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26 de abril de 2016

Crónica "Os Cravos do Associativismo"



O dia 25 de Abril, mais precisamente o do ano de 1974 simboliza, de um modo intenso, o verdadeiro sentido da palavra liberdade. Liberdade, foi a grande herança que a Revolução dos Cravos deixou para todo o povo, e que quarenta e dois anos depois é vivida de forma inconsciente.
As reuniões secretas para discutir ideologias, a PIDE, os presos políticos e o “lápis azul” não passam hoje de relatos dos manuais de história onde as mais novas gerações não se reconhecem. No entanto esses relatos foram vividos e sentidos na primeira pessoa por uma grande parte da população que (re) lembra tempos em que viviam “sufocados” pelo regime. Já imaginou, hoje em dia, não poder expressar o seu ponto de vista livremente? Já pensou se o seu telemóvel fosse controlado e só algumas informações chegassem até si? Ou se as suas publicações nas redes sociais fossem censuradas? Se o acesso à internet, ou aos livros fosse condicionado? Noutros tempos, textos como este, já habitualmente escritos pela JovemCoop, seriam revistos, riscados, alterados caso necessário, porque não era permitido a nenhuma entidade expressar-se com ideologias que não fossem de encontro aos princípios do governo.
Hoje em dia, para nós, é natural expressarmo-nos e discordarmos de diversos assuntos publicamente, e quando nos criticam depressa argumentamos o nosso direito à liberdade de expressão. Contudo, nem sempre foi assim, este direito de liberdade devemo-lo a uma geração que há quarenta e dois anos atrás, não baixou os braços e “lutou” para que hoje tivéssemos essa liberdade. Essa geração, a quem muito devemos, teve uma ajuda fundamental para incrementar os ideais defendidos na revolução de Abril, o associativismo.
Nos tempos da ditadura o associativismo era oprimido. Raras foram as associações que perduraram durante o Estado Novo. Só após a queda do regime, consequência da revolução de 74, é que o associativismo floresce em massa, vindo assim reforçar todo o movimento existente na época. O associativismo surge assim como um praticante ativo da democracia. Por um lado este movimento vive a democracia desde a própria associação, como as eleições dos dirigentes ou com a tomada de decisões colectivas. Por outro, devido ao seu papel na sociedade como um agente que consciencializa e que dinamiza a vida dos cidadãos, o associativismo revelou-se uma ferramenta fundamental para a integração e a prática da democracia.
Deste modo percebemos que associativismo é hoje uma das casas da democracia, onde há uma grande liberdade para se reflectir sobre os mais diversos assuntos da sociedade. Hoje, felizmente abundam as associações, com os mais diversos objetivos e temas existindo assim inúmeras oportunidades para que qualquer pessoa tenha oportunidade de refletir e trocar ideias e experiências com pessoas que partilham os mesmos ideais. Assim, acreditamos que também o próximo dia 30 de Abril, tal como o dia 25 do mesmo mês, é um dia muito especial, pois comemora-se o Dia do Associativismo Jovem.

Deste modo, caro leitor, depois de reflectirmos sobre a importância do associativismo desafiamo-lo a juntar-se a uma associação e a dedicar uma parte do seu tempo em prol de uma cidade melhor.

22 de fevereiro de 2016

Bracarenses Apaixonam-se pelas Sete Fontes




Os jornais Diário do Minho e Correio do Minho, juntaram-se à iniciativa da JovemCoop e da Junta de Freguesia de S. Victor para comprovarem que mais de uma centena de bracarenses se deixaram apaixonar pelas Sete Fontes. 

A fasquia estava elevada pois garantimos que todos sairiam da atividade apaixonados por este monumento ímpar. É certo que muitos foram renovar os votos de um eterno amor, mas seguramente metade dos participantes ainda não conhecia "pessoalmente" as Sete Fontes. 

Esperamos que todos tenham vindo embora com o coração cheio, e com a sensação de que ainda há muito para fazer até termos o Parque Eco Monumental das Sete Fontes, um parque verde que Braga merece. 


10 de novembro de 2015

Edifícios bracarenses – que futuro?



Edifícios bracarenses – que futuro?


Caro Leitor,
Quem anda por Braga de cabeça erguida e com uma mente aberta para a imaginação e criatividade cruza-se com inúmeros edifícios aos quais daria um outro destino, uma outra função. Referimo-nos não só a edifícios devolutos mas também aos edifícios que estão em “funcionamento” e que ninguém compreende ao certo o que são ou fazem. Falamos especificamente no antigo edifício Francisco Sanches e no famoso edifício GNRation. Aparentemente são locais com pouco em comum, no entanto, apesar de distintos, ambos têm o seu destino por decifrar.
O antigo Quartel da GNR surgiu para ser um local de criação artística e para dar espaço ao desenvolvimento de atividades criativas. Contudo, quem observa de perto a vida deste edifício compreende, desde logo, a elevada variedade de utilidades que lhe é atribuída. Desde a agenda cultural que é divulgada ao público, que diverge entre concertos e exposições, existe ainda a Loja Europa Jovem, e os diversos apoios que o local dá, por exemplo ao Conselho Municipal da Juventude, que realiza lá todas as suas reuniões, albergando, ainda, os gabinetes dos vereadores da oposição, o gabinete do provedor do munícipe e o centro de recrutamento do exército. Acreditamos que dar um melhor aproveitamento ao edifício é realmente bom, mas que se deve seguir uma linha objectiva com as finalidades do imóvel, em vez de este servir para o que for preciso. Muitas são as pessoas que se devem questionar sobre a real utilidade do GNRation, o que realmente o define. No coração da cidade este é um dos melhores exemplos de restauro de um edifício. No entanto, após as suas portas abrirem perdeu a sua definição original, deixando de ser a prometida casa da juventude, para ser tudo e mais o que lá couber.
Diferente do GNRation é o antigo edifício da Escola Francisco Sanches. Ainda por restaurar o destino deste local já foi alvo de inúmeras discussões. Sabemos do interesse da Junta de Freguesia de S. Victor mudar para lá as suas instalações, mas nada mais se sabe acerca da recuperação e do futuro deste edifício. Para que não se repita o “erro” de criar um segundo GNRation na cidade, parece-nos prudente e necessário que se definam as linhas gerais que irão guiar este edifício. Só assim todos ficaremos esclarecidos sobre o funcionamento dos locais. Antes de se fazerem obras, é preciso definir o programa de conteúdos do edifício, sob pena de voltar tudo a caber dentro de um espaço onde se sobrepõem as iniciativas.
O destino de qualquer um destes dois imóveis pode ser variado, mas parece-nos fundamental que sejam traçadas linhas de organização, de modo a evitar que sejam investidos fundos e que depois os espaços fiquem vagos sem qualquer utilidade, servindo assim para diversos fins.
São inúmeros os desígnios que qualquer um destes locais poderia ter. Tal como já sugerimos anteriormente, falta à cidade um centro associativo, um local para todas as associações trabalharem, principalmente aquelas que se encontram em funcionamento e sem uma sede própria, sem um local para reunirem, para trabalharem, sem local para nascerem novas parcerias e novos projetos. Muitas associações reúnem em diversos locais e contam com a ajuda de vários parceiros para planearem e desenvolverem atividades, sem terem um local definido para o fazer. Seria interessante que, ao abrigo de uma vontade comum, surgisse o Centro Associativo ou a Casa das Associações, onde as associações pudessem partilhar recursos e ideias, contribuindo para a animação sócio-cultural da cidade.
Contudo é importante salvaguardamos que, apesar de tudo, é de louvar o restauro do GNRation e a preocupação com o Edifício da Escola Francisco Sanches, pois estes edificados centenários merecem ser requalificados, tornando-se “cartões de visita” da cidade. Neste lote de edifícios a requalificar, importa lembrar a Fábrica Confiança e a Escola D. Luis de Castro. O que sugeria o leitor para estes imóveis?

