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15 de outubro de 2012

A ausência da Arqueologia em Zona Classificada de S.Frutuoso

 
 





"Correio do Minho" 17/11/2009

Após verificarmos o edital publicado no jornal "Correio do Minho" de 2009, facilmente percebemos a ilegalidade cometida na Zona Especial de Protecção da Capela de S.Frutuoso, Monumento Nacional desde 27/04/1944 (ver ficha do Monumento no site IGESPAR).

Na passada 6ª feira, dia 12 de Outubro, foi possível verificar que, no âmbito do projecto de abertura de uma via que ligará a Avenida S.Frutuoso até ao topo Norte do Caminho dos 4 Caminhos, uma máquina giratória operava sem acompanhamento arqueológico, obrigatório numa zona especial de protecção.

Estas obras, além de não salvaguardarem a componente do acompanhamento arqueológico, destruiu um muro, que era encimado por uma canalização em pedra (aqueduto áereo), que conduzia água até à Fonte de S. António, no Adro da Igreja de S. Francisco,Real. Apesar da água já ser conduzida em tubo plástico no interior das canalizações, estas são um elemento patrimonial pertencente àquele conjunto monumental.

Além da ausência de arqueólogos, não se sabe qual será o destino daquelas canalizações, uma vez que não há informação do projecto no local. Serão restituídas no muro? Manter-se-á a condução de água? E se não for possível colocar os elementos de canalização em cima do muro, dado que este foi destruído para fazer a passagem da via, como serão salvaguardados estes elementos?

Pensamos, ainda, nas razões que levarão a que um processo de obra não esteja a ser acompanhado por arqueólogos, dado que a obra, mesmo se estiver a ser desenvolvida por delegações de competências da CMB na Junta de Freguesia de Real, teve de ser licenciada e autorizada pela Direcção Regional de Braga.

Também não pode ser alegado desconhecimento processual, uma vez que a própria Câmara Municipal de Braga ainda no ano passado contratualizou com a  Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho intervenções arqueológicas na zona do Convento de S. Francisco, com intuito de instalar ali a Nova Pousada da Juventude de Braga.

É um daqueles casos, infelizmente tão usual em Braga, que comprova que a Arqueologia em Braga não é entendida como uma área científica de desenvolvimento cultural e é vista como um entrave ao desenvolvimento. Não se entende como o Gabinete de Arqueologia da CMB ou outra entidade acompanha no terreno aquelas obras. Uma vez mais, sabe-se lá se alguma estrutura arqueológica já terá sido danificada ou destruída! Fica a certeza de que, pelo menos, uma canalização de pedra, semelhante às manilhas de pedra das Sete Fontes já foi amputado, além de um caminho antigo, que diz a tradição popular ser romano, ter sido cortado pelas obras.

No mínimo injustificável este desrespeito pela lei e pelos cidadãos.



2 de novembro de 2011

Arqueologia: Nova Versão da Pousada da Juventude

"Diário do Minho" 30/11/2011

A peça jornalística do Diário do Minho, assinada por Joaquim Martins Fernandes, é bastante esclarecedora.

A Pousada está projectada para aquele local há 10 anos, mas só agora houve condições para avançar com a sua execução. Como é uma zona de forte sensibilidade arqueológica, já foram efectuadas alterações ao projecto, não se colocando de parte novas alterações.

Resumindo...provavelmente não teremos a Nova Pousada da Juventude pronta a tempo de albergar os jovens que se desloquem em 2012 à Capital Europeia da Juventude

Se por um lado, a intervenção arqueológica é um excelente exemplo do conhecimento da História da Cidade de Braga, por outro, tanto atraso na construção do equipamento é um péssimo exemplo a dar à Juventude.

A nossa posição sobre a Nova Pousada da Juventude já é conhecida, mas acrescentamos agora que se já está programada há 10 anos para aquele local, então poder-se-iam ter feitos todos os estudos arqueológicos e avaliado se era ou não o melhor sítio para construir este equipamento.

14 de outubro de 2011

Pousada da Juventude: Opiniões


Em Novembro de 2010 a Pousada da Juventude era incompatível com o património de S. Frutuoso!

