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26 de abril de 2016

Crónica "Os Cravos do Associativismo"



O dia 25 de Abril, mais precisamente o do ano de 1974 simboliza, de um modo intenso, o verdadeiro sentido da palavra liberdade. Liberdade, foi a grande herança que a Revolução dos Cravos deixou para todo o povo, e que quarenta e dois anos depois é vivida de forma inconsciente.
As reuniões secretas para discutir ideologias, a PIDE, os presos políticos e o “lápis azul” não passam hoje de relatos dos manuais de história onde as mais novas gerações não se reconhecem. No entanto esses relatos foram vividos e sentidos na primeira pessoa por uma grande parte da população que (re) lembra tempos em que viviam “sufocados” pelo regime. Já imaginou, hoje em dia, não poder expressar o seu ponto de vista livremente? Já pensou se o seu telemóvel fosse controlado e só algumas informações chegassem até si? Ou se as suas publicações nas redes sociais fossem censuradas? Se o acesso à internet, ou aos livros fosse condicionado? Noutros tempos, textos como este, já habitualmente escritos pela JovemCoop, seriam revistos, riscados, alterados caso necessário, porque não era permitido a nenhuma entidade expressar-se com ideologias que não fossem de encontro aos princípios do governo.
Hoje em dia, para nós, é natural expressarmo-nos e discordarmos de diversos assuntos publicamente, e quando nos criticam depressa argumentamos o nosso direito à liberdade de expressão. Contudo, nem sempre foi assim, este direito de liberdade devemo-lo a uma geração que há quarenta e dois anos atrás, não baixou os braços e “lutou” para que hoje tivéssemos essa liberdade. Essa geração, a quem muito devemos, teve uma ajuda fundamental para incrementar os ideais defendidos na revolução de Abril, o associativismo.
Nos tempos da ditadura o associativismo era oprimido. Raras foram as associações que perduraram durante o Estado Novo. Só após a queda do regime, consequência da revolução de 74, é que o associativismo floresce em massa, vindo assim reforçar todo o movimento existente na época. O associativismo surge assim como um praticante ativo da democracia. Por um lado este movimento vive a democracia desde a própria associação, como as eleições dos dirigentes ou com a tomada de decisões colectivas. Por outro, devido ao seu papel na sociedade como um agente que consciencializa e que dinamiza a vida dos cidadãos, o associativismo revelou-se uma ferramenta fundamental para a integração e a prática da democracia.
Deste modo percebemos que associativismo é hoje uma das casas da democracia, onde há uma grande liberdade para se reflectir sobre os mais diversos assuntos da sociedade. Hoje, felizmente abundam as associações, com os mais diversos objetivos e temas existindo assim inúmeras oportunidades para que qualquer pessoa tenha oportunidade de refletir e trocar ideias e experiências com pessoas que partilham os mesmos ideais. Assim, acreditamos que também o próximo dia 30 de Abril, tal como o dia 25 do mesmo mês, é um dia muito especial, pois comemora-se o Dia do Associativismo Jovem.

Deste modo, caro leitor, depois de reflectirmos sobre a importância do associativismo desafiamo-lo a juntar-se a uma associação e a dedicar uma parte do seu tempo em prol de uma cidade melhor.

22 de fevereiro de 2012

Crónica A Voz à Juventude (7) Tirar a Máscara para cuidar de Braga!

"Correio do Minho" 21/02/2012


Tirar a máscara para cuidar de Braga
Hoje é dia de Carnaval.

Esta celebração, além do caracter lúdico que tem, serve dois objetivos distintos. O primeiro é a diversão, aproveitar um tempo de paródia para expurgar tristezas e encorpar folias de que somos privados no quotidiano quando estamos a estudar ou a trabalhar. O segundo objetivo visa escondermo-nos da realidade e assumirmos uma identidade diferente, transportando-nos para um imaginário alternativo, em que os fracos são fortes, os homens são mulheres, em que as crianças são adultos e os adultos podem ser super-heróis e/ou personagens monstruosas e assustadoras. Quando escondemos a cara, somos quem nos apetece ser, temos a liberdade para dizer o que nos vai na alma e agimos conforme queremos. E toda esta liberdade põe em risco a própria liberdade. Permitam-me dizer que nada melhor que o Carnaval para relembrar algumas coisas que me parecem estranhas, verdadeiros dislates mascarados de tom sério, que atentam contra a moral da causa pública.

