12 de abril de 2012

A destruição do património de Braga, tema sempre actual!

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Nunca um texto fez tanto sentido nos dias de hoje como aquele escrito pelo Cónego Arlindo Ribeiro da Cunha in "Relíquias de Bracara Augusta".

Contava ele, nessas notas, a curiosa história da descoberta  por A.Tranoy e Rigaud de Sousa em Outubro de 1974 de um imponente muro de uma construção romana que o Cónego Arlindo sonhava pertencer ao pretório de Bracara Augusta, já naquela altura, e dadas as experiências anteriores com outras ruínas, perguntava-se ele se valeria a pena prosseguir com as pesquisas, visto que a indiferença e os atentados ao património já na altura eram muitos.

Relendo o texto dele e transportando-o para os nossos dias, as mesmas dúvidas, os mesmos anseios voltam a confundir-se a ansiedade e a alegria das novas descobertas e achados, com a tristeza e o desalento a que somos levados quando vemos que as entidades que deveriam zelar pela protecção desse património são, em alguns casos, os principais impulsionadores directa ou indirectamente da sua destruição ou desaparecimento.

Casos como o das Sete Fontes, onde decorrem actualmente prospecções arqueológicas (encomendadas por um empreiteiro, cuja finalidade última é construir dentro da Zona de Protecção Especial) que poderão e deverão trazer à luz a importância histórica e patrimonial de todo aquele complexo, bem como o da Casa das Convertidas, que apesar das últimas notícias que dão como seguro que irão ser alvo de recuperação, mas que continuam a degradar-se a olhos vistos.

As ruínas encontradas na Rua de S.Vicente, que deveriam ter sido mais profundamente estudadas e eventualmente musealizadas, ou as sepulturas datadas provavelmente do séc VI encontradas no Largo da Senhora-a-Branca e que, para surpresa de todos nós e no espaço de poucos dias, foram descobertas, levantadas e reposta toda a terra no seu sítio, ficando nós sem percerbermos qual a sua importância no contexto histórico-sociocultural da freguesia, bem como qual a sua extensão.

Quem deveremos nós responsabilizar por estes atentados? As entidades que deveriam zelar pela sua protecção e musealização? A população que na sua maioria encolhe os ombros?

Ou iremos nós, e face a tudo aquilo que temos presenciado, acabar como o velho Cónego, que depois de tanto lutar para recuperar parte da nossa história acabou por se dar por vencido e perdeu todo o entusiasmo que o levara a lutar pela sua Bracara Augusta.

Por mim, e pela Associação que represento, continuaremos a lutar pela divulgação do nosso património, pela sua recuperação e preservação, para que num futuro próximo possamos dar a alegria aos nossos filhos de os presentearmos com parte da história viva da nossa cidade e possamos dizer-lhes que sim, foi graças ao esforço de todos nós que o conseguimos fazer.

Francisco Maia

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