6 de janeiro de 2015

Crónica JovemCoop - Desejos para Braga

"Correio do Minho" 06/01/2015

Desejos para Braga

Com o início de 2015, aproveitamos esta primeira crónica para expressar alguns dos desejos que gostaríamos de ver concretizados.

Para este ano ansiamos que o Complexo Eco- Monumental das Sete Fontes continue a ser valorizado e que não parta para o esquecimento agora que as mães d’água estão restauradas. Quem já passou pelo espaço, concorda que o complexo merece ser transformado num parque da e para a cidade, pois, como sempre defendemos, Braga tem nas Sete Fontes um monumento impar do século XVIII, que pode ser um local excecional para todos os seus visitantes. Os primeiros passos para salvaguardar as Sete fontes estão dados, no entanto, é preciso assegurar as próximas etapas, de forma a garantir que este monumento nacional terá o seu devido reconhecimento.

Um futuro promissor para o Recolhimento de Santa Maria Madalena, mais conhecido como Casa das Convertidas, é também um dos nossos desejos para o ano que se inicia. Este espaço, classificado desde 2012 como Imóvel de Interesse Público, necessita de uma intervenção urgente devido ao seu avançado estado de degradação. Felizmente, durante 2014, as Convertidas foram um grande exemplo de como todos podemos contribuir para a mudança, pois, com a ajuda de um grupo de voluntários, este recolhimento, também do século XVIII, viu os seus pátios serem limpos, as suas obras inventariadas e ainda abriu as portas da capela para a realização das celebrações em honra da padroeira, no dia 22 de Julho. O futuro deste edifício, que une a Rua de S. Gonçalo com a Avenida Central, é uma incógnita que em muito nos preocupa, pois tem um elevado valor histórico para a cidade, que deve ser preservado.

Tal como a Casa das Convertidas, também a Fábrica Saboaria e Perfumaria Confiança vê no seu futuro uma grande incógnita. Na nossa opinião, este pedaço da história industrial da cidade deve ser preservado. Alvo de um concurso de projetos das quais saíram a mais variadas ideias, a Fábrica Confiança é, para nós, um dos edifícios a ter em conta em 2015, pois também se encontra num elevado estado de degradação e a sua reabilitação parece-nos urgente. Este é um espaço amplo que dá para responder a várias necessidades da cidade, devendo uma parte do mesmo ser dedicada à indústria que um dia fez a cidade viver.

No entanto, nem todos os edifícios estão em estado devoluto na nossa cidade. Como um bom exemplo de reabilitação urbana existe o edifício GNRation. Para 2015 gostaríamos de ver o GNRation mais vivo, mais ocupado, mais dedicado aos cidadãos. Se por um lado este edifício é um excelente exemplo de preservação, a sua utilização permanece indefinida, pois ainda não se percebe se é uma sala de espetáculos, uma galeria de arte, uma incubadora de empresas de tecnologia, uma dependência da CMB para atendimentos ao cidadão ou uma casa da juventude. Por esse motivo gostaríamos que, neste novo ano, este edifício fosse uma fábrica de atividades, abertas à cidade, mas com vocação definida.

Um centro associativo é também um dos nossos anseios para este ano. Quem nos conhece sabe que, desde há muito, desejamos ver em Braga um local onde se concentrem várias associações, onde a cooperação mútua seja estimulada, onde haja uma real partilha do mundo associativo. Cada vez mais Braga vive do seu associativismo e, por esse motivo, ele deve ser estimulado e valorizado. Ter um centro onde as associações podem partilhar recursos e experiências, incrementaria a lógica do trabalho em rede e as parcerias fariam de 2015 um ano excepcional para o associativismo. 

Durante o ano de celebração dos 35 anos, nada nos faria sentir mais realizados do que conseguirmos ter uma sede. Uma das grandes limitações da JovemCoop é não ter um espaço físico onde se possa instalar. E como tal desejamos que 2015 traga, juntamente com o centro associativo, um “cantinho” reservado à nossa associação que tenta acrescentar algo à cidade de Braga.


Por último e não menos importante, desejamos que Braga se torne cada vez mais bracarense, e que todos os seus habitantes vivam a cidade no seu melhor.


11 de junho de 2013

Crónica A Voz à Juventude (21) Revisões

"Correio do Minho" 11/06/2013

Revisões
Caro leitor,
aproximamo-nos a largos passos das férias, altura do ano em que fazemos questão de ter tempo para descansar corpo e mente. A máxima romana já dizia “mens sana in corporesano”, aludindo à necessidade de termos sempre as ideias clarividentes, para que também o corpo dê a melhor resposta.