Fomos brindados com a fragilidade do pensamento construtivo da cidade, quando finalmente se admitiu que as Piscinas Olímpicas do Parque Norte nunca mais o serão, tendo em conta que após oito milhões de euros gastos e muitos anos depois pode haver a hipótese de entregar a estrutura inacabada à iniciativa privada. Correram notícias nos órgãos de comunicação social e houve pedidos de esclarecimento. Assisti, com alguma admiração, a um vídeo de uma conferência de imprensa no fim de uma reunião de executivo da Câmara em que o Senhor Presidente disse que nada mais tinha a dizer sobre o assunto e que tinha sido muito claro na sua mensagem sobre as Piscinas.
Na mesma altura, abriu mais um fosso na cultura social da nossa cidade quando afirmou que em Braga os sem abrigos só o são porque querem, contrapondo a afirmação de um sem-abrigo que a um repórter afirmou não ter para onde ir.

E se uns não têm sorte e não vão podendo escolher o fado da sua vida, choca-me que muitas pessoas façam verdadeiros murais de lamento sobre a morte de uma popular cantora norte-americana que, não cuidando a sua vida, entrou em processo degenerativo que culminou com o seu aparecimento inanimado numa banheira de um quarto de hotel. Lamento a sina que escolheu, mas teve nas suas mãos a capacidade de inverter o caos em que mergulhou. Incomoda-me o facto de se tributarem homenagens multiplicadas infinitamente a esta cantora pois além de não acreditar na idolatria gratuita de endeusar as pessoas, parece-me estranho que poucos bracarenses tenham ficado incomodados com esta falta de “cuidar do próximo e cuidar da cidade”.

Todos somos humanos, todos cometemos equívocos e todos devemos ter oportunidade para pedir desculpa e emendar as opções erradas que vamos tomando, tendo por objetivo proporcionar o bem “ ao nosso próximo”. Nitidamente, esta referência bíblica ganha expressão quando temos a assunção de querer fazer mais pela causa pública, de forma clara. O não esconder a cara em alturas de crise é assumir que o “próximo” pode ser qualquer um de nós e preocupante é a pobreza envergonhada que nos levou a um falso estilo de vida e que conduziu o país ao sobreendividamento. E noto aqui o meu espanto ao ouvir que há uma primeira geração de pais que contraem dívidas para sustentar filhos com idade para serem financeiramente independentes e que estando desempregados, não têm como sustentar os seus próprios filhos (de forma simples, os avôs cuidam dos filhos e dos netos).

Falamos de crise, falamos da necessidade de assistência às pessoas e, tanto quanto me parece, Braga está mais interessada em discutir as candidaturas dos hipotéticos candidatos à Câmara de Braga. Mas assim sendo, então que os próximos candidatos se preocupem em demonstrar uma postura mais humana e mais preocupada com as pessoas, porque em tempos de crise, há que dar valor às coisas em vez de estar preocupado com o preço delas (lembrando um pensamento do Prof. Adriano Moreira). Em dia de carnaval, rogo para que se tire a máscara do comodismo e que se invista na cidade social, porque no carnaval e no resto do ano ninguém pode levar a mal querer uma cidade melhor!

Esta crónica pode ser lida no site do Jornal "Correio do Minho"!



