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20 de novembro de 2012

CMB2013 - retomar intenções esquecidas

"Diário do Minho" 20/11/2012

Seria expectável que o programa das opções do Município para 2013 fosse atractivo e pujante, transmitindo a ideia de que a CMB sabe o que quer para a cidade.

Contudo, após análise do documento, voltamos à velha questão de que se fala dos conceitos teóricos, mas não se explana a sua concretização.

É fácil, e até útil, alargar as explicações a algo tão lato como "promoção no empreendedorismo e combate ao desemprego jovem", ou " diversificação e da qualificação da oferta cultural e artística e estímulo da participação das pessoas...".

Relativamente ao património e à arqueologia, lá se desenterram antigas promessas em ano de eleições, deixadas cair no ano seguinte.
Para quem tem a memória curta, aqui ficam os relatos de 2010, com uma escassa diferença de meses.

"Diário do Minho" 19/04/2010

"Diário do Minho" 15/11/2010

"Diário do Minho" 22/11/2010

Se a Universidade do Minho, através da sua Unidade de Arqueologia, continuar a compactuar com discursos pouco sérios e com demasiada intenção, então voltaremos a ter mais quatro anos de estagnação, relativamente ao aproveitamento cultural das estruturas arqueológicas/patrimoniais.



4 de junho de 2012

Regenerar Braga - o que fazer aos testemunhos da memória?






Braga tem assistido a uma verdadeira operação de cosmética. Ao abrigo do Programa "A Regenerar Braga", muitas têm sido as praças intervencionadas, dando uma nova configuração a esses locais.

Tal como tivemos oportunidade de abordar aqui, aqui, aqui e aqui nem sempre estas intervenções tiveram o início adequado, nem tão pouco os acompanhamentos específicos.

Muito se falou da necrópole tardo-romana da Senhora-a-Branca e ainda se fala do Aqueduto das Sete Fontes (desactivado) da Rua de S. Vicente e do seu aproveitamento em 1937 para fazer passar a tubagem de ferro, que agora foi substituída. Apesar da condução de água ser feita no tubo de ferro, este assentava numa galeria composta pelas pedras do aqueduto da água das Sete Fontes e que se ligava ao Chafariz do Largo dos Penedos.

Agora, no Largo Carlos Amarante (em frente ao Shopping de Santa Cruz e entre as Igrejas de S. Marcos (Hospital) e Santa Cruz, está em curso a renovação da Praça e consequentes trabalhos arqueológicos. Estes, bem diferentes dos casos da Senhora-a-Branca, Rua S.Vicente e Rua Andrade Corvo (Campo das Hortas), precederam as obras e já deram frutos.

A equipa de arqueologia da Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho colocou a descoberto um antigo aqueduto em pedra, de grandes dimensões, que parece acompanhar transversalmente toda a Praça, provavelmente seguindo a orientação do antigo Convento dos Remédios.

E eis que na hora da verdade - SABER O QUE FAZER AOS ACHADOS ARQUEOLÓGICOS -  dizia-nos um funcionário da empresa de construção que o aqueduto será destruído para ali se colocarem manilhas de betão.

Ora, se em S. Vicente houve meramente um acompanhamento arqueológico e medidas mínimas de impacto, que resultaram na manutenção da galeria, ainda que coberta com manta geotêxtil e preenhcida com gravilha, no Largo Carlos Amarante, onde se louva a prestação prévia da equipa de arqueologia, parece que o fim será mais trágico.

Não haverá possibilidade de manter o aqueduto, mesmo que enterrado? Não se poderá adoptar uma solução como na Rua de S. Vicente? E se o aqueduto ficar tapado, não poderia ser desenhado nas lajes de granito que farão de pavimento o esquema do aqueduto e o seu traçado?

Em Braga, no Largo de S. Paulo, as guias de granito ficaram a perpetuar a memória das divisões de edifícios romanos. Aqui pede-se que se seja mais ousado e se desenhe no pavimento o traçado e os tampos do aqueduto, para que as pessoas associem e se saibam reconhecer os seus sítios de interesse histórico. Afinal, a UAUM tem os registos gráficos efectuados pela sua equipa de campo e que poderão servir para reconstituir a memória da conduta. É, no mínimo, uma solução barata e eficaz para assegurar a preservação da memória, porque nós temos ideias de como ajudar a valorizar o património.

