30 de abril de 2012

BragaCEJ2012...as diferenças de tratamento

"Diário do Minho" 29/04/2012

É sempre agradável perceber que as actividades inseridas na programação da Braga Capital Europeia da Juventude são um sucesso.
Dar destaque ao jazz, em particular e à música em geral, além da forte aposta da CEJ, significa que a música é um forte atractivo para os bracarenses. Regozijamo-nos com esta notícia.

Contudo,

não se percebe como o Salão Medieval da Reitoria da Universidade esteve à disposição para acolher este evento, tendo em conta que para a realização da sessão sobre a Idade Média do Curso da História da Cidade de Braga, actividade também inserida na BragaCEJ2012, o mesmo salão apenas estava disponível por 3.000€, segundo informações da Administração da BragaCEJ2012 .

Em causa não está o aluguer, porque sendo o salão propriedade da Universidade do Minho, esta entidade tem direito a assegurar os custos de manutenção e não sair no prejuízo.
Aquilo que não se percebe é porque é que duas actividades inseridas no Programa Oficial da Capital Europeia da Juventude têm tratamento diferente.

Isto é, duas actividades, promovidas por associações de Braga, têm tratamento distinto. A BragaCEJ através da RUM/AAUM realizou a actividade no Salão Medieval e a BragaCEJ, através da JovemCoop não teve essa mesma hipótese.

Será que a Capital Europeia da Juventude assegurou o pagamento do Salão Medieval para se realizar o Rumo ao Jazz e não teve igual tratamento para com a actividade da JovemCoop ou o concerto, por ser organizado pela RUM/AAUM, entidades da Universidade do Minho está isento de pagamento (por serem estruturas dependentes da UM) e a BragaCEJ assume esta organização, apenas contribuindo com o seu carimbo?

De qualquer forma, se a BragaCEJ2012 não tem capacidade de negociar com as entidades e mostrar o benefício da realização da CEJ para a cidade ou se a Universidade do Minho, mediante a mais valia cultural não se mostra sensivel a abrir as portas à cidade, significa que a Capital Europeia da Juventude tem outras prioridades que não a participação e inclusão dos jovens nas matérias da e para a cidade.

Posto isto, cumpre-nos agradecer à Sr. Directora da BLCS, Dr.ª Aida Alves pela gentileza que teve com a JovemCoop e para com os participantes do Curso da História da Cidade de Braga em permitir que a sessão fosse realizada no auditório da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, no antigo eixo medieval da Rua Verde.
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Actualizado às 18h03
Por querermos contribuir para o esclarecimento e não para a confusão, informamos que recebemos da Capital Europeia da Juventude o seguinte esclarecimento:

  • Não faz a BragaCEJ2012 qualquer distinção entre associações, nem parceiros com actividades no âmbito da Capital Europeia da Juventude;

  • A BragaCEJ2012 reservou o Salão Medieval da Reitoria para o Curso, e teve confirmação positiva. Na semana em que decorria o evento, foi informada que o Salão Medieval estava disponível por três mil euros. Entrou-se em contacto com a Reitoria, nomeadamente com a secretária do Sr. Vice-Reitor José Mendes para sensibilizar a Universidade para a realização do Curso;

  • A resposta foi taxativa quanto ao aluguer imposto, mesmo após a BragaCEJ2012 estar na disposição de pagar um preço mais em conta aos custos reais. Entenda-se o aluguer do Salão por 3.000€ custaria mais do que as 5 sessões do Curso;

  • O Salão Medieval foi cedido para o Braga Rumo ao Jazz porque quem o solicitou foi a RUM/AAUM, logo sendo instituições ligadas à Universidade do Minho estariam isentas;

  • A Fundação Bracara Augusta, que gere o evento da Braga Capital Europeia da Juventude, é detida em 25% pela Universidade do Minho, logo acreditava-se que seria mais solícita ao programa da BragaCEJ2012, pelo que não deixa de ser estranho que se tenha inibido a realização de uma actividade que consta do Programa Oficial;

  • As razões que levaram à não realização do Curso de História no Salão Medieval foram explicadas ao Coordenador Geral da JovemCoop assim que surgiu este problema;

A JovemCoop percebe todas estas razões e este post foi escrito para esclarecer os nossos membros e leitores. Não quisemos imputar responsabilidades à BragaCEJ, mas perceber porque uns conseguem e outros não. Se o problema está na logística ou na gestão de espaços, pelo menos ficamos agora esclarecidos da vontade que existe em engrandecer a BragaCEJ. A entidade BRAGACEJ é só uma, independentemente de quem é parceiro, logo, o objectivo é dotar os jovens de maior capacidade de ferramentas de trabalho e aprendizagem. Todos temos de remar para o mesmo lado, fazendo da BragaCEJ una e não divisionária!