24 de janeiro de 2012

Crónica A Voz à Juventude (6) Jovens Construtores da Cidade

"Correio do Minho" 24/01/2012


Jovens Construtores da Cidade…e do País
É de comum senso que a região do Minho vive dias de entusiasmo com a inauguração das duas capitais europeias, sendo a cidade de Guimarães um polo de atracção e orgulho na vertente da cultura e a cidade de Braga um aglutinador das dinâmicas da Juventude.
Imune a este estado efusivo parece estar o restante país, devido aos mais que anunciados tempos difíceis que Portugal vive, consequência de uma crise internacional, que se abateu sobre quase todas as grandes economias.
Assumidamente, o nosso país não vive dias fáceis e, a um ritmo alucinante, anunciam-se cortes e restrições em nome de uma forte disciplina e poupança para o Estado Central. A consequência disto é assistirmos a estratégias de grandes grupos comerciais que deslocam serviços e/ou moradas fiscais para outros países menos austeros na carga fiscal. Contudo, aquilo que tem sido tema de conversas mais ou menos fervorosas por estes dias, são os exemplos que os nossos agentes políticos transparecem para a restante sociedade, dando a impressão que o povo pagará a crise à custa dos seus sacrifícios, isentando de obrigações quem tem a seu cargo a governação do País.
Os episódios das trocas de viatura, em que o caso mais expressivo foi o da chegada do Ministro a Solidariedade Social de Vespa, aquando da tomada de posse, para de seguida solicitar uma cara viatura automóvel, ou o facto de uma deputada (certo que sem carro próprio e sem habilitação para conduzir) imputar à Assembleia da República a sua deslocação no âmbito de uma actividade não cabimentada nessa estrutura, ou as recentes declarações do Presidente da República que não sabe se as suas despesas conseguem ser suportadas pelas remunerações a que tem direito (muito superiores à de um cidadão comum, quer as despesas, quer as remunerações), levam-nos a pensar que os nossos actores políticos ou não são solidários connosco ou não têm consciência das várias constrições que pedem ao povo.
Por isso, há que pensar no país, na cidade e nos agentes gestores da causa pública que queremos (e merecemos) a gerir os nossos destinos.
Há uma rubrica no Programa da Capital Europeia da Juventude que muito me toca e na qual deposito grandes expectativas. “O projecto Youth City Makers pretende convocar os jovens para a vida política, incentivando o diálogo entre decisores políticos, organizações de juventude e jovens, fazendo uso da participação e da criatividade como ferramentas de análise das políticas públicas.” – in “Agenda Braga 2012,Capital Europeia da Juventude”.
Creio que não poderia vir em melhor altura esta chamada de atenção, que pretende envolver os jovens nas decisões estratégicas na vivência de uma cidade. A construção de uma cidade e de um país faz-se pela maior proximidade dos cidadãos juntos dos governantes, construindo uma cidadania participada e partilhada. O termo “política” encontra a sua raíz na Polis da antiga Grécia, onde os cidadãos eram chamados a participar nos cargos de gestão e administração, de forma alternada, para ajudar a encontrar as melhores opções de desenvolvimento da sua localidade. Hoje confunde-se a política com os partidos políticos, os quais estamos habituados a eleger durante uma legislatura e a depositar a responsabilidade de gerir os nossos destinos. Mas não nos devemos distanciar, durante essa legislatura, das nossas responsabilidades. A cidade e o país constroem-se na base do diálogo entre os vários interlocutores, não podendo nós afastar-nos das nossas obrigações, nem deixando os agentes representativos de um poder partidário fazer o que lhes é mais conveniente.
Por isso, em jeito de apelo, devemos estar atentos e participar nas acções do Youth City Makers, para podermos desenvolver e melhorar a nossa forma de participação e ajudar a prevenir que casos como os supracitados se repitam. Nesta lógica de construção democrática do país, todos temos de ser os operários, mas também os dirigentes dessa obra. Talvez assim, se restabeleça a confiança no País. E, por falar em Confiança, decorre até ao final do mês o Concurso de Ideias para a reabilitação desta antiga Fábrica. Participe!!!





3 de janeiro de 2012

CEJ2012:Convite para DIA 07.JAN.2012


"Diário do Minho" 03/01/2012

Nós estaremos lá para a assistir à apresentação do Programa do evento maior de Braga neste ano.
Esta apresentação é aberta a todo o público reiterando o convite à participação de todos os jovens cooperantes. 