Faremos seguir missiva com esta ideia para a CMB.

5 de abril de 2012

Confiança: Mais perto de um projecto

"Correio do Minho" 30/03/2012

"Diário do Minho" 30/03/2012

A Fábrica Confiança é dos imóveis que mais tem suscitado opiniões e ideias de valorização em Braga, nos últimos tempos. 


Desde que se falou na hipótese de a CMB adquirir este edifício e abrir um concurso de ideias à cidade, várias foram as pesquisas efectuadas nos motores de busca sobre este assunto e podemos dizer que o número de visitas ao blog da JovemCoop aumentou exponencialmente graças a este tema.


Na semana passada, após reunião do executivo, ficámos a saber que já foram encontradas as quatro propostas que irão dar corpo ao programa funcional que, por sua vez, induzirá o programa arquitectónico.


A ser levado a cabo este processo, sairá daqui uma vitória que ficará marcada na História de Braga...a vitória da participação pública e da preservação da memória de uma actividade e de um património (já) único em Braga.


Esperamos que o processo decorra normalmente e que se verifique que será, de facto, uma mais valia para a cidade e para os cidadãos e que não sejamos confrontados, no futuro, com mais um "esquema" obscuro de beneficiação de uma parte.


Até lá, a CMB e os condutores deste processo poderão contar com a JovemCoop para ajudar a instalar, com Confiança, uma mais valia para a cidade, na antiga Fábrica Confiança!


Braga: Propostas para Dinamização do Teatro Romano

"Diário do Minho" 31/03/2012


O Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa assistiu, no passado dia 30 de Março, a uma apresentação singular de várias propostas para valorizar o Teatro Romano de Braga.


Estes trabalhos, inscritos no curso de Estudos Avançados de Património Arquitectónico, da Universidade do Porto, fez avançar, com jovens arquitectos, várias ideias para, a partir de um vestígio arqueológico, e com a determinação de ter um mínimo de 500 lugares, instalações sanitárias/recepção e bastidores, projectarem um Teatro fruível pelo público.


Um exercício de excelência, onde foram apresentadas propostas fantásticas, bem fundamentadas, que provou que o Teatro Romano de Braga pode ser musealizado e valorizado a partir de um novo conceito arquitectónico, que permita dinamizar actividades naquele sítio.


As propostas destes estudos estão patentes no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa em maquetes e posters explicativos, até ao próximo dia 22 de Abril.


É curioso como a a Universidade do Porto "agarrou" um tema que há já muito devia ter sido colocado ao curso de arquitectura da Universidade do Minho, cuja instituição tem uma dependência afecta à arqueologia do Minho (e um pouco por todo o Portugal). Isto prova a pouca articulação entre os departamentos e as várias dependências da Universidade do Minho, que podiam conjugar esforços para encontrar modelos aplicáveis à cidade, mas que teimam em continuar em vivência isoladas. Perdem os alunos da UMinho, que continuarão a projectar cidades sem valorizar os seus alicerces históricos e os cidadãos que ficam inibidos de ter bons pensadores e executores (depois desenham-se propostas desenraizadas como as que vamos ter agora no Programa A Regenerar Braga)!  


14 de março de 2012

Regenerar Braga: A importância do património e o sector que a JovemCoop tem dinamizado

"Diário do Minho" 12/03/2012
"Correio do Minho" 12/03/2012

Quem, por hábito, vai lendo este blogue, sabe que temos vindo a defender, como ponto de honra, um maior investimento no sector do Património Cultural, como potenciador e dinamizador turístico e, consequentemente, financeiro.

Por inúmeras vezes, abordamos como o património mexe com o turismo (uma das únicas áreas económicas que não decresceu), como é factor diferenciador de identidade e como pode ser atractivo para captar a atenção dos visitantes.

