cidade, não aprendem com os erros do passado.


21 de setembro de 2012

As canalizações da Rua dos Chãos

Peças de conduta, partidas para fazer de tampa à galeria

Aspecto da galeria, onde se vêem as peças de conduta que traziam água das Sete Fontes

Peças de conduta que traziam água das Sete Fontes aproveitadas para muro da galeria

No âmbito do programa " A Regenerar Braga" temos vindo a assistir a vários intervenções de arranjo das superfícies que, curiosamente, acabam por intervir no subsolo.

Com a vontade de requalificar praças e ruas do nosso centro histórico, a CMB entregou as empreitadas a várias empresas de construção civil, que estão no terreno, a todo gás (mas a fazer tudo com muita calma) na demanda de cumprir as missões para as quais foram contratadas.

Agora a intervir no topo norte da Rua dos Chãos, volta-se a assistir à abertura de valas para também regenerar a rede de águas e saneamentos. Curiosamente, volta-se a assistir, de igual forma, ao aparecimento da galeria de uma galeria, composta por manilhas graníticas que faziam parte da ancestral canalização de águas das Sete Fontes ao Centro da Cidade.

Estejam em funcionamento ou desactivadas, aquelas pedras são um recurso patrimonial identificado e que merece ser tratado com o respeito de quem muita vida deu à cidade.

Não se percebe porque é que estas peças de condução continuam a ser tão mal tratadas...parte das pedras que fazem de tampa à galeria são elementos reaproveitados das manilhas graníticas, que foram partidas a meio para compor a cobertura. Mas estas pedras estão a ser arrancadas à máquina, sem qualquer medida de protecção, não estão a ser inventariadas, nem tão pouco se sabe se ficarão no seu sítio ou se serão levadas para parte incerta, descontinuando parte da história que contavam.

Assiste a uma vergonha forma de tratar o património, continuando a não aproveitar estes elementos diferenciadores para trazer vida, história e cultura às nossas ruas.


11 de setembro de 2012

A falta de estratégia que obriga a regenerar Braga

"Correio do Minho" 10/09/2012

A questão da requalificação das ruas da nossa cidade, e a sua contínua manutenção é algo que vence a barreira dos tempos mais recentes, tornando-se numa questão com dezenas de anos.

O Professor e Investigador Joaquim da Silva Gomes traça um retrato de como eram as ruas de Braga há precisamente 100 anos atrás, no ano de 1912.

Já nesta altura muitas ruas eram insalúbres, sem higiene e, muitas vezes, frequentadas por pessoas e animais. Aborda-se, neste texto, o degradante estado da Rua do Souto ou do Largo de S.João do Souto.

Leva-nos a crer que naquela data, sendo as circunstâncias diferentes, iniciou-se um plano de requalificação da urbe para tornar a cidade mais airosa.

100 anos depois, deparamo-nos não com um problema de salubridade, mas de estética, onde se requalificam praças, sem explicar realmente o porquê das obras, pertinência, gastos e duração.
Apenas se vislumbra o produto de muitas obras e a ausência de um estudo que dê garantias aos comerciantes e proprietários de outros negócios que as obras trarão mais benefícios que prejuízos.

Uma curiosidade final remata o texto...o coreto situado no Parque da Ponte também celebra, este ano, o seu centésimo aniversário.


24 de abril de 2012

Regenerar Braga e os Banhos de Lama

"Diário do Minho" 23/04/2012


O artigo publicado no jornal Diário do Minho elucida o estado de espírito de muitos moradores, comerciantes e transeuntes, afectados pelas obras ao abrigo do Programa "Regenerar Braga".


Não se percebe como é que obras da responsabilidade da autarquia municipal não cumprem os procedimentos básicos de respeito pelos cidadãos e acabam por pôr em perigo a sua vida.


Vejamos que qualquer obra deve ser devidamente sinalizada, vedada e com corredores de segurança para circulação periférica. Aqui, as 4 obras actualmente em curso não têm corredores marginais para as pessoas passarem, o que obriga as pessoas a circular na zona de obra, mal sinalizada e vedada, pelo que os peões vêem-se obrigados a levar com água e lama dos carros que passam.


É uma situação que deveria ter sido acautelada antecipadamente, pelo que é incompreensível que seja a autarquia a dar este sinal de desleixo e desrespeito.


Curiosamente, na noite do dia 18, uma grande máquina abria uma enorme vala no cruzamento entre a Rua de Santa Margarida e o Largo da Senhora-a-Branca. A pergunta que se impõe é...numa zona de sensibilidade arqueológica (afinal, a 10 metro dali encontraram 3 sepulturas tardo-romanas), porque razão não havia acompanhamento arqueológico? Apesar das máquinas estarem a trabalhar com uma licença especial, também devia estar a ser acompanhada arqueologicamente, precisamente para permitir a identificação ou evitar danos no património do subsolo.