27 de dezembro de 2011

Crónica A Voz à Juventude (5) Uma simples mensagem de Natal

"Correio do Minho" 27/12/2011

Uma simples mensagem de Natal!
Caro Leitor, desejo que tenha passado um excelente Natal e que o ambiente que se vive nesta quadra se estenda ao longo do próximo ano.
É um facto que, em época natalícia, as pessoas abrem o seu coração, tendem a ser mais generosas e a partilhar acções de solidariedade. Um recente anúncio de uma marca de refrigerantes assinala isso mesmo:em ano de crise, as doações alimentares aumentaram cerca de 30%. Há uma máxima generalizada de que o Natal devia ser todos os dias ou quando um Homem quiser! Acredito que os Homens quererão uma sociedade melhor, onde todos procuram o seu lugar ao sol, um lugar onde há união nas famílias, amor, saúde, paz, acesso a empregos, justiça social, enfim, uma vida estável para cada indivíduo. Este é o sentimento de Natal que devia ser replicado todos os dias. Contudo, há quem prefira que o Natal seja o Natal comercial, onde se investe em presentes ou se compete pelas melhores prendas e se instiga as crianças a contar o número de oferendas que o “pai-natal” trouxe. As prendas não devem ser uma forma para “comprar” a atenção ou “perdoar” ausências, mas sim para assinalar a data de uma mensagem de simplicidade.
E quando as prendas são simples, ficamos a ganhar com o conteúdo. A recente publicação em Diário da República da homologação da Casa/Recolhimento das Convertidas foi um excelente presente do Estado Central a todos os bracarenses. Esta classificação, que era aguardada há mais de 12 anos, vem agora revestida de uma Zona Especial de Protecção e poderá ser um instrumento eficaz para proteger toda uma traça arquitectónica do topo norte da Av.Central que corria riscos de se perder, devido à forte especulação imobiliária e que pode ainda contribuir para padronizar as intervenções ao abrigo do programa “Regenerar Braga”.
O desafio que a cidade de Braga enfrenta no próximo ano será um marco na história da nossa urbe, pois além da regeneração do edificado urbano é preciso ter em atenção as preocupações sociais da população. A qualidade de vida dos cidadãos, em ano de crise, terá de centrar a atenção dos nossos autarcas, pois dado ao aumento da carga fiscal e a perda de poder financeiro forçará uma contracção de investimentos, obrigando a repensar a estratégia para a cidade.
O facto de no próximo ano Braga acolher a Capital Europeia da Juventude pode ser uma realização simples para dotar os jovens de ferramentas para investirem na sua formação, conhecer novas áreas de saber, entrar em contacto com novas culturas e desenvolverem competências educacionais, de configuração não formal, mas que imbuem o jovem de aprendizagem, dando-lhe “bagagem” para enfrentar novos desafios e participar activamente na vida da sua cidade.
Não podemos aceitar é que nos prometam uma coisa e nos dêem outra. Aquando da tomada de posse da direcção da entidade gestora da Braga CEJ, ficou definido que os elementos da Administração não seriam remunerados. Foi surpresa quando um órgão de comunicação local, há pouco tempo, evidenciou que um dos elementos da administração aufere, na CEJ, um montante digno de um assessor parlamentar. É questionável que o evento inaugural da CEJ seja realizado por uma empresa contratada, não recorrendo ao potencial máximo das associações que deveriam estar envolvidas nessa realização. Parece lamentável que até esta data se oiçam rumores de grandes eventos musicais, patrocinados por um canal de televisão temático, sem se divulgarem os seminários, conferências, workshops e outros acontecimentos que trarão maiores dividendos para a população que carece de mais (in)formação para competir num mercado desequilibrado, mediante um panorama obscuro. Há que pensar na cidade e nos seus cidadãos. É preciso que sejamos comedidos nos investimentos, pensá-los à escala das nossas necessidades e optimizar os recursos humanos e logísticos. Se a nossa geração precisa de emprego, para não ser convidada a emigrar e fomentar a consciência cívica, então que sejam essas as linhas fortes da CEJ.
Esta é, claro, a mensagem do Natal…simplicidade e preocupação com o bem-estar do nosso próximo, cuidando para que haja maior qualidade de vida, sem aproveitamentos próprios. Em nome de toda a JovemCoop, e em meu nome particular, faço votos de que 2012 seja um ano solidário e com grande participação da Juventude.





29 de novembro de 2011

Crónica A Voz à Juventude (4) Correio do Minho

"Correio do Minho" 29/11/2011



JOVENS DE BRAGA TERÃO “CONFIANÇA”



Aproximando-se o Natal, os bracarenses foram brindados com um presente por parte da autarquia. O executivo municipal aprovou a compra das instalações da antiga Fábrica Confiança, imóvel com uma forte presença na Rua Nova de Santa Cruz.


Esta compra foi aprovada com exaltação positiva, por parte de uns, e olhada com forte desconfiança, por outros. Percebe-se, naturalmente, o porquê desta desconfiança.


Em tempos de crise financeira e sabendo que o nosso município se prepara para investir fortemente num programa de regeneração urbana alicerçada no Centro Histórico de Braga e Zona dos Galos, deduz-se que haverá uma forte comparticipação dos fundos comunitários, da qual não se pode esquecer a contrapartida nacional, que a julgar pelos montantes do projecto será, com certeza, elevada. E fica a dúvida no ar…terá a CMB saúde financeira para realizar tantos projectos? É que além dos investimentos a realizar no âmbito do Centro Histórico, temos ainda aqueles que serão realizados ao abrigo da Capital Europeia da Juventude 2012 (a Pousada da Juventude em Real e o GeNeRation no antigo Quartel da GNR).


Se somarmos a estes investimentos o montante que a autarquia paga pelo Novo Estádio de Braga e as Piscinas Olímpicas do Parque Norte, cuja estrutura começou a ser construída, mas que já se afigura como uma obra de Santa Engrácia, só podemos prever que há uma dotação financeira muito grande, alicerçada no esforço dos contribuintes, que têm de pagar taxas elevadas nos impostos municipais.


Obviamente que queremos que Braga seja uma cidade dinâmica e competitiva, mas os resultados futuros têm de ser à escala dos sacrifícios cometidos no presente.


No último Sábado, o senhor Ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares afirmou que Portugal tem hoje a geração melhor preparada para enfrentar o mercado de trabalho, mas curiosamente incentivou esta mesma geração a abrir portas à sua inserção na laboração no estrangeiro, pois reconhece que o País hoje não comporta muitas hipóteses de empregabilidade.


Se por um lado é desmotivador encarar esta realidade – os sucessivos governos apostaram em subir os rankings da educação para agradar à Europa, mas esqueceram-se de dotar o país de condições para albergar os novos trabalhadores – por outro lado é preferível não termos de viver com ilusões. Portugal poderá vir a contar com os jovens, mas para já, não tem hipótese de lhes garantir sustento.