Ao longo deste ano, tivemos a oportunidade de abordar vários temas que marcaram a agenda da cidade de Braga. Fazendo, sumariante uma revisão pelas crónicas, lembramos a necessidade de afirmar a identidade de Braga, a partir de uma aposta concreta e fundamentada nos elementos que nos distinguem de outras cidade.

Aqui abordou-se o Programa “Regenerar Braga”, bem como a necessidade de se promover intervenções conservativas nos monumentos de Braga, potenciando, ainda, a sua divulgação como elemento de atração turística. O turismo e as apostas que merecem ser concretizadas foram uma constante neste espaço de partilha, pois entendemos que este setor, mais do que de mero entretenimento, é uma áreaeconómica, que não dá sinais de estagnação e que pode ser alavanca de desenvolvimento para Braga. Entendemos que as forças vivas da cidade podem dar o seu contributo para a promoção da marca Braga e dar a conhecer o que de melhor se faz por cá.

O aproveitamento das sinergias locais, em prol da cidade de Braga foram , também, focadas aquando do espetáculo “Vozes numa Linha de Tempo”, promovido pelo Grupo Coral de Guadalupe, em colaboração com aBragaCEJ2012, enfatizando que em Braga há meios, há recursos, há vontade, logo tem de haver um melhor aproveitamento daquilo que é aqui construído.

E porque falamos de parcerias, o início do ano 2013 iniciou-se com a firme convicção de associações que pugnam por um ideal comum, trabalhando em rede, alcançam resultados surpreendentes. A JovemCoop e a Braga+ firmaram um acordo de cooperação que visa a promoção de atividades ligadas à cidadania, à cultura e ao património.

Desde então, além de reforçarmos as nossas atividades, temos vindo a crescer em número de associados e de responsabilidade para com a nossa cidade. Prova disso mesmo é a forma como temos vindo a lançar a discussão sobre assuntos de extrema importância para a cidade de Braga. Em debates/tertúlias abordámos, juntamente com os oradores convidados, o processo da Casa das Convertidas, cujo desfecho está a ser, no mínimo, surpreendente. Falámos, ainda, da Fábrica Confiança, que deu origem a duas sessões de discussão, uma primeira centrada no processo do passado e a segunda vocacionada para falar do futuro.

Tivemos a feliz oportunidade de discutir as Sete Fontes, onde foram oralmente firmados compromissos para aquele local e para toda a cidade. Amanhã, dia 12, iremos reunir-nos, com especialistas, no Museu de Arqueologia D. Diogo de Sousa, para abordar um outro tema que entrou bem na agenda política da cidade.

O Salvamento de Bracara Augusta e do património de Braga será discutido às 21h30 no maior museu da cidade. Em suma, quando se trabalha em rede, abraçando a cooperação e ouvindo os agentes da cidade, o resultado pode ser animador.

Quando os nossos textos vinham publicados na edição do Correio do Minho, várias pessoas faziam-nos chegar o seu feedback, a sua avaliação, ora concordando e incentivando, ora discordando e mostrando-nos outros pontos de vista.

Pensamos que é assim que se faz cidade, com abertura, com vontade para discutir, com a necessidade de saber ouvir. Findo o período de textos de autor, interrompidos para férias, deixo aqui o meu muito obrigado ao leitor por ter acompanhado estas crónicas nos últimos meses.

Em nome de toda a JovemCoope em meu nome pessoal, um agradecimento ao Sr. Diretor do Correio do Minho e a toda a sua equipa pela abertura aos textos da cidade e à partilha das ideias com a sociedade. Foi um enorme prazer fazer parte desta equipa.

Boas férias e até breve!



Com Confiança

"Correio do Minho" 08/06/2013

Quando se quer falar de questões sérias, há várias formas de o fazer, inclusivé omitir parte das narrações históricas. Podem-se encontrar mil argumentos, retira-los do contexto e fazer deles novas afirmações.
Há quem pense que isso é informação.
Sobre este assunto, convém lembrar o que foi debatido pela JovemCoop e pela Braga+:

http://jovemcoop.blogspot.pt/2013/01/uma-questao-de-confianca-o-primeiro.html

http://jovemcoop.blogspot.pt/2013/01/ainda-o-debate-sobre-fabrica-confianca.html

http://jovemcoop.blogspot.pt/2013/03/uma-questao-de-confianca-ii-o-que-foi.html

Escrito por jornalistas e firmado junto de auditórios repletos. Esta é a melhor argumentação para responder a quem quer desviar as atenções!