"Diário do Minho" 22/11/2010

Em Outubro de 2011, será a melhor Pousada da Juventude de Portugal!!!
"Diário do Minho" 08/10/2011

Afinal...o que leva a esta mudança de opinião? Deixou de ser considerada uma intervenção avulsa? Já não será um projecto efémero, casuístico e de sustentabilidade e rentabilidade duvidosas?
O que leva a este câmbio de opinião? E a fundamentação da intervenção agora executada permite uma inversão de sentidos?


Apesar de entender que há uma clara duplicação de custo (tendo em conta que esta infraestrutura poderia ocupar parte do novo GeNeRation), (e aqui também estávamos todos de acordo, até Novembro de 2010) parece claro que não houve a preocupação em atender às condições de mobilidade dos futuros utentes, nem tão pouco fazer parte de uma estratégia concertada para revitalizar o centro. Prefere-se, pois, privilegiar uma zona em franca expansão urbana, para justificar o investimento.

Mas é motivo de regozijo saber que S. Francisco terá melhor sorte. Apenas gostaríamos que as visitas abertas ao público para conhecer as intervenções arqueológicas fossem a dias mais convenientes ao público e não à Segunda-Feira, em horário de expediente. Se houvesse um a melhor concertação de horários, a divulgação e aproximação à temática arqueológica e patrimonial podia ser maior e com mais afluência.


12 de outubro de 2011

S.Frutuoso: Resultado das Escavações


"Diário do Minho" 08/10/11

Sem diálogo, nem discussão pública, o Município de Braga optou por instalar no antigo edifício do Convento de S. Francisco a nova Pousada da Juventude.
Apesar de entender que há uma clara duplicação de custo (tendo em conta que esta infraestrutura poderia ocupar parte do novo GeNeRation), parece claro que não houve a preocupação em atender às condições de mobilidade dos futuros utentes, nem tão pouco fazer parte de uma estratégia concertada para revitalizar o centro. Prefere-se, pois, privilegiar uma zona em franca expansão urbana, para justificar o investimento.

Mas inserindo-nos na temática arqueológica, parece proveitoso que tenha havido (ainda que legalmente obrigatória) uma intervenção arqueológica na zona do convento, afim de perceber a história da ocupação daquele local e perceber se a estrutura a construir não colidia com os vestígios existentes.

Com esta intervenção arqueológica, a julgar pela peça jornalística do Diário do Minho, parece possível perceber que grande parte das estrtuturas afectas ao antigo convento parecem jazer em zonas hoje ocupadas pela Igreja de S. Jerónimo, bem como, provavelmente, na zona do adro e do caminho público.

É de especial relevo que se tenham encontrado fossas, alegadamente, do período calcolítico e que se tenham posto a descoberto grande parte das estruturas associadas ao convento do período visigótico.

Do ponto de vista arqueológico e do da valorização patrimonial, sai mais enriquecido o convento de S. Francisco, onde os estudos realizados propõem a recuperação de alguns elementos encontrados.
Por exemplo, a conduta de água que atravessa o Convento, dado ao seu bom estado de conservação, poderá ser reactivada, dando ao local uma paisagem cénica, mas de um quotidiano monástico.
E foram estudos realizados sem pressões de obras e cumprindo as normas legais vigentes (ainda que haja, inerente ao processo, a pressão do prazo de abertura da Pousada a tempo da CEJ2012).

Se pegarmos neste exemplo, podemos, facilmente, transportar a ideia para o caso Sete Fontes. Se houvesse estudos prévios que qualificassem a área e, inequivocamente, divulgassem o potencial arqueológico, patrimonial e ambiental da zona, então incrementar-se-ia o valor deste sítio. Não há aqui a necessidade de repor água nas caleiras, porque nas Sete Fontes a água circula e em abundância. Aí, corre-se contra o tempo, porque a legislação parece funcionar lentamente, porque existem pressões urbanísticas e de obras que teimam em desqualificar o sítio monumental.

Mas é motivo de regozijo saber que S. Francisco terá melhor sorte. Apenas gostaríamos que as visitas abertas ao público para conhecer as intervenções arqueológicas fossem a dias mais convenientes ao público e não à Segunda-Feira, em horário de expediente. Se houvesse um a melhor concertação de horários, a divulgação e aproximação à temática arqueológica e patrimonial podia ser maior e com mais afluência.