E naturalmente reflectimos…então Braga está a regenerar-se para quê? Para o ano Braga vai ser Capital Europeia da Juventude para quem? Perante as adversidades não podem os jovens desistir e há que fazer aquilo que os jovens fazem bem – ser criativos, determinantes e lutadores. Quem ler as revistas generalistas semanais, percebe que estes títulos usam recorrentemente da temática dos “novos negócios” e de “desempregados a patrões”, isto é, há que saber ler o mercado, pesquisar financiamentos e investir numa oportunidade. As revistas não costumam falar das tentativas falhadas, mas claro que quem investir tem de ter consciência do risco. Mas há, pelo menos, uma janela que se abre no panorama obscuro. E aí, a criação de negócios, que sejam alocados num imóvel tipo “Incubadora de Empresas”, “Business Factory” ou “Indústrias Criativas”, em pleno centro histórico reabilitado facilitará a progressão dos novos investidores. E aqui, poderá diminuir a esperança de termos de assistir a um novo fluxo migratório. E aqui, a CMB está a agir correctamente se estiver a preparar Braga com estruturas e eventos para dotar os jovens de ferramentas para competirem profissionalmente. E aqui, as antigas instalações da Fábrica Confiança depois de reabilitadas podem ser um excelente local para assentar jovens com vontade de fazer prosperar o seu país. Só precisamos que os gestores de Braga saibam gerir a cidade com a vontade de fazer um óptimo serviço público, no agora e para o futuro.

disponível também no site do Correio do Minho!



2 de novembro de 2011

Crónica A Voz à Juventude (3) Correio do Minho

"Correio do Minho" 01/11/2011



PLANEAR BRAGA PARA EVITAR “O FIM DO MUNDO”!

Se o meu amigo leitor está a ler esta crónica, então o mundo não acabou no passado dia 21, conforme Harold Camping havia vaticinado. Mas acredito que muitos portugueses, em geral e os bracarenses, em particular, tenham achado que o fim do mundo estava próximo, aquando das longas chuvadas do dia 26.


A cidade de Braga ficou “mergulhada” no caos e assistimos a infindáveis filas de trânsito, onde ambulâncias furavam com muita dificuldade e pais, com filhos no carro, se viam desesperados para acalmar os seus rebentos.


Se o mau tempo tem destas contrariedades e não se pode assacar responsabilidades a S. Pedro, certo é que os efeitos das intempéries poderiam ser minimizados se a nossa cidade tivesse crescido a um ritmo que permitisse aplicar, de forma correcta, os instrumentos de Ordenamento e Planeamento (não fazendo destas meras figuras ilustrativas).


Na verdade, hoje pagamos o erro de se ter deixado construir imóveis nos leitos de cheia do Rio Este (são corredores de protecção que deveriam estar livres para serem ocupados quando o caudal do rio sobre). Torna-se claro que estando estes leitos ocupados, o rio invade-os de igual forma, pelo que causa estragos incalculáveis. Se é agradável morar em cima do rio? Acredito que deve ser interessante, mas se se devia ter permitido? Creio que hoje todos os moradores afectados estarão de acordo que não é a melhor opção. Afinal, se o Homem invade racionalmente o território da natureza, certo é que a natureza não será tão clarividente em não invadir algo que é seu…por natureza!


É, ainda, recorrente, em dias de chuva, os túneis da cidade de Braga ficarem alagados e intransitáveis. Ora isto dá-se devido às acentuadas pendentes destas estruturas, havendo um claro défice de escoamento, o que permite concentrar as águas e transformar os túneis em verdadeiras piscinas (não deixa de ser engraçado como a natureza encarrega-se de fazer piscinas em Braga, quando a Piscina Olímpica do alegado Parque Norte continua estagnada).


As estratégias para a cidade ficam rubricadas na carta de ordenamento, pertencentes ao Plano Director Municipal. Um melhor ordenamento do território evitaria esta luta de titãs, onde se digladiam Homem versus Natureza.


Sabemos que as forças da Natureza são difíceis de controlar, pelo que deviamo-nos preocupar em minimizar os seus impactos. Relembro que com as chuvadas do dia 26, voaram telhas da Casa/Recolhimento das Convertidas, entre a Av.Central e a Rua de S. Gonçalo. Numa zona central da cidade, onde passam milhares de pessoas diariamente e onde existe uma escola que alberga crianças e adolescentes, imaginem se à hora da saída das aulas as telhas caíssem em cima dos jovens? E enquanto não se restituem as telhas, dão-se mais infiltrações no edifício histórico, promovendo uma célere destruição deste imóvel histórico. Não minimizando os efeitos, podemos perder vidas humanas e património legado por um dos maiores humanistas do Séc.XVIII de Braga, D. Rodrigo Moura Telles. Torna-se urgente converter a Casa das Convertidas num espaço requalificado e aberto ao público.