14 de maio de 2013

Crónica A Voz à Juventude (20) - Expropriações

"Correio do Minho" 14/05/2013




Expropriações

O executivo da Câmara Municipal de Braga votou, no passado dia 9, a expropriação urgente dos terrenos contíguos à Casa das Convertidas, para construir ali a nova Pousada da Juventude. Lembrámos que a primeira solução camarária para a Pousada era o Convento de S. Francisco (Real), chegando a CMB a elaborar o projeto de arquitetura e a realizar trabalhos arqueológicos (que custaram dinheiro aos cofres municipais) e submetendo uma candidatura ao QREN.
Em novembro de 2012, a JovemCoop e a Braga+ realizam um debate público sobre a Casa das Convertidas e, das várias opções lançadas no debate, a da Pousada da Juventude ganhou algum espaço privilegiado após o Sr. Vereador dar a indicação de que, se o Ministério da Administração Interna tivesse abertura para ceder o edifício, a CMB poderia localizar ali esse equipamento. Se, por um lado, esta atitude de auscultar a cidade foi louvável (como tem sido apanágio do Vereador Hugo Pires), por outro, lembrámos que esta ideia arrancou com dois anos de atraso e já com gastos efetuados em S. Francisco.
Sobre a Pousada e a sua localização, ninguém ouviu o Sr. Presidente da CMB falar até ao início de 2013, onde admitia que a Pousada viesse para a Casa das Convertidas e fizesse parte de um Plano de Reabilitação de Centro Histórico, recuperando as Convertidas e os imóveis contíguos. Da ideia à expropriação com caráter de urgência dos terrenos vizinhos passaram 3 meses e, nesse tempo, ninguém avançou com uma proposta de ideias, um desenho da Pousada ou dos equipamentos anexos, nem ninguém se lembrou se avaliar os terrenos. Em suma, o Presidente quer expropriar os terrenos, mas não sabe nem para quê, nem por quanto! Mas afinal, que ato de gestão é este? Além disso, veio-se a descobrir que os terrenos eram propriedade de um familiar do Sr. Presidente e que sobre os terrenos caíram já hipotecas avolumadas.
Um jornal de Braga referia que a CMB pretendia “adquirir por expropriação três artigos, cujo valor não é ainda conhecido, embora se trate do espaço com o maior valor por metro na cidade.
As obras no Monte Picoto avançaram, alicerçadas em expropriações urgentes, devido ao facto de justificar a execução da obra aos fundos comunitários; As expropriações nas franjas das Sete Fontes foram de caráter urgente para se construir a estrada do Hospital, permitindo acesso àquela unidade de saúde. Quando a cidade sugeriu que se expropriassem os terrenos do coração verde das Sete Fontes, para evitar que houvesse atos continuados de destruição do meio ambiente e do património, a resposta da CMB foi que não faria isso porque os terrenos eram muito caros – mas agora vai expropriar espaços com o maior valor por metro na cidade. As expropriações dos terrenos contíguos à Casa das Convertidas não assentam em qualquer explicação lógica, porque não há projeto, não há concursos, não há financiamento aprovado, não há nada a não ser um negócio nubloso.
Por muito que o Sr. Presidente da CMB alegue a transparência do processo, esquece-se de justificar a coerência e os gastos despropositados, sobretudo no ano em que o mesmo Sr. Presidente começou por enviar a mensagem de ano novo aos bracarenses dizendo:
Todos sabemos quão difícil está a ser o quotidiano de muitos dos nossos concidadãos, mormente daqueles economicamente menos favorecidos. Todos conhecemos o flagelo do desemprego que afeta grande número das famílias portuguesas e as suas consequências sociais. Todos damos conta de que a esperança em dias melhores morre a cada dia no coração de muitos de nós.". Por isso mesmo, solicito ao Sr. Presidente que, em vez de gastar dinheiro na expropriação dos terrenos vizinhos da Casa das Convertidas, aplique esse dinheiro em iniciativas e projetos de empreendedorismo e de ajuda à criação de emprego. Estou certo que os bracarenses agradecerão essa feliz ideia.
Crónica disponível em http://www.correiodominho.pt/cronicas.php?id=5125





16 de abril de 2013

Crónica A Voz à Juventude (19) Braga que corre mundo

"Correio do Minho" 16/04/2013
 

Braga que corre mundo

Li, há pouco tempo, no blogue Braga Maior, o post “A Braga que correu mundo”, dedicado a uma célebre gravura, do Séc. XVIII, que representa o Largo do Paço e que, frequentemente, vemos reproduzida nos locais mais insuspeitos e que, por banalidade, nos habituamos a passar por ela, sem saber as suas origens ou mesmo sem saber o que representa.

A primeira curiosidade desta gravura é que apresenta uma “cerca” em torno do Chafariz do Largo do Paço, algo que hoje não existe. Alguns investigadores afirmaram que esse murete nunca existiu, sendo um “acrescento” imaginativo do autor da gravura.

Felizmente, a nossa História está sempre pronta a ser reescrita, sobretudo por investigadores autodidatas, curiosos e amantes do passado. As redes sociais facilitam a disseminação dos elementos que vão surgindo. Um amigo partilhou, há pouco tempo, no facebook, uma imagem a preto e branco, bastante antiga, do Largo do Paço, onde ainda era possível ver esse murete. E assim, repôs-se um elemento da nossa história, desconhecida por muitos.

A segunda curiosidade desta imagem é que figurou no verso das notas de 500 escudos, entre os anos de 1981 e 1990. Verdadeiramente, esta imagem viajou por todo o país e, provavelmente, espalhou a imagem de Braga pelo mundo. Na parte da frente da nota, reproduzia-se o Mapa de Braun, outro documento histórico, de 1596, conhecido do grande público por, à semelhança da imagem do Largo do Paço, estar habitualmente afixado em estabelecimentos comerciais, habitações, escritórios, etc.

Este Mapa, que muitos associam à Braga do Arcebispo D. Diogo de Sousa, foi concebido à época de D. Frei Agostinho de Jesus, prelado de Braga entre 1588-1609, algo de que apenas me dei conta ao ler o blogue Braga Maior.

A par da imagem do Mapa de Braun, na nota de 500 escudos figurava o vulto de Francisco Sanches, personalidade do Renascimento, que terá sido batizado na Igreja de S. João do Souto em 1551.

Durante toda a sua infância viveu em Braga, na Rua do Souto. Frequentou o colégio bracarense de S. Paulo e foi aqui que tomou contacto com as primeiras fontes de conhecimento do homem e do mundo.
Ainda em tenra idade abandonou a cidade, partindo com o seu pai para França. Por volta de 1569, viajou para Itália, onde viveu alguns anos e formou-se em Filosofia e Medicina (indissociáveis no despontar do Renascimento).
Quando regressou a França, recebeu todos os graus académicos, na Faculdade de Medicina de Montpellier, desenvolvendo trabalhos noutras áreas científicas.

É no Largo S. João do Souto que a sociedade Bracarense presta homenagem a Francisco Sanches a partir de uma estátua.

Importa, pois, refletir que a emigração de potenciais quadros de valor não é um fenómeno da atualidade. Mas é certo que num período tão difícil para a conjuntura portuguesa, constitui-se, como desafio, travar a desmesurada fuga de “cérebros” nacionais para o estrangeiro, apostando, também na qualidade de ensino.

Afinal, Francisco Sanches deixou o seu nome legado a uma Escola que este ano celebra 40 anos de ensino. Aqui fica uma singela homenagem ao corpo docente, auxiliares e demais funcionários pelo empenho que depositam na instrução de uma nova geração.
Braga poderá voltar a correr mundo, não só através de gravuras, mas sobretudo pelos trabalhos que os alunos de hoje desenvolverão amanhã.

Convém realçar que as notas de 500 escudos foram um fantástico cartão de visita à nossa cidade, pelo que urge investir numa ação publicitária que provoque vontade aos turistas de conhecer a nossa cidade, o seu património e a sua cultura.