4 comentários:

iPon disse...

O concerto foi muito bom, foi sem dúvida uma aposta ganha. Também gostei do Curso da História da Cidade de Braga. Por ter estado nos dois eventos, posso dizer que as condições do salão Medieval não eram as melhores para acolher um concerto como aquele, em que muitas pessoas tiveram de ficar de pé e sentadas no chão por não lugares para toda a gente e muita gente decidiu ir embora por não conseguir entrar na sala, já isto ter acontecido com o concerto do JP Simões. Mas teria sido sem dúvida muito interessante ter sido lá o curso, o ambiente que ira criar o espaço, indo em conta ao objectivo do curso falar sobre a história de Braga.
Pena os critérios serem diferentes para as actividade em causa.. Parabéns pela vossa iniciativa.

Miguel Marques disse...

Claro que nao é compreensivel que exista esta dualidade de tratamento em eventos inseridos numa mesma iniciativa. É troglodita e so revela o parolismo intelectual que neste momento grassa na Universidade do Minho a varios niveis. recordo ainda que o salão medieval não é da Universidade do Minho... este edificio não foi comprado pela Universidade, foi apenas e só cedido. Mesmo que o fosse foi recorrendo a fundos e dinheiros publicos ou seja de todos nos. A Um esta cada vez mais imbuida no espirito quero posso e mando, é pena porque um dia pode lhes sair o tiro pela culatra. É acima de tudo triste por ter estudado nesta instituições e desde há varios anos ter inclusivamente vergonha de dizer que aqui estudei... estes casos so aumentam isso... A Jovemcoop e outras associaçoes sem fins lucrativos devem ter acesso a espaços publicos ( e nao nao sao privados... e nao Ricardo eles não pagam manjutençao , pagamos todos nos, pq ainda sao uma instituição dependente do estado) para programas de indiscutivel mais vaila para as populações locais. É esta mentalidade tacanha da UM e posso dizer de grande parte das instituições bracarense que impede o crescimento cultural desta cidade que esta a anos luz de Guimaraes, por exemplo, ou ate de famalicão. Só assim se explica por exemplo a ascenção,/queda/ ascenção do Rui madeira por exemplo nos destinos do TC. Nos tempos em que esteve afastado Braga cresceu culturalmente... mas o medo deste cresscimento foi tao grande que novamente se coloca RM à frente ....

Anónimo disse...

Mas que confusão...Continuo sem perceber, mesmo após o esclarecimento da CEJ.Basicamente assumem que os 25% que a UM detem na CEJ são no fundo mais que suficientes para ter uma posição vinculativa aos 75% restantes.Este esclarecimento deveria ser convertido isso sim num pedido de esclarecimentos à UM.Mas esta situação é da responsabilidade da fundação bracara augusta, que tem uma visão distorcida do que é importante ou não nas suas actividades.Se fosse para colocar uns " caixotes" no salão medieval, ou realizar um torneio de futebol garantidamente que se conseguiria a sala sem pagar os 3000 euros.A CEJ em Braga não poderia deixar de ter estas situações, afinal é por causa das mesmas que Braga continua a padecer de pequenez e nunca poderá engrandecer-se.

Ricardo JovemCoop disse...

Em suma, chegamos à conclusão que há discrepância nas decisões, porque há discrepância nas actuações.
Debaixo do Chapéu das actividades da BragaCEJ estão associações que devem ter o mesmo tratamento e igualdade de oportunidades. Se há um discriminação a uma associação, a BragaCEJ devia condenar essa actuação e recusar fazer espectáculos em sítios onde essa mesma BragaCEJ não foi bem recebida nem desejada.