Outro local que necessita de um bom Planeamento e que carece de um forte conceito de Ordenamento é a zona das Sete Fontes. Uma zona de água onde se prevê uma forte componente construtiva poderá vir a sofrer os mesmos destinos das construções na zona do rio Este. E impermeabilizar os solos e reduzir as espécies arbóreas tornará Braga uma cidade mais quente no Verão e com forte possibilidade de inundação nos dias de chuva. Por isso, convido o amigo leitor a participar na Discussão Pública, no próximo dia 4 de Novembro, às 21h30 na Junta de Freguesia de S. Victor sobre o Plano de Pormenor para as Sete Fontes. Todos juntos poderemos pensar uma cidade amiga da natureza e com maior qualidade de vida para os seus habitantes, sem estarmos preocupados com o fim do mundo.


4 de outubro de 2011

Crónica A Voz à Juventude (2) Correio do Minho

"Correio do Minho" 04/10/2011
TURISMO, PATRIMÓNIO E “EXEMPLOS”


Caro leitor, notícias recentes dão conta do aumento da procura turística de Braga.

Os estudos efectuados referem que o turista gasta uma quantia razoável por dia e que procura visitar monumentos de índole religiosa ou de cariz histórico patrimonial.

Este aumento turístico, baseado no interesse do turista/visitante em conhecer mais sobre a história da nossa cidade prova que a Indústria do Património impulsiona o turismo e gera receitas, além de criar movimento humano, sobretudo no Centro da Cidade. É uma nota positiva que os agentes promotores do turismo devem ter em conta, realçando o papel da Câmara Municipal de Braga (CMB) e, por exemplo, da TUREL.

É notável como, entrando na Sé Catedral, é cada vez mais frequente vermos vários grupos, acompanhados pelo seu guia-intérprete, contextualizando este monumento religioso em várias línguas (sinal de um turismo de várias nacionalidades).

É de destacar, também, a recente edição da Feira das Freguesias onde cada autarquia teve a possibilidade de divulgar as gentes, as acções e os monumentos de cada localidade. Mas o que atraiu imensa gente ao centro foi a Feirinha do Antigamente, com os produtos agrícolas e as acções quotidianas realizadas de forma tradicional e bastante artesanal. Quantos jovens ficaram a saber o trabalho, mas de forma animada, que dava desfolhar o milho? Quantas pessoas puderem recordar os cânticos entoados nas vindimas? E como foi bom observar jovens e adultos a rodopiar com os tradicionais dançares da nossa região?

Braga tem muito para oferecer a quem nos visita e de forma singular. Temos tradições originais e monumentos únicos capazes de fazer Braga competir com qualquer outro destino turístico. Congratulo a CMB pelo belo exemplo que deu à cidade.

Esta Feira das Freguesias tentou, ainda, dar enlevo ao facto de Braga acolher, em 2012, a Capital Europeia da Juventude. O stand foi brilhantemente concebido e estava bastante apelativo, faltando, contudo, haver maior empenho das associações nesta participação. No dia da inauguração, registámos que se fizeram representar unicamente quatro associações juvenis do concelho. É pouco para o que Braga possui nesta matéria e para aquilo que tem de dar no próximo ano. Mas também se destaca a forma pouco acolhedora que o executivo municipal teve para com as associações que se fizeram representar, pois entrando no stand, não foram capazes de parar para falar com os responsáveis das associações juvenis e saber quais as nossas expectativas para o próximo ano, ou tão só perguntar como corre o trabalho que vamos desenvolvendo ou as actividades que temos vindo a realizar. Disse-o na crónica anterior e reafirmo. Para sermos uma excelente Capital Europeia da Juventude, mais do que grandes financiamentos, precisamos, também, de palavras de incentivo e de saber que não trabalhamos isolados ou independentes, mas que temos uma forte parceria. Se os responsáveis do Município que geraram esta Capital da Juventude não forem os nossos primeiros parceiros, então, a CEJ2012 será um evento preenchido de conteúdos, mas vazio na aprendizagem, pois o primeiro objectivo a cumprir deverá ser o trabalho em cooperação e em rede.

Ainda no que concerne ao turismo de Braga, acrescento que as Sete Fontes já deveriam estar numa posição privilegiada nos roteiros. Recentemente, devastaram-se inúmeras árvores, subtraindo qualidade paisagística ao monumento e fazendo-nos reflectir o porquê de haver alguém com pressa de escapar ao Plano de Pormenor. É preocupante haver um embargo que demora treze dias a ser oficializado, sendo um péssimo exemplo à cidade de como defender a nossa cultura e proteger as nossas heranças culturais.