E porque falamos de património, convido o amigo leitor a estar presente no debate sobre as Sete Fontes que ocorrerá no próximo dia 18 (5ª feira), às 21h15, na Junta de Freguesia de S. Victor.


19 de março de 2013

Crónica A Voz à Juventude (18) Chorar as Pedras da Calçada

"Correio do Minho" 19/03/2013


Chorar as pedras da calçada

Ao abrigo do programa “A Regenerar Braga”, assistimos a uma completa operação cosmética da nossa cidade.
As vetustas pedras da calçada, as guias e lancis graníticos foram substituídos por elementos semelhantes, mas de pior qualidade. Hoje, em quase todas as praças e largos contemplados pela regeneração urbana, assistimos a lajes fraturadas, a buracos desmesurados, a automóveis a fazer desvios e a peões que soltam queixumes por terem enfiado o pé na armadilha.
Perante as queixas e as dúvidas dos cidadãos, o executivo municipal responde com “as obras ainda estão no período de garantia, por isso, compete às empresas substituir o material danificado”. Quem dá uma resposta destas, provavelmente não circula muito pelas áreas afetadas, dado que, sempre que as empresas procedem a obras de retificação dos materiais, têm de interromper ou desviar o trânsito, causando perturbações na normal circulação dos automóveis e peões.


Há pouco tempo, caminhava por uma rua do centro histórico, não contemplada por estas obras e reparei que algumas pedras que faziam de calçada eram, nada mais, nada menos, antigas canalizações de pedra, por onde circularia água, que a dada altura foram reaproveitadas para fazer passeios. Ainda era possível vislumbrar o local dos “raposos” (abertura por onde se efetuava a limpeza das canalizações), bem como a marca de talhe da pedra. E pensei para comigo, quantas das pedras dos nossos passeios possuem histórias tão longas como a História de Braga?! Andei mais uns metros e deparei-me com outras tantas pedras reutilizadas para passeios, que configuraram, a dada altura, elementos arquitetónicos de habitações. E rapidamente fui assaltado pelo pensamento: “ se esta pequena rua possui tantos elementos antigos, o que se terá perdido nas rua/praças/largos que foram alvo da regeneração urbana?”.
Ao lembrar-me que as pedras arrancadas à urbe foram colocadas em depósito numa freguesia de matriz rural, sem ainda lhes ser aventada uma nova utilização, fiquei com a sensação que o Município amputou uma pequena parte da História do Centro da Cidade, remendando-a com uma tentativa de reconstruir história, de inferior narrativa. Uma vez mais, dei comigo a pensar na falta de orgulho que o executivo municipal tem da História de Braga, não sabendo valorizar os elementos que tornam a nossa cidade numa identidade distinta de outras cidades.

Lembro que o património, arquitetónico ou arqueológico, mais ou menos monumental, possui uma História, algo que contado é único e permite dar a conhecer algo sobre nós mesmos. Mas mais de que uma atitude contemplativa, o património é fator de atração e ancoragem no vetor económico de uma cidade, porque mexe com outro setor que dá poucos sinais de contração: O turismo. O turista procura conhecer a cidade, a sua história e vai à procura do mapa, da sinalética, do museu, do hotel, do restaurante, da loja de recordações e usa algum meio de transporte. Isto mexe diretamente com a economia do país, que se traduz em postos de trabalho, em investimentos financeiros e em produção. Por outro lado, há a recompensa etérea de alguém que conheceu uma cidade, que gostou e voltou…por mais dias, com mais amigos e com mais vontade de conhecer o que ficou por descobrir da primeira vez.

E as pedras da nossa calçada, velhas, gastas e rompidas eram um fator de atração se fosse contada a sua história ao turista, ao visitante e, em primeira instância, ao cidadão e residente naquela rua.

Quem ama não deixa estragar, pois valoriza a sua identidade.

Quem não tem esta visão de cidade, e tem atitudes lesa memória, só pode, naturalmente, “fazer chorar as pedras da calçada”.

Artigo também disponivel no site do Correio do Minho!



19 de fevereiro de 2013

Crónica A Voz à Juventude (17) Braga Mais Cooperante

"Correio do Minho" 19/02/2013


Braga Mais Cooperante
No passado Sábado, dia 16, a JovemCoop e a associação Braga+, dando continuidade às atividades promovidas com a BragaCEJ2012, realizaram a primeira caminhada interpretada pelo património de Braga, intitulada “Percursos do Barroco – À descoberta de André Soares”. Aquando da organização desta atividade, pensámos que após três meses volvidos desde a última caminhada pelo património e história de Braga, teríamos uma participação mais modesta, pelo que abrimos seis dezenas de inscrições.
A nossa surpresa foi chegar à Praça do Município, local escolhido como ponto de encontro, e verificar que, além dos inscritos, tínhamos mais do dobro dos participantes inicialmente previstos. A todos quisemos acolher e dizer o nosso MUITO OBRIGADO por partilharem connosco a sua manhã de Sábado, na descoberta do património, desta feita pensado, desenhado e concebido por André Soares, génio do barroco, autodidata na área da arquitetura, que tanto marcou a nossa cidade.
O facto de termos tido uma participação extraordinária, envolvendo mais de cento e quarenta participantes, dá-nos ânimo para continuar a apostar no património de Braga, área tão desprezada por uns e, ao contrário do que muitos pensam, acarinhada por tantos. E esse gosto e carinho pelo património de Braga é algo que deveria ser semeado desde as gerações mais novas, para que crescessem com o sentimento de amar Braga, defender o que é nosso e querer divulgar a nossa marca identitária, aquilo que, de facto, nos distingue de outras cidades do resto do mundo. Passar na Praça do Município e olhar com atenção para a fachada do Antigo Paço Arquiepiscopal ou para a Casa da Câmara, conhecendo os pormenores arquitetónicos com o cunho de André Soares, torna-se uma experiência fantástica. O mesmo se sente no Oratório da N.ª Sr.ª da Torre ou na Casa Rolão (hoje Livraria Centésima Página). E, se não ficamos indiferentes ao génio de André Soares, vislumbrando a sua obra do exterior, é certo que ficamos ainda mais impregnados com a sua arte ao entrar no Palácio do Raio e na “mágica” Capela de N.ª Sr.ª da Aparecida, também conhecida como a Capela do Monge, dentro do edifício da Igreja dos Congregados.
No fim de passarmos nestes locais, muitas pessoas, que participaram neste primeiro Percurso do Barroco, partilhavam em voz alta, ou em registo individual, a sensação de entrar em alguns daqueles locais pela primeira vez e como se sentiam mais parte de Braga por agora conhecerem mais um pouco da sua História e terem contacto, em discurso direto, com os monumentos.
Não consigo exprimir em palavras o quão feliz me sinto por saber que a JovemCoop e a Braga+ têm conseguido cumprir a missão de dar a conhecer a história, de divulgar o nosso património, de criar sentimento de orgulho e pertença pelo que é de Braga, incentivando à defesa dos nossos legados monumentais, incrementando a participação cívica e, sobretudo, investir na Marca Braga. O nosso património pode, e deve, estar a usufruto da população, sendo rentabilizado a partir de uma estratégia de valor acrescentado, que se transforme num produto apetecível e procurado, não só por bracarenses, como por quem visita Braga. A nossa cidade tem capacidade para criar um produto distinto e atrativo, capaz de entrar bem nos mercados turísticos. Há que valorizar o Bom Jesus, o Sameiro e a Sé de Braga, mas incrementar o produto turístico com outros locais de superior interesse para a cultura de Braga e prestando a homenagem devida a Homens que se destacaram na conceção da cidade.
O protocolo firmado entre a JovemCoop e a Braga+ tem o intuito de reforçar a divulgação do Património de Braga e, ao contrário de que alguém disse em surdina, a Braga+ não nasceu para silenciar a JovemCoop, mas sim para reforçar a sua atuação. Afinal, juntos somos Mais Cultura, Mais Património e Mais Cidadania!