Apelamos, desde o início do programa "A Regenerar Braga", que a CMB tivesse maior atenção ao património que poderia jazer nos locais a intervencionar, nomeadamente o Largo da Senhora-a-Branca, Largo dos Penedos e Rua de S. Vicente, Campo das Hortas e, por fim, o Largo Carlos Amarante (Shopping Santa Cruz e Igreja de Santa Cruz).

As intervenções, mesmo estando a cumprir os requisitos mínimos legais para proteger e/ou identificar o património arqueológico, parece não estar a pensar a integração, valorização e exploração dos recursos arqueológicos (veja-se o caso da Rua de S. Vicente, que ficará pedonal, mas não está previsto musealizar a conduta de água das Sete Fontes, Monumento Nacional).

A JovemCoop, sobretudo neste ano de Capital Europeia da Juventude, tem vindo a divulgar e a incentivar ao conhecimento do nosso património e das nossas heranças culturais.

Prova disso mesmo é a realização do Curso da História da Cidade de Braga, os Trilhos Medievais e Percursos Barrocos, a iniciativa de caminhar pelas Vias Romanas com "Todos os Caminhos Vão dar a Roma".

Ao lermos os artigos acima postados, leiam, com atenção, as partes sublinhadas a verde.
No artigo do Diário do Minho, o gerente de uma residencial no largo da Senhora-a-Branca diz participar numa formação sobre a História da Cidade de Braga para estar melhor preparado para informar os seus clientes que queiram conhecer as origens da cidade.
Já no artigo do Correio do Minho, os comerciantes afirmam a esperança de ver publicitada a Via do Ouro e vêem como útil integrar-se a Rua de S. Vicente em futuros circuitos de revisitação da Geira - curiosamente, fizemos o primeiro percurso de Todos os Caminhos vão dar a Bracara Augusta, precisamente pela Via XVIII no Sábado dia 25 de Fevereiro.

Não somos "avançados no tempo", nem temos "olho para o negócio", apenas constatamos as necessidades dos tempos presentes e damos resposta, bem sucedida, a julgar pela procura que temos tido nas nossas actividades.

Por isso, valorizar o património é uma necessidade urgente em Braga, reclamada pelos seus cidadãos.
Para reflexão...


9 de março de 2012

Sete Fontes: Intervenção Arqueológica a decorrer

Movimentações de terra que indicam trabalhos arqueológicos

Terrenos onde se abateram as árvores em Setembro 2011

"Diário do Minho" 24/09/2011

Iniciaram-se, esta semana, os trabalhos arqueológicos numa das parcelas das Sete Fontes.
Curiosamente, os terrenos que estão a ser intervencionados pela equipa de arqueologia são os mesmos onde se abateram, indiscriminadamente, árvores de copa frondosa e que alteraram, completamente, a paisagem no Complexo Monumental das Sete Fontes.

Lembrando que em Setembro do ano passado, o Presidente do Município afirmou que o proprietário iria realizar sondagens arqueológicas, é curioso que estas só estejam a ser feitas 6 meses depois, levando-nos a pensar que só após o abate das árvores e consequente embargo, foi instruído o processo.

Contudo, o facto de agora se estar a fazer sondagens arqueológicas é um sinal positivo e de grande confiança para os amigos das Sete Fontes, porque agora, de uma vez por todas, vão ser dissipadas as dúvidas quanto à inviabilidade de construir empreendimentos urbanos dentro da Zona Especial de Protecção.

A equipa responsável pela intervenção é afecta à Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho, entidade que há muito se debate com a necessidade de estudar melhor as Sete Fontes, tendo, em tempos passados, pedido que se alargasse o projecto de Salvamento de Bracara Augusta àquela zona.

Seguramente, que a UAUM em virtude dos trabalhos que estão a ser executados verificará a importância histórica daquele local e a ríqueza patrimonial do subsolo das Sete Fontes, como sensibilízará o proprietário que qualquer construção ali poderá afectar os lençóis de água e destruir a paisagem verde, o que substraíria a função técnica ao monumento, algo que a lei não permite.