Precisamos que os bons exemplos superem os maus, criando nos jovens e em todos os cidadãos, matéria de orgulho na sua cidade, nas suas acções e tradições.


26 de setembro de 2011

CEJ2012 - As ideias dos nossos agentes políticos

"Correio do Minho" 23/09/2011

Após a reunião de Câmara, realizada no dia 22/09, as duas forças políticas com assento na vereação bracarense extremaram argumentos sobre a realização da Capital Europeia da Juventude 2012.
Para a coligação Juntos Por Braga há falta de diálogo com as associações e para o executivo municipal, estão a ser ouvidas as entidades que têm de ser ouvidas.

Há críticas à gestão deste projecto e à actução da equipa, para uns e total confiança na mesma, para outros.
Acreditamos que após o encerramento da CEJ2012, alguém fará valer o seu ponto de vista dizendo: "Nós tínhamos razão".

Vamos é ter de esperar para saber quem é que estava correcto, sendo certo que estava na hora de promover uma reunião geral de associações para debater este ano prévio de CEJ e fazer um ponto de situação...até porque tem de se fazer uma reflexão sobre o stand da Braga2012:CEJ na Feira das Freguesias, pois no dia da inauguração apenas estavam lá representadas 4 associações (JovemCoop, AJ Caminho, Ágora Bracarense, Synergia), tendo posteriormente juntado-se a Juventude da Cruz Vermelha!
É pouco para a dinâmica associativa que Braga tem e que deverá mostrar em 2012.

12 de setembro de 2011

Crónica A Voz à Juventude (1) Correio do Minho

"Correio do Minho" 06/09/2011


CEJ2012 – O apoio de que as associações necessitam

Caro Leitor,
Agradeço-lhe o tempo que despende em ler estas palavras. Aceitei, com gosto, o convite que me foi dirigido pelo Sr. Director do Correio do Minho para encetar esta colaboração com o jornal e, mensalmente, provocar alguma reflexão sobre temas vocacionados para a Juventude (fruto de um trabalho que tenho realizado à frente da associação juvenil Jovem Cooperante Natureza/Cultura). Mas aproveitarei este espaço para abordar questões da nossa cidade, onde incluirei a temática da participação cívica, urbanismo, património, cultura e ambiente.
O ano lectivo que agora se inicia vem recheado de desafios para a juventude de Braga, pois em 2012 a nossa cidade será Capital Europeia da Juventude (CEJ2012) e teremos de provar a razão dessa escolha.Restam cerca de quatro meses para o início desse grande evento que incluirá formação educacional, intercâmbios culturais, momentos de diversão e, com certeza, muito espírito de sacrifício e altruísmo de quem quer fazer desta oportunidade uma realidade que perdure pelos tempos.
Esta realização da Fundação Bracara Augusta (entidade que rege a CEJ2012) merece destaque porque porá a render os talentos dos jovens e das associações juvenis do concelho de Braga, fazendo uma mostra do que cada agremiação melhor faz (temos a felicidade de ser uma cidade com várias associações vocacionadas para áreas distintas, capazes de formar um interessante painel de actividades diversas).

A quatro meses do início da CEJ2012 ainda pouca informação é veiculada às associações. Dizem, as vozes responsáveis, que a programação e o evento necessitam de financiamento específico que o Governo e as entidades que gerem os Financiamentos Comunitários poderão conceder. Em tempos de crise financeira, o Estado preocupa-se com o equilíbrio das contas presentes e poderá relegar, para segundo plano, a formação dos jovens que constituirão o Portugal do futuro. Será difícil o Estado Central preocupar-se com a CEJ2012, logo poderemos especular que os financiamentos poderão não ser os esperados. 
Mas a nossa advertência vai para a vontade das associações em realizar as suas actividades e provas de saber. Muitas vezes, mais do que financiamentos, as associações necessitam de uma palavra de força, apoio nos recursos logísticos o que lhes transmite confiança. E, com pouco, pode-se fazer muito, até porque diz-nos a experiência que grandes financiamentos podem fazer surgir eventos espampanantes, mas sem “coração” de quem os realizou. Estes eventos, desde o seu planeamento, passando pela sua organização e realização são o melhor ensinamento para os jovens, dotando-os do sentido de responsabilidade, partilha e espírito de grupo. Esto é a melhor mensagem e formação que a CEJ2012 pode conceder aos jovens. Por isso, fica aqui expresso, se houver incentivo, mesmo que não haja muito dinheiro, Braga tem condições de ser uma excelente Capital Europeia da Juventude.