22 de janeiro de 2013

Crónica A Voz à Juventude (16) Santos da Casa não fazem Milagres

"Correio do Minho" 22/01/2013

Santos da casa não fazem milagres
Hoje é dia de S.Vicente, personagem da Igreja Católica, martirizado no Séc. IV aquando das Grandes Perseguições, instituídas pelo Imperador Diocleciano.
A festa de S.Vicente conheceu o seu “ponto alto” na noite passada, com o ritual das “fogueirinhas”, tradição que leva muitas pessoas à Igreja (a venerar o Santo e pedindo protecção, sobretudo para as crianças, contra a varíola), mas também ao adro da mesma, para momentos de convívio.
Aferimos, com preocupação, a necessidade expressa pela Irmandade de S.Vicente em proceder a obras de conservação do interior, lembrando que o edificado deste tesouro do barroco, monumento de interesse público desde 1986, se encontra bastante degradado.
No passado dia 20 celebrou-se, também, o dia de S. Sebastião. A História diz que este homem teria sido soldado romano e que era amigo dos cristãos. Por ser demasiado benevolente, o Imperador tê-lo-á condenado à morte, por disparo de flechas. Na modesta capela de S. Sebastião das Carvalheiras, mandada erigir, no presumível local onde se situava o Forum de Bracara Augusta, pelo arcebispo D. Rodrigo Moura Telles, encontra-se um rolo de cera, com o comprimento da antiga muralha medieval de Braga, que seria aceso sempre que houvesse sinais de fome, de guerra ou de peste. S. Sebastião das Carvalheiras é um templo pleno de história, de singular arquitectura e decorado com azulejos e pinturas. Também este templo apresenta evidentes sinais de degradação. A Irmandade afirma que precisa de ajuda para recuperar o templo e, se possível, envolver os jovens nesta missão.
Também no Domingo, pela iniciativa do jovem bracarense Leonardo Rodrigues, um grupo de cidadãos teve a oportunidade de visitar o recolhimento de Santa Maria Madalena, mais conhecido como a Casa das Convertidas. Durante esta visita foi possível observar o abandono do local, a degradação e o avançado estado de ruína de algumas divisões da Casa. Leonardo Rodrigues, por vontade própria e assumindo uma missão de cidadania, solicitou a visita, insistiu e persistiu até que os serviços do Ministério da Administração Interna autorizassem a visita, partilhando com os visitantes um pouco da história do local.
As Grandiosas Festas em Honra de N.ª Sr.ª da Piedade e S. Marçal, expressão popular que desapareceu nos finais da década de 70 do século passado, foram reeditadas em 2008, dando alguma visibilidade à Capela e ao Parque de Guadalupe. Tem-se assistido, desde então, a uma vontade crescente de dinamizar aquele espaço verde, tornando-o fruível para a cidade.
Em suma, muitas Igrejas e Capelas (bem como outros monumentos), fazem parte do nosso património e da nossa História, mas encontram-se com enormes carências financeiras, sendo incapazes de socorrer as mais prementes necessidades estruturais. Não podemos confiar na providência divina para arranjar uma solução, pois o que é obra do Homem, deve ser o Homem a dar garante da sua subsistência. O exemplo do Leonardo e da renovada comissão de festas de Guadalupe deve ser exemplo que prolifere como acto de cidadania, fazendo dos cidadãos os agentes proactivos da mudança para uma construção sustentada, defendendo e valorizando a nossa identidade. E aqui, a Igreja deve ser o “Bom Pastor” e auxiliar, dentro das suas possibilidades, o seu rebanho a edificar a obra. Mas deve, ainda, a Câmara Municipal participar no bom zelo do seu património, constituindo uma Carta do Património, identificando os riscos e prevendo medidas de valorização.
E porque se fala da importância das pessoas, hoje, dia 22, uma boa e de longa data amiga cumpre uma data festiva, celebrando mais um aniversário de vida. À minha amiga Mara, apoiante e conselheira, muitos parabéns.



5 de dezembro de 2012

Braga:Associações e Cidadania Activa

"Correio do Minho" 05/12/2012

Foi com agradável surpresa que hoje, folheando o jornal "Correio do Minho", encontramos, no espaço "Bom Dia", as palavras de José Paulo Silva.

Num atento comentário, em jeito de reflexão, José Paulo Silva expõe o importante papel das associações enquanto motor de uma cidadania activa, que participa na vida da cidade, que pretende mostrar outras opções e ajudar a encontrar soluções...para que o poder executivo não "trabalhe" sozinho e para que a população se sinta parte da cidade.