Fica a pergunta para quem souber responder... 


22 de fevereiro de 2012

Braga: Intervenções na Senhora-a-Branca e a preocupação arqueológica

"Diário do Minho" 21/02/2012
"Correio do Minho" 21/02/2012

Estão anunciadas e prontas a entrar em execução as obras de requalificação no Largo da Senhora-a-Branca.

Desconhecemos a prioridade das intervenções anunciadas, mas é óbvio que aquela zona merece um reordenamento, tendo em vista a melhoria da fluição do trânsito, bem como dos transeuntes.
Há muito que aquele Largo se encontra desadequado às necessidades da cidade, tendo em conta que deixa a Igreja da Senhora-a-Branca isolada numa espécie de ilha entre ruas.

Olhando para o projecto, surgem algumas dúvidas da boa intenção de reordenar o trânsito, tendo em conta que nasce um "cotovelo" pedonal, que estrangula a circulação automóvel.

Parece, ainda estranho, que tanto se impunha a necessidade de aumentar a área pedonal, quando falando com os comerciantes locais, muitos deles dizem que sem a proximidade de estacionamentos ou de circulação automóvel, as pessoas não fazem tantas compras para não terem de passar pela dificuldade de as carregar!

Damos nota de outra curiosidade...Aparecem, FINALMENTE, preocupações com o património arqueológico, assinalando o percurso da Via Romana XVII e afirmando o acompanhamento arqueológico. Curiosamente, esta chamada de atenção não surge em sítios como a intervenção no Campo das Hortas, onde em frente ao Arco da Porta Nova se esburaca para colcoar grandes manilhas de betão, mas não se vislumbrando acompanhamento técnico para o efeito acima referido.

Tentaremos, dentro das nossas possibilidades acompanahr  o desenvolvimento deste processo e perceber se será benéfico para a população!


1 de abril de 2011

Obras de acesso ao Hospital continuam a dificultar a vida aos Bracarenses!

retirado do "Diário do Minho" de 26/03/2011

Desde que as obras do Novo Hospital de Braga começaram, muitos cidadãos/moradores da zona envolvente ficaram lesados pelo "caos" que um sítio em construção provoca.

Estas próprias obras, devido ao mau acondicionamento do volume de terras danificaram o Complexo das Sete Fontes, como pudemos enunciar neste blog várias vezes.

Incrível como as obras do acesso ao NHBraga iniciaram-se cerca de 18 meses depois e os empreiteiros e promotores de obra continuam a não saber precaver situações, que constituem uma desordem e vários problemas aos moradores.

A nossa questão é: "Para que servem as fiscalizações da autarquia?" E se a resposta for que em obras de matriz central as autarquias não têm poder de fiscalização, então reforçamos a pergunta com "O que é feito das fiscalizações da administração central?"

Entretanto, muitos moradores e cidadãos têm de ir aguentando a falta de cuidados de umas poucas pessoas!

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23 de fevereiro de 2011

Sete Fontes: Nós avisamos - a destruição continua!


Tivemos a oportunidade de avisar, há um ano atrás, que as obras do Novo Hospital estavam a acondicionar mal os aterros. Com as chuvas, as terras estavam a invadir as SETE FONTES e além de alterar a topografia do local, estavam a contaminar o espaço das Sete Fontes, a destruir o património (parte da Mina dos Órfãos ruiu) e a destruir o registo arqueológico (pois a passagem da água está a lavar os sedimentos).


Após termos avisado a DRCN, esta valência do IGESPAR nada fez. A Assembleia Municipal deliberou que a CMB devia notificar a direcção de obra do NHBraga para corrigir a situação. Cremos que a CMB agiu em conformidade com a resolução, mas a direcção de obra nada fez.


No passado Domingo, após uns minutos de intensa precipitação, era este o panorama - vejam com os vosso próprios olhos!


Porque ficámos preocupados e porque queríamos perceber a origem de tanta lama e água, decidimos seguir o rasto da lama.
Percebemos que a zona da Mãe de Água do Dr. Sampaio também estava muito afectada, mas que a origem do problema era ainda mais a cima.