Entretanto, convido o amigo leitor a deslocar-se ao Parque de Guadalupe, área verde no centro da cidade, nos próximos dias 10 e 11 deste mês. Fruto da organização de várias entidades realizar-se-ão as Grandiosas Festas em Honra de N.ª Sr.ª da Piedade e S. Marçal, evento de cariz religioso, mas com grande predominância popular. Este evento é uma das provas que dou ao amigo leitor de que com pouco, muito se consegue. A custos muito reduzidos, estas festas têm um programa muito vasto, enriquecido pela cultura popular, dando destaque aos nossos Bombeiros, verdadeiros exemplos de altruísmo e ajuda ao próximo.

Obrigado, amigo leitor, pelo tempo que me dispensou. Até breve.



23 de agosto de 2011

As visões de Associações de Braga sobre a CEJ2012

"Correio do Minho" de 13/08/2011

"Diário do Minho" de 22/08/2011

Duas das maiores associações juvenis de Braga, com provas dadas neste campo, têm vindo a manifestar a sua postura quanto à realização da Capital Europeia da Juventude, em Braga, no próximo ano.
Não deixa de ser interessante perceber que há vontades semelhantes entre estas estruturas, pois ambas afirmam querer fazer de Braga a melhor Capital Europeia da Juventude e ter oportunidade de ter a nossa cidade a brilhar no contexto das áreas da juventude.

Ainda assim, a associação Synergia parece estar melhor lançada para a sua participação na CEJ2012, pois segundo a notícia revelada em cima, a associação parece ter já o seu programa definido e devidamente alinhavado com os responsáveis da Fundação Bracara Augusta que, inclusivé, afirmaram durante o almoço do Dia Internacional da Juventude que a Synergia é um grande parceiro da CEJ2012.

Num pólo contrário parece estar a Equipa Espiral que mantém a sua vontade de participar na CEJ2012, mas que afirma já que alguns projectos foram comprometidos pelas indefinições processuais e financeiras do programa que regerá as actividades no próximo ano.

Não deixa de ser curioso como na notícia em cima, o Director Regional do Norte do IPJ diz que os jovens merecem sofrer discriminação positiva, incentivando à participação dos jovens e na notícia de baixo a Equipa Espiral afirma estar em ruptura com o IPJ devido ao excesso de burocracia para tão pouco apoio por parte daquela entidade.

Parece-nos que no que concerne a actuações, as associações juvenis de Braga, onde nós nos incluímos, ainda têm um grande caminho a percorrer,  para que haja maior assertividade, igualdade, alinhamento e diálogo com a Câmara Municipal de Braga, a Fundação Bracara Augusta, um, aparentemente desaparecido, Conselho Municipal de Juventude e o Instituto Português da Juventude para que tenhamos uma excelente CEJ em Braga já em 2012!

11 de maio de 2010

Associativismo Juvenil - um investimento na formação dos jovens!

retirado do "Diário do Minho" 01/05/2010

No dia 30 de Abril celebrou-se o Dia do Associativismo Jovem, uma iniciativa histórica que visa a promoção do trabalho realizado pelas associações juvenis.
O Sr. Secretário de Estado da Juventude deixou claro que há, da parte do Governo da Nação, uma clara aposta no associativismo juvenil, que se traduz em apoios financeiros o que conduziu a um aumento do número de associações juvenis registadas.

Congratulámo-nos pelos números alcançados, pois as associações têm crescido em número e em objectivos, o que revela que as associações juvenis, mais do que "entreter miúdos" podem ser, de facto, um investimento sério no futuro do País e na formação dos seus cidadãos.
A JovemCoop tem defendido que a nossa participação, ainda que sem os apoios estatais (por nossa opção, ressalve-se), é um meio de contribuirmos para a educação(não formal) dos nossos membros e de lhes dar outra perspectiva sobre determinados assuntos.

Muito nos agrada que estas nossas temáticas extravasem o campo do associativismo jovem e que também elas surjam no contexto da educação formal. Temos vindo a acompanhar vários elementos da JovemCoop na disciplina de Área de Projecto, História e Geologia na realização de trabalhos que estejam relacionados com os Monumentos ou a História da Cidade de Braga. Os resultados têm sido francamento positivos e estamos, de facto, a sensibilizar uma geração para outros desafios da cidade.

Quanto ao investimento por parte do Governo, seria bom que este apostasse não só no investimento financeiro, mas sobretudo na afectação de recursos humanos e logísiticos para que as associações trabalhem melhor. E que as verbas que o estado concede sejam melhor distribuídas, porque não adianta aumenta-las se grande parte delas for para associações directamente relacionadas com os técnicos que avaliam os projectos ou para associações académicas que, além de terem outras fontes de financiamento, são desequilibradores das balanças dos financiamentos. Mas isto já se passa há muitos anos, haverá coragem para mudar?