É com um sentimento de missão que se vai cumprindo que lemos estas honrosas palavras, é com sentimento de aprendizagem que lembramos o caso da ASPA, é com sentimento de partilha que vemos os movimentos de participação físicos e virtuais a multiplicarem-se. Há cerca de dois anos atrás, o nosso programa de actividades visava instigar a cidadania activa, dizendo que gostaríamos de ser uma "espécie de despertadores" para a mesma! É bom perceber que dois anos volvidos, vamos dando corpo a essa ideia.

Para que a cidade seja nossa e para todos. Obrigado José Paulo Silva pelas palavras que nos transmitem força e energia para continuarmos!


7 de novembro de 2012

Crónica A Voz à Juventude (14) Vozes

"Correio do Minho" 29/10/2012

A presente crónica foi escrita a pensar, concretamente, num evento balizado no tempo.

Mas a pertinência do texto pretende reforçar que a cooperação e o entendimento entre instituições e demais entidades podem criar valores acrescentados ao cenário cultural da cidade de Braga.


VOZES
A vida associativa reflete, quase sempre, os sonhos, as ideias, as determinações e os projetos de cada indivíduo que partilha esses ideais com os restantes associados.

No âmbito da Braga2012: Capital Europeia da Juventude, os “nossos amigos” do Grupo Coral de Guadalupe (GCG) propuseram realizar um espetáculo musical que retrate a vivência de um grupo, ao longo de uma linha de tempo. Este tempo de vida de uma coletividade não tem de se eternizar e os grupos só justificam a sua existência enquanto perseguirem uma missão e conseguirem concretizar os seus objetivos.

Mas todos os grupos, como associações, empresas e ideias têm um período de infância, isto é, um período de aprendizagem, de crescimento e encontrar um “lugar ao sol”. Tal como num percurso de vida, os grupos também têm um período de juventude, onde depositam as suas energias em prol das dinâmicas e da interação em sociedade.
A seguir ao período de maior dinamismo, vem o de consolidação de ideias, de maturação de projetos e de maior ponderação e equilíbrio, numa fase em que o grupo deve estar disponível para partilhar os ensinamentos e experiências.

No próximo sábado, dia 03 de novembro, o GCG  levará ao palco do Theatro Circo um espetáculo que permite divulgar alguns dos grupos de Braga, que produzem dos melhores projetos musicais da nossa cidade. Foram convidados para este evento, dois grupos de cariz infantil (o Coro Infantil do Externato Paulo VI e a ACIJE) para mostrar como desde a infância se pode dar o contributo válido na participação em grupo, dinamizando as crianças a serem o veículo da mensagem musical. Enquanto cantam, aprendem a viver em grupo e a respeitar o colega do lado, porque uma voz não se deve sobrepor à outra, mas trabalharem em cooperação.

Também os grupos jovens estarão presentes, destacando a participação do Grupo Coral Polifónico da Paróquia de S.Victor e do Grupo Apocalipse. Esta faixa etária visa mostrar o empenho e a energia que emana dos jovens que se põem à disposição da sociedade, sobretudo neste ano de BragaCEJ. Como convidados especiais, dando um cariz internacional a este evento, estará presente o Coro Cantemos, da localidade vizinha Ponteareias, vindos da Galiza, grupo esse que se desdobra de um grupo adulto, o Coral Obradoiro que já atuou em Braga num passado recente.

É precisamente com esta mensagem de partilha e de incentivo que chegamos à fase adulta, em que os Grupos devem refletir a sua experiência e impulsionar o aparecimento de novos grupos e coletividades que façam render os seus talentos.

Assim, fechando o espetáculo, o GCG irá dar enlevo às parcerias criadas ao longo dos seus 26 anos de existência e provando que um Coro de cariz litúrgico, sem nunca esquecer a sua principal missão, pode dinamizar e provocar vários momentos de cultura.

E melhor de que momentos de cultura singulares, são aqueles que ocorrem com fins solidários, algo que muito tem sido caro a este nosso grupo de amigos. Assim o é com os Reis Solidários, assim o é com a Missão “Tricotar o Natal” ou o “Põe Azeite”, sem esquecer as atuações do Dia Internacional do Idoso ou a Festa no Bairro da Freguesia de S.Victor.

O GCG também tem vindo a ser incentivado com as colaborações do Coro Porta Nova ou dos“Os Sinos da Sé” a descobrir que a música clássica, os espirituais negros ou a dança popular e folclórica são expressões culturais que enriquecem qualquer evento e promovem salutares momentos de convívio.

Tudo isto, será posto em palco no próximo dia 03, às 21h30 no Theatro Circo, em prol da cultura de Braga e da juventude da nossa cidade. Por isso aqui fica a sugestão e o convite…assistir a um momento de cultura musical para enraizar a cultura da partilha e da vivência comunitária.

Crónica publicada no "Correio do Minho" de 29/10/2012, também disponível em http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=4449



2 de outubro de 2012

Crónica A Voz à Juventude (13) As Modas de Braga

"Correio do Minho" 02/10/2012


As Modas de Braga

O Centro de Braga esteve em grande agitação, por estes dias, com várias iniciativas de destaque. A surpreendente “Moda em Movimento” estendeu passerelles pelas ruas comerciais e parou todos aqueles que por ali passavam. Numa atitude inovadora, a Associação Comercial de Braga (ACB) investiu na promoção do comércio a partir do desfile de modelos em frente aos estabelecimentos aderentes. Esta excelente ideia permitiu relançar o conceito de que as ruas do Centro histórico têm capacidade para ser um “centro comercial ao ar-livre”, associando ruas antigas ao melhor da moda local. A ACB merece um louvor por se empenhar na promoção dos agentes comerciais locais, defendo o melhor para a revitalização do tecido comercial e diligenciando atividades atrativas.
Celebrando o Dia Mundial do Turismo, a Câmara Municipal de Braga (CMB) realizou a Feira do Artesanato à qual associou a IV Feira à Moda Antiga e das Lavradeiras, recriando um quotidiano cronologicamente não muito distante, mas socialmente já muito distinto. Foi bonito reviver os usos e os costumes antigos, desde as danças, passando pelas bancas recheadas de produtos da terra. A par desta feira, a CMB realizou o Cortejo das Freguesias, possibilitando que várias das 62 autarquias pudessem mostrar o que melhor as caracteriza e evidencia.