Foi então que chegámos à plataforma superior e na confrontação com os terrenos do Novo Hospital e da zonas de acondicionamento de terras  era este o panorama:



Perguntamos como é possível deixar chegar a este ponto esta situação? Porque é que a DRCN nada fez? Porque não fez cumprir a lei? Porque é que a CMB não fez actuar os fiscais e mandou acondicionar os volumes de terra e colocar taipais que não permitissem a passagem de terras para o interior do Complexo?Porque é que a direcção de obras do NHBraga não fez cumprir as determinações da Assembleia Municipal e a notificação da CMB? 
Mas afinal, será que estas entidades não gostam do património? Será que é pedir muito um pouco de civismo e respeito?


Ajudem-nos a preservar as Sete Fontes...manifestem a vossa opinião!


10 de novembro de 2010

A falta de planeamento dá nisto...

retirado do "Diário do Minho" de 06/11/2010

Diz o ditado que "não se começam obras pelo telhado da casa". Parece apropriado relembrar esta velha sabedoria no caso da variante que ligará ao Novo Hospital de Braga.

Após terem embutido o Hospital Escala Braga num sítio de dificil acesso e cuja localização poderá ser questionável, certo é que, após a estrutura estar feita, torna-se agora necessário encontrar um caminho que ligue a cidade à unidade de saúde.

Como Braga teve um mau PDM  que não contemplou com seriedade esta nova estrutura hospitalar, agora resta construir a estrada por uma "nesga" que sobre entre as habitações da zona do antigo Feira Nova, o Retail Park, as Sete Fontes, a Cooperativa Lar Jovem e o Novo Hospital.

Posto isto, é sem surpresas que os jornais noticiam as queixas e amarguras dos moradores que, desesperados, confessam não saber o que fazer com a sua vida, isto é, perderão a sua qualidade de vida.

É de lamentar que estes erros causem tanto transtorno, sobretudo quando se fala de uma via que poderá salvar imensas vidas. Se fosse bem pensada e construída, os moradores daquela zona e os futuros utentes do Hospital de Braga só poderiam ficar gratos.



5 de novembro de 2010

Acompanhamento arqueológico: RECOMENDA-SE!



retirado do "Diário do Minho" de 05/11/2010


fotografia da autoria de Paulo Silva, retirada daqui

O ritmo e o pulsar da cidade obrigam, de tempos a tempos, a substituir as infra-estruturas pelo que, a substituição do colector de águas na Rua de S. Vicente nada tem de mal. Antes pelo contrário, é uma necessidade que melhorará as condições de vida dos habitantes e comerciantes desta da rua.

A nossa chamada de atenção vai para a necessidade de haver acompanhamentos arqueológicos durante esta obra, uma vez que aquela rua foi, durante muito tempo uma VIA ROMANA (Geira ou Via XVIII) e no subsolo poderão existir, ainda, vestígios desses tempos.

Lembramos que quando se renovou o colector de águas na Av.da Liberdade, encontrou-se uma estrutura romana, que ficou apelidade de "TEMPLO", ou seja, as obras de substituição do colector pode atingir uma grande profundidade, capaz de alcançar níveis romanos e de encontrar vestígios físicos desse tempo.

Será que vai haver acompanhamento arqueológico, ou será que por ser uma rua estreita, que ficará com o trânsito condicionado, as entidades acham que a probabilidade de encontrar algo é reduzida? Dizem as escavações de Braga que quando menos se espera, lá surge um vestígio da nossa ancestral história.

A ter em conta...

O início das obras...Sete Fontes Salvaguardadas?

retirado do "Diário do Minho" de 03/11/2010

retirado do "Diário do Minho" de 04/11/2010

Começaram, esta semana, as obras da construção da estrada de acesso ao Novo Hospital de Braga.
O traçado foi melhorado e será menos lesivo para o Complexo das Sete Fontes. Ainda assim, sabemos que 2 minas, na zona das Verdosas, Bairro da Alegria, serão afectadas directamente, desconhecendo, ainda, a forma indirecta como será afectado o conjunto monumental no solo e no subsolo.

Será de ter em conta uma monitorização do caudal das águas e da sua qualidade, bem como da preservação das estruturas existências. Não será recomendável colocar de lado a hipótese de surgirem novas canalizações ou elementos arqueológicos, visto que a encosta por onde se desenvolverá a variante está repleta de evidências arqueológicas, nomeadamente de material de construção romano.

Diz-se, inclusivé, que na zona da Cooperativa Lar Jovem havia uma villa romana, o que acrescentará motivo de precaução ao desenvolvimento dos trabalhos arqueológicos afectos à construção da via.


A JovemCoop coloca-se à disposição dos arqueólogos de campo e das Estradas de Portugal para partilhar informação relativa a zonas com maior indice de evidências arqueológicas. Ajudaremos no que for possivel para que a obra seja bem realizada e salvaguarde o Complexo do Monumento Nacional das Sete Fontes de Braga.