Por isso, acreditamos que estamos perante excelentes notícias e que finalmente os estudos arqueológicos irão confirmar aquilo que temos vindo a afirmar...há cronologias mais latas no Vale das Sete Fontes, houve reaproveitamentos de materiais no Séc. XVIII e o subsolo daquela zona é uma "caixinha de surpresas".


Arqueologia - A Rua de S.Vicente e a Canalização Sete Fontes




No âmbito do Programa “A Regenerar Braga”, está a ser levada a cabo uma intervenção de requalificação no Largo dos Penedos e Rua de S. Vicente, cujas primeiras acções incidem, precisamente nesta rua.

A reformulação da rua, visando ampliar a área pedonal, inibirá a circulação automóvel no troço a jusante, fazendo ligação ao Largo dos Penedos.

Nestas obras de intervenção estavam previstas acções de acompanhamento arqueológico, sobretudo devido à passagem da Via XVIII por aquele local.

Contudo, ao iniciar a remoção da pavimentação em paralelo, foram descobertas umas lajes graníticas que pareciam perfazer cobertura de uma estrutura subterrânea. Procedendo ao levantamento destas cápeas de granito, a equipa de obras ter-se-á deparado com a existência de uma galeria subterrânea que acolhe e protege uma extensão considerável de canalizações de pedra para condições de água.

Pela morfologia e tecnologia destas condutas, bem como pelos conhecimentos históricos já aferidos, percebe-se que estamos perante um ramal de canalizações que ligava a Caixa de Água existente no adro da igreja de S. Vicente (Imóvel de Interesse Público Decreto 1/86) ao Chafariz existente na Praça Alexandre Herculano (Largo dos Penedos) e daí, seguramente com derivação para o Fontanário Público da Cárcova, existente no Largo de S. Francisco, num dos extremos da Arcada.

Esta condução de águas era proveniente do lugar das Sete Fontes através de um complexo sistema de engenharia hidráulica do Séc.XVIII, obra sob a égide de D. José de Bragança, arcebispo de Braga.

Obviamente que estes achados não são propriamente uma total surpresa dado que por volta dos anos 40-50 do século passado interrompeu-se a ligação entre as condutas de pedra e ligaram-se tubos de ferro para evitar perdas de água e facilitar a manutenção.

Prova disso mesmo é o facto de a tubagem em ferro ainda conduzir água e a presença do sistema de apoio da canalização férrea em elementos pétreos. Contudo, sabia-se que as condutas de pedra não tinham sido destruídas. Também a própria AGERE, sempre que necessário, faz intervenções para melhorar o abastecimento de água ou o escoamento das águas de saneamento, como prova a construção de uma caixa de saneamento que está situada entre condutas de pedra. E há cerca de dois ou três anos foram ali colocadas novas tubagens de cada lado dos passeios, bem como arranjaram os escoamentos das águas pluviais.

Contudo, a exposição deste achado, associado às Sete Fontes, imóvel classificado como Monumento Nacional, bem como as circunstâncias de, com esta intervenção, colocar aquela parte da Rua de S. Vicente pedonal, justificam a hipótese de musealizar e valorizar este troço de condutas.

Em primeiro lugar, acreditamos que a regeneração do Largo dos Penedos e parte jusante da Rua de S.Vicente poderá ser benéfica para a qualidade de vida dos cidadãos, bem como poderá incrementar uma melhoria urbanística na imagem da cidade.

Contudo, a perda do trânsito automóvel na Rua de S. Vicente poderá o efeito de afastar pessoas que diariamente por ali passavam. Retirando esta mais-valia, devemos poder criar outros benefícios que, a par da própria requalificação urbanística, atraiam as pessoas àquela rua. Ora, a fruição do património e os dividendos turísticos são cada vez maiores, quanto mais se investe na sua preservação e divulgação.

A prosperidade e o bem-estar da nossa cidade dependerá das ideias que tivermos evoluírem. Precisamos saber aproveitar as condições que se nos afiguram e fazer delas oportunidades, encontrar novas e revigorantes perspectivas. As nossas heranças culturais e as tecnologias artísticas não são algo acessório, são, também, uma forma de pensar e uma prática inovadora de trabalho com a realidade. Integrando mais amplamente a cultura no planeamento urbano, na política social e no desenvolvimento das empresas, podemos tornar as cidades muito mais sustentáveis do ponto de vista económico e também mais atraentes e agradáveis. (Elbaek, U. e Vassiliou, A.)

O troço de canalização, agora posto a descoberto, ganha maior motivo de interesse porque não se resume unicamente às peças de granito do Século XVIII.

As canalizações estão inseridas num sistema de galeria técnica subterrânea, que permite a circulação de uma pessoa para efectuar a manutenção às peças de canalização. Prova disso mesmo é o facto de as manilhas graníticas terem os pontos de acesso para manutenção (vulgarmente denominados por “raposos”) posicionados lateralmente e não no topo como se verifica nas Sete Fontes.

A tecnologia de colocar as manilhas graníticas de lado permitia que o funcionário circulasse na galeria, acedesse aos “raposos” e retirasse a vegetação e outros elementos que prejudicassem a qualidade e fluidez da água. Esta galeria técnica permitia proteger a condução de água, a passagem da pessoa responsável pela manutenção no seu interior, mas possibilitava, ainda o trânsito de pessoas e veículos à superfície, uma vez que esta estrutura estava coberta por lajes de granito, compondo a cota de circulação.

Assim, pelo exposto, solicitamos a V/ Ex.ª que se possa estudar uma forma de conservar, musealizar e fruir deste troço de canalização, que enaltece a memória de D. José de Bragança, arcebispo de Braga, pensador da cidade e da qualidade de vida dos cidadãos, bem como perpetua a profissão dos agueiros (responsáveis pela manutenção da condução de água) dos canteiros (operários que trabalhavam a pedra) e da própria toponímia do local (Largo dos Penedos, onde havia uma pedreira, e a Rua de S. Vicente que antigamente se chamava Rua dos Chãos de Cima, seguramente associado à existência de pisos em lajes de pedra).

Uma vez que a canalização e galeria estão posicionadas mais ou menos no eixo da via, estas podem ser conservadas se se mantiver a vala aberta, coberta com um material reforçado (tipo vidro/acrílico extremamente resistente) ou por uma grelha que permitisse quer a visualização para a cota inferior, quer permitisse a circulação das pessoas e de veículos excepcionais (moradores, veículos prioritários) à superfície.

Obviamente que esta sugestão carece de estudos mais aprofundados, sendo considerada apenas uma hipótese rudimentar, mas que acreditamos poder vir a trazer uma mais-valia nas políticas de conservação de valorização do património, bem como um substancial incremento turístico daquela zona da cidade.


A Cultura: a arte de rentabilizar os nossos valores

"Correio do Minho" 08/03/2012

Foi uma enorme surpresa ver publicado no Jornal Correio do Minho um texto da autoria de Uffe Elbaek, Ministro da Cultura da Dinamarca e de Androulla Vassiliou, Comissária Europeia da Educação, Cultura, Multilinguismo e Juventude, a propósito da vocação do sector cultural em poder ser um alicerce no combate à crise financeira.

Tocando em pontos que a própria JovemCoop vem defendendo há já algum tempo, interessa relembrar que a crise financeira não é uma crise cultural e que cada País deve poder rentabilizar as suas especificidades, mostrando que as diferenças, no meio de um mundo globalizado, são factores de interesse e de procura.

A Cultura, nos seus mais variados ramos, é uma forma de identificação e de destaque, que pode funcionar como alavanca ao desenvolvimento económico, sustentando uma estratégia de valorização das artes e do património no sector do turismo.

A procura tem sido grande e tem dado bons resultado. Braga, puxando o caso da nossa cidade, precisa de encontrar uma estratégia de valorização dos seus recursos e saber adoptar uma linguagem de comunicação e divulgação que seja atraente.

A Cultura Minhota e o património, em todas as áreas - arquitectónico, arqueológico, etnográfico, musical, ambiental, gastronómico, etc -  da nossa região pode e deve ser factor de competição com outras áreas, simplesmente porque temos argumentos para nos debater neste campo.

O "produto" é real e sério, só falta haver uma aposta sólida e com vontade de ser rentabilizada!