Numa altura em que se discute a reforma administrativa das autarquias locais, e quando o Município de Braga contesta a proposta mas recusa avançar para qualquer solução (ou, quanto muito, para ações de auscultação e sensibilização da população) sente-se, neste cortejo, uma tentativa de dizer que as freguesias estão vivas, são dinâmicas e não merecem ser extintas. Os cidadãos de Braga aplaudiram a iniciativa. Os mais jovens ficaram a perceber como a sociedade e a cidade muito se transformaram nestas últimas décadas e os mais experimentados relembraram os tempos antigos (uns com mais saudades do que outros, é certo).

Um turista, que tenha assistido ao cortejo, poderia entender que Braga tem uma predominância não inovadora, pois muitas foram as freguesias que se apresentaram com recriações da vindima, da desfolhada ou a desfiar linho, com processos ancestrais. Raras foram as freguesias que fizeram questão de mostrar que além do passado, há um desenvolvimento emergente no seu território e que tão importante como as materialidades do passado é a perspetiva do futuro. Seria uma excelente altura para todas, a uma só voz, mostrarem as suas potencialidades e darem a perceber por que razões são distintas e não extintas.

A “moda” do antigamente sobrepôs-se ao presente e ao futuro e aquelas que se apresentaram ao desfile não mostraram que reveem no passado uma estratégia de desenvolvimento turístico para o futuro (sobretudo quando o cortejo estava inserido no Dia Mundial do Turismo).

Para reflexão do leitor: A propósito de “modas”, 3 freguesias recriaram a vivência dos seus povoados da Idade do Ferro, onde Esporões mostra um trabalho bastante desenvolvido e organizado. A freguesia de Lamas recriou a vivência em torno do recinto funerário da Mamoa do período Neolítico e Arentim desfilou uma recriação medieval. Parece irónico que, numa cidade que se diz de herança romana, nenhuma das freguesias, sobretudo as do centro histórico, se tenha apresentado aludindo aos vestígios patrimoniais ou históricos desta civilização que tanto marcou a morfologia da nossa cidade. Além do mais, não deixa de ser curioso como a História e o Património são cartão-de-visita das freguesias, numa cidade que não apresenta uma estratégia concertada para salvaguarda dos seus monumentos, nem tão pouco uma estratégia unificada para a sua promoção turística.

Crónica Publicada em: http://www.correiodominho.com/cronicas.php?id=4358
 



6 de setembro de 2012

Crónica A Voz à Juventude (12) Regenerar a nossa identidade

"Correio do Minho" 04/09/2012

Regenerar a Nossa Identidade

Bem-vindo ao mês de setembro e a um novo ciclo que se inicia ao preparar uma nova época escolar ou de nos reintegrarmos numa nova etapa da nossa vida profissional.

Numa atitude de reflexão, setembro é, para a vida social, o mesmo que o 1 de janeiro representa no ano civil. Pensar nas pequenas mudanças que queremos introduzir nas nossas vidas, os projetos que queremos abraçar e as metas que esperamos alcançar.


É neste espírito de ponderação que olhamos para as obras que estão a ser levadas a cabo ao abrigo do Programa ‘A Regenerar Braga’ e percebemos que os responsáveis pelas mesmas não aproveitaram para refletir como poderiam promover a cidade de Braga e as nossas heranças culturais.

Uma das premissas destas obras, inscritas no sitio da Internet do referido programa, afirma que “Os projetos de Requalificação Urbana são fundamentais para tornar Braga ainda mais atrativa tanto para quem nela vive, como para quem a visita e para quem nela quer investir”.
Quem vive na cidade parece desconhecer a real dimensão das obras. Basta caminhar pelas ruas da cidade e ouvir os nossos concidadãos dizerem que não sabem qual o desenho final das intervenções, quando estarão prontas as obras ou mesmo como se despende dinheiro em obras não prioritárias.


No caso dos potenciais investidores, haverá no Município um gabinete especializado que fa-culte uma análise SWOT (pontos forte, fracos, oportunidades e ameaças) e que incentive à implementação de um negócio viável, minimizando as probabilidade de investir “no escuro”?
Quanto a quem nos visita, qual a imagem que leva de Braga? A Sé Catedral ou o Bom Jesus? A Arcada ou o Arco da Porta Nova? Temos tantos símbolos iconográficos de Braga e não aproveitamos qualquer um deles. Salamanca (Espanha) usa o perfil da Catedral como imagem nos passeio da rua, tal como Mérida o faz com o desenho das portas romanas. Mérida realça ainda mais o seu orgulho colocando o mesmo símbolo nos candeeiros de iluminação pública.


E nós, que demonstração temos que somos herança de uma cidade histórica? Temos alguns monumentos mal divulgados, outros fechados e uma quase inexistente informação acessível ao público. Temos horários desadequados aos visitantes, sobretudo porque as estruturas sob a dependência municipal praticam o “horário das 9h às 17h”. 

A nossa cidade tem um Posto de Turismo localizado no coração da cidade que, apesar de aberto todos os dias, o mais tarde que encerra é às 18h30. E temos a Sala de espetáculos de Braga que teve as portas encerradas durante as últimas três semanas de agosto. 

A estratégia para acolher os visitantes é desajustada aos tempos atuais e as praças e ruas agora intervencionadas poderiam ser uma iniciação, ao ar-livre, à nossa história e à vivência da nossa cidade. Nos locais agora a regenerar, poder-se-ia optar por introduzir desenhos dos locais emblemáticos das 62 freguesias de Braga, poder-se-ia apostar na informação de rua e formalizar um percurso pelo centro, onde o visitante acederia a várias contextualizações históricas, dando a certeza que aí sim, estaríamos a proporcionar informação de qualidade e a regenerar a nossa imagem global e a nossa identidade una. ‘Regenerar Braga’ não devia ser só título de projeto, nem tão pouco apenas substituir calçada de cubo por pavimento lajeado, muitas vezes subtraindo espaços verdes à fruição pública (declaro-me preocupado com a possível diminuição dos espaços verdes na Avenida Central).

Regenerar Braga deveria ser a oportunidade para conquistar o orgulho dos bracarenses e o coração de quem nos visita, valorizando a nossa identidade.


Crónica publicada no "Correio do Minho" de 04/'09/2012 - também